Dosagem de glicose

11/07/2010
Outros nomes: açúcar no sangue, glicemia, glicemia de jejum, glicose no sangue.

Formalmente conhecida como: glicemia

Qual o significado dos níveis de glicose no sangue?
A glicose é um açúcar simples que serve como a principal fonte da energia para o corpo. Os carboidratos que nós comemos são quebrados na forma de glicose (e alguns outros açúcares simples), absorvidos pelo intestino delgado e distribuídos por todo o corpo pela corrente sanguínea. A maioria das células do corpo necessita de glicose para a produção de energia; o cérebro e as células do sistema nervoso são as mais exigentes.

O uso da glicose pelo corpo depende da disponibilidade de insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. A insulina age transportando a glicose para dentro das células, estimulando o organismo a armazenar o excesso de glicose na forma de glicogênio (para o armazenamento a curto prazo) e/ou como triglicérides em células gordurosas. Os seres humanos não podem viver sem glicose ou insulina, e estas duas substâncias devem existir no organismo de forma balanceada.

Normalmente, o nível de glicose no sangue eleva-se ligeiramente após uma refeição e a insulina é então secretada para abaixá-lo. A quantidade de insulina liberada é proporcional ao tamanho e à quantidade de açucares da refeição. Se a taxa de glicose no sangue ficar muito baixa, como pode ocorrer entre refeições ou após um exercício físico mais forte, o glucagon (um outro hormônio do pâncreas) é secretado na corrente sanguínea, para comunicar ao fígado para transformar parte do glicogênio armazenado em glicose novamente, elevando, assim, os níveis de glicose circulante. Se o mecanismo de feedback da glicose/insulina estiver trabalhando corretamente, a quantidade de glicose no sangue permanecerá razoavelmente estável. Se o equilíbrio for rompido e os níveis de glicose no sangue se elevarem, o corpo tenta restaurar a estabilidade, aumentando a produção de insulina e excretando glicose pela urina.

A hiperglicemia ou a hipoglicemia severas podem ameaçar a vida, causando falência de órgãos, danos no cérebro, levando ao coma, e em casos extremos, à morte. Os níveis crônicos elevados de glicose no sangue podem causar danos progressivos aos órgãos do corpo tais como rins, olhos, coração, vasos sanguíneos e nervos. A hipoglicemia crônica pode levar a danos no cérebro e nos nervos. Algumas mulheres podem desenvolver a hiperglicemia durante a gravidez e esta pode levar ao diabetes gestacional. Se não tratado pode fazer com que estas mães dêem a luz a bebês acima do peso e que podem ter níveis baixos de glicose. As mulheres que tiveram diabetes gestacional podem desenvolver, ou não, o diabetes futuramente.

Por que realizar o exame?
O objetivo do teste é determinar se o nível de glicose no sangue está dentro dos parâmetros saudáveis, fornecendo, desta forma, dados para investigação, diagnóstico e monitoramento da hiperglicemia (glicose elevada no sangue), hipoglicemia (glicose diminuída no sangue), diabetes e pré-diabetes.

Quando realizar o exame?
Glicemia: como parte do exame regular, quando você tiver sintomas que sugiram hiperglicemia ou hipoglicemia, e durante a gravidez; se você for diabético, até mais de uma vez ao dia para monitorar o nível de glicose no sangue.

Como o exame é feito?
Uma pequena amostra de sangue é retirada de uma veia no braço, ou para o auto-exame, pode-se coletar uma gota de sangue através de uma picada na pele. É recomendado que os indivíduos estejam em jejum para realizar o teste.

Para que o exame é solicitado por seu médico?
O exame de dosagem da glicose sanguínea é solicitado para avaliar a quantidade de glicose que está circulando no sangue naquele momento. É utilizado para detectar hiperglicemia e hipoglicemia e ajudar a diagnosticar o diabetes. A glicemia pode ser medida em jejum (quando o sangue é coletado 8 a 10 horas após a última refeição), aleatória (em qualquer momento do dia), pós-prandial (após uma refeição) e/ou como parte de um teste oral de tolerância à glicose. O teste de tolerância à glicose é composto por uma série de exames para avaliar a glicose no sangue em diferentes momentos. Primeiro coleta-se uma amostra de sangue para glicemia de jejum, então o paciente bebe uma quantidade padrão de uma solução de glicose. Após isso, a coleta de sangue é executada mais algumas vezes, em intervalos de tempo específicos para avaliar as variações da glicemia ao longo do tempo. Este exame pode ser requisitado para auxiliar no diagnóstico do diabetes, ou como exame para acompanhamento da glicose sanguínea elevada.

A maioria das mulheres grávida é investigada para a ocorrência de diabetes gestacional, uma forma provisória de hiperglicemia, entre a 24ª e 28ª semana de gravidez. Utiliza-se uma versão do teste de tolerância à glicose: uma sobrecarga de glicose é dada a gestante para que ela beba, e a glicemia é medida após uma hora. Se os valores encontrados forem maiores do que aqueles estabelecidos para o diagnóstico de diabetes em pessoas não grávidas, considera-se que esta mulher está com diabetes gestacional. Nos casos em que a glicemia, 1 hora após a ingestão de uma sobrecarga oral de glicose, estiver acima do valor de referência, um teste de tolerância mais longo deve ser realizado para esclarecimento do caso.

Os pacientes diabéticos devem monitorar seus próprios níveis de glicose sanguínea, em alguns casos, diversas vezes ao dia, para determinar quais os valores da glicemia e assim, avaliar qual a medicação oral ou insulina serão necessários. Isto é realizado, geralmente, colocando-se uma gota de sangue em uma tira padrão e introduzindo-a em uma pequena máquina, que fará a leitura digital da glicemia daquele paciente.

Quando é solicitado o exame?
Avaliar o nível de glicose no sangue é importante para triar os indivíduos saudáveis, os indivíduos diabéticos assintomáticos e os pré-diabéticos. Já que o diabetes é uma doença comum, que inicia com poucos sintomas. A avaliação da glicemia pode ocorrer durante campanhas de saúde pública ou como parte do programa de saúde das próprias empresas. Pode ser solicitada também durante uma consulta médica de rotina. A investigação é especialmente importante para pessoas com alto risco de desenvolver diabetes: com história de diabetes na família, acima do peso e com mais de 40 anos.

O exame de glicemia também pode ser requisitado para ajudar no diagnóstico do diabetes, quando alguém tem sintomas de hiperglicemia, como: aumento da sede; aumento da quantidade de urina; cansaço; visão borrada; feridas de cicatrização lenta.

Ou quando a pessoa apresenta sintomas de hipoglicemia, tais como sudorese; fome; tremores; ansiedade; confusão mental; visão borrada.

O exame da glicemia é feito também em ambientes de emergência para determinar se o nível de glicose no sangue está baixo ou elevado, podendo contribuir para sintomas como desmaios ou inconsciência.
Muitos médicos orientam seus pacientes diabéticos para auto-avaliar o nível de glicose, uma ou várias vezes ao dia, monitorando desta forma as variações diárias da glicemia e facilitando assim, a escolha do melhor tratamento.

As mulheres grávidas são geralmente avaliadas para o diabetes gestacional, em um período mais adiantado da gravidez, a menos que tenham sintomas precoces ou já tenham história prévia de diabetes gestacional. Quando uma mulher é diagnosticada com diabetes gestacional, seu médico irá requisitar, geralmente, níveis de glicemia até o final da gravidez e após o parto para monitorar sua condição.

O que é hipoglicemia?

A hipoglicemia é caracterizada por uma queda na glicemia a um nível onde primeiramente causa sintomas no sistema nervoso (suor, palpitação, fome, tremores e ansiedade), depois começa a afetar o cérebro (causando confusão mental, alucinações, visão borrada, levando às vezes ao coma e à morte). Um diagnóstico real de hipoglicemia necessita de preencher a “tríade de Whipple”. Estes três critérios incluem:

 

 - Níveis baixos de glicose documentados (menos de 40 mg/dl ou 2.2 mmol/L) testados frequentemente junto com níveis de insulina e às vezes com os níveis de peptídeo-C
- Sintomas de hipoglicemia
- Reversão dos sintomas quando a taxa de glicose no sangue retorna ao nível normal

O que significam os resultados dos exames?
Níveis elevados de glicose indicam, mais freqüentemente, diabetes, mas muitas outras doenças e circunstâncias podem também causar a elevação da glicemia. As informações a seguir resumem o que significam os resultados dos testes (baseadas nas recomendações da Associação Americana de Diabetes).

Glicemia de jejum:

De 60 a 109 mg/dl (3.9 a 5.5 mmol/L) – Normal

De 100 a 125 mg/dl (5.6 a 6.9 mmol/L) - Tolerância à glicose diminuída (pré-diabetes)

Acima de 126 mg/dl (7.0 mmol/L) em mais de um teste - Diabetes Melitus

Teste de Tolerância Oral à Glicose (exceto grávidas)
(2 horas após 75g de glicose oral)

Menor que 140 mg/dl (7.8 mmol/L) – Glicose de jejum alterada

De 140 a 200 mg/dl (7.8 a 11.1 mmol/L) - Tolerância à glicose diminuída.

Acima de 200 mg/dl (11.1 mmol/L) em mais de um teste, em diferentes ocasiões - Diabetes Melitus.

Triagem para Diabetes Gestacional: Teste de sobrecarga de glicose
(1 hora após 50g de glicose oral)

Menor que 140* mg/dl (7.8 mmol/L) - Tolerância normal à glicose

Maior ou igual a 140* mg/dl (7.8 mmol/L) – Anormal

* Alguns trabalhos utilizam o corte >130 mg/dl (7.2 mmol/L) porque assim identificam 90% das mulheres com diabetes gestacional, comparado com 80% de identificação quando utilizado o limiar de >140 mg/dl (7.8 mmol/L).

Diagnóstico de Diabetes Gestacional
(100g de glicose oral)

Jejum*<95 mg/dl (5.3 mmol/L)
1 hora após a sobrecarga de glicose* < 180 mg/dl (10.0 mmol/L)
2 horas após a sobrecarga de glicose* < 155 mg/dl (8.6 mmol/L)
3 horas após a sobrecarga de glicose* ** < 140 mg/dl (7.8 mmol/L)

* Se dois ou mais valores estão acima do critério, é diagnosticado o diabetes gestacional.
** A sobrecarga de 75g de glicose pode ser utilizada, embora este método não é tão bem validado quanto o OGTT 100g, a amostra após 3 horas não é realizada caso utilize-se 75g.

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