Vida após a Miastenia Gravis

Depoimento de: Yara Rocca 05/01/2012

Tudo começou em 1990, quando eu estava com 24 anos e cursava o último ano de jornalismo. Um mês depois de ter voltado de férias dos Estados Unidos – onde fui surfar no Havaí –, de repente, fui acometida por um cansaço terrível (que os médicos diziam ser estresse), seguido por uma dificuldade enorme para engolir, andar, abrir os olhos e fazer a coisa que mais amo na vida: sorrir. 

Com o passar dos dias, meu corpo foi tomado por uma fraqueza muscular descomunal, absurda e generalizada, que me deixou sem força em todos os músculos (dos pés à cabeça) e completamente paralisada, numa cadeira de rodas por dois anos.

Enquanto os sintomas foram se instalando, eu ia caindo pelas ruas até não ter mais condições de sair de casa.

Levei vários tombos, sofri dois traumatismos cranianos e fiquei emocionalmente abalada com tudo o que estava acontecendo. Fiz as provas finais da faculdade na UTI do hospital e me formei.
Minha mãe já não sabia mais aonde me levar para obter um diagnóstico preciso e partir para um tratamento eficaz.

Recebi esse diagnóstico no ambulatório de doenças neuromusculares da Unifesp: Miastenia Gravis – doença autoimune, neuromuscular, segundo eles incurável, e que tentou acabar com a minha vida de todas as formas.

Nesses 21 anos de caminhada com essa “colega”, aprendi um bocado de coisas. Também conheci de tudo o que há de mais moderno, avançado, arcaico, inútil, absurdo, ridículo, eficaz, enganoso, ilusório, paliativo, verdadeiro, simples, sofisticado, que funciona e que não funciona quando uma pessoa que está doente e busca obter um resultado positivo.

Se eu fosse elencar aqui, daria um livro. Passei por tratamentos (convencionais, espirituais e terapêuticos) de todas as linhas, crenças e abordagens que se possa ouvir ou imaginar.

O que tem funcionado até aqui para mim é o seguinte:

- Tratamento convencional e medicamentoso, sempre sob a orientação do meu médico – isso têm me deixado bem e com os sintomas sob controle (alguns já sumiram, inclusive).

- Alimentação saudável – passei a comer frutas, verduras, legumes, sementes germinadas, tudo cru e orgânico. Desta forma, melhorei 1.000%, mas fiquei com falta de vitamina B12 e quase morri. Portanto, hoje sigo uma alimentação balanceada prescrita por uma nutricionista que me acompanha.

- Sono – dormir suave, profunda e tranquilamente é 90% do sucesso que tenho conseguido para a minha saúde. Tenho um problema na articulação temporomandibular (a articulação responsável pelo movimento de abrir e fechar a boca) e passei a usar um aparelho para dormir. Funciona que é uma beleza, além disso, nunca mais tive insônia. Meu sistema imunológico agradece.

- Contato com Deus e com a natureza – passei a “conversar” com Deus e abandonei todas as religiões e crenças espirituais que só me atrapalharam a vida. Tomo 15 minutos de sol todos os dias, tento respirar ar puro o máximo que posso e faço caminhadas ao ar livre e pequenos exercícios de alongamento em frente à piscina, onde nado um pouco de vez em quando.

- Me amar – todas as manhãs, assim que acordo, vou para frente do espelho e digo: “Yara, eu te amo incondicionalmente. O amor que eu tenho por você é constante e eterno. Eu te aprovo, te aceito e, aconteça o que acontecer, pode contar comigo sempre e para sempre”. Depois que passei a fazer isso, tudo mudou.

- Relacionamentos – familiar, afetivo e profissional. Passei a cuidar disso também e, depois que tomei coragem e terminei um noivado de quase oito anos, minha vida e saúde mudaram para melhor. Às vezes, nos sentimos inseguras por estarmos doentes, e o primeiro que aparece nos acenando com a possibilidade de nos aceitar nessas circunstâncias acaba conseguindo namorar conosco. Mas isso é um erro, e pode custar caro, caso não dê tempo de enxergarmos que estamos ao lado da pessoa errada.

- Trabalhar - fazer alguma atividade profissional que se gosta é tudo. Isso aumenta a nossa autoestima, e acredito que modifique até mesmo o nosso sistema imunológico. 

Hoje em dia estou muito bem. E minha melhora se dá na proporção que trabalho com amor, fazendo o que gosto e obtendo os resultados que preciso para realizar meus sonhos, sustentar minha mãe e irmã, além de todos os meus colaboradores.

Saúde e sucesso para você também.

No amor,

Yara Rocca – mais viva do que nunca!
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