Hipotireoidismo ou depressão?

Da Redação 04/07/2011

Você já deve ter ouvido falar que os hormônios tireoidianos T3 e T4 são fundamentais para o funcionamento do sistema nervoso central e para a ativação do metabolismo. “Prova disso é que, quando há uma queda na produção dessas substâncias, o que é chamado de hipotireoidismo, ocorre um desequilíbrio nos neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e por transmitir impulsos nervosos.

Daí os sintomas serem semelhantes aos da depressão, como instabilidade de humor, angústia, ansiedade, insônia, cansaço e apatia em geral”, lista o endocrinologista Wilmar Accursio, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Segundo a médica Gisah Amaral de Carvalho, professora da Universidade Federal do Paraná, metade das pacientes com hipotireoidismo apresenta sintomas depressivos ou até mesmo depressão e um terço das mulheres com depressão tem hipotireoidismo. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, feito em 1999, confirma: entre as mulheres que apresentaram uma ligeira diminuição da função da tireoide, 56% sofreram depressão. 

Soluções possíveis

A boa notícia é que nos casos leves de hipotireoidismo, o risco da pessoa ter depressão é pequena. “Porém, quando há demora em diagnosticar o distúrbio, as chances de ter a doença aumentam”, lembra Wilmar Accursio. 

Como os sintomas da depressão são os mesmos, independentemente do que causou seu aparecimento, quem sofre com o problema deve ter a função tireoidiana avaliada. Se o distúrbio for confirmado, o primeiro passo é repor os hormônios em dose adequada. “Em casos de depressão leve é comum esperar para ver se apenas com a reposição hormonal haverá melhora. Já nas situações mais intensas é preciso associar ainda o uso de antidepressivos”, diz o endocrinologista. De acordo com ele, se após dois meses de tratamento do hipotireoidismo a depressão for reduzida, pode-se dizer que a causa dela era mesmo o distúrbio da glândula tireoidiana. Caso contrário, ele é apenas um agravante.

Malhar é bom

Já está comprovado que praticar atividade física ajuda a amenizar os sintomas da depressão. Uma pesquisa feita pelo Instituto de Psiquiatria do King’s College London, na Inglaterra, em parceria com o Instituto Norueguês de Saúde Pública, com 40 mil pessoas que se exercitavam regularmente, mostrou que as que sentiam prazer em malhar tinham menos chances de ter sintomas de depressão e ansiedade do que as que treinavam por obrigação.

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