Miomas? Saiba como consegui vencê-los
Depoimento de: Fabiane Lima 25/03/2011No auge dos meus 18 anos, em uma consulta no posto de saúde, descobri que minha menstruação desregulada e excessiva tinha um motivo chamado "miomas". Eu deveria, segundo o médico, realizar ultrassons periódicos para acompanhar o tamanho deles e, além disso, o fato de meu útero ser bicorno (uma alteração da anatomia do útero) dificultaria uma possível gravidez. Naquele momento nem dei atenção a essa questão, só queria que as cólicas e o fluxo fossem amenizados.
Marquei uma nova consulta e fui bem direta: "Doutora, não quero mais menstruar!". Após alguns exames lá estava eu, tomando meu primeiro e último anticoncepcional injetável e, para falar a verdade, parecia o dia mais lindo da minha vida.
Quase 10 dias depoi
s meu abdome estava muito maior. A progesterona contida no anticoncepcional havia “alimentado” meus miomas. Parecia que estava grávida de dois meses, além disso apresentava anemia e desmaios constantes durante a menstruação.
O médico informou que meus miomas estavam enormes e indicou o DIU (Dispositivo Intra Uterino), que, segundo ele, controlaria minha menstruação e o fluxo. Mas não houve tempo de dar andamento a esse tratamento. Pouco tempo depois, indo para o trabalho, desmaiei próximo ao Hospital das Clínicas (HC), onde fui medicada e encaminhada para especialistas da área de ginecologia. Após a realização de alguns exames, fiz a retirada de seis miomas.
Tive seis meses de alegria, um fluxo mais controlado e sem cólicas, porém, no exame de ultrassom foram localizados outros dois miomas. Nesse instante fui informada de que, caso necessitasse de mais uma cirurgia, seria muito difícil manter meu útero.
Alguns anos se passaram e, com eles, alguns médicos também. Retomei o tratamento, mas as cólicas e o fluxo menstrual me impediam de ter uma vida normal.
Fui aconselhada a iniciar um tratamento novo que mostrava resultados satisfatórios em mulheres com miomas. Consegui marcar uma consulta e, no dia marcado, lá estava eu, deitada em uma maca e dando início ao novo e promissor tratamento.
Lembro-me de que o médico havia dito que eu poderia ter alguma reação e, depois de alguns dias, ela apareceu. Entrei na menopausa aos 24 anos, com direito a tudo que ela poderia me trazer: ondas de calor, ressecamento vaginal, mudanças repentinas de humor... Eu trocava a roupa do trabalho quase três vezes ao dia. Meu namorado andava com toalhas de rosto para me secar o tempo todo. Comprei até um ventilador enorme para ligar no serviço quando a crise começasse a molhar as roupas.
Interrompi o tratamento, pois não aguentava mais. Passei a fazê-lo trimestralmente até que me libertasse dos seus efeitos.
Continuei a peregrinação, passei por vários médicos e meu abdome estava cada vez maior. Meu fluxo menstrual inicial, que era de 12 dias, já tinha chegado a 20 e em determinadas ocasiões durava o mês inteiro. Absorvente noturno não funcionava mais, comecei a usar fraldas geriátricas, pois era a única maneira de me sentir segura e não passar tanta vergonha no trabalho, na rua e em casa.
Tudo começou a mudar no ano passado, quando conheci o médico que salvou a minha vida. Após a pergunta "Em que posso te ajudar?", despejei a minha vida em seus ouvidos. Falei de cada médico, cada procedimento, cada medicamento e que estava cansada de ouvir que perderia o útero ou que meu caso não havia saída. O doutor sorriu e disse que havia uma solução: a embolização de miomas (uma técnica cirúrgica que obstrui a irrigação de sangue que faz o mioma crescer), mas que conversaríamos melhor após a realização dos exames.
Fiz os exames e, na semana seguinte, lá estava eu ansiosa, pois já havia revirado a internet para saber mais sobre o assunto. Após analisar meus exames, o médico me indicou um radiologista intervencionista cirurgião endovascular, que me explicou todos os detalhes da embolização de mioma.
Finalmente, realizei a cirurgia de embolização de miomas no dia 20 de janeiro deste ano. No dia seguinte, ainda sentia cólicas fortes, mas fui medicada o tempo todo. Poucos dias depois, meu abdome estava menor. No início de fevereiro fiz meu primeiro exame e foi constatado que os miomas haviam diminuído 30%.
Hoje, passado mais um mês, posso dizer que sou uma mulher mais feliz, mais alegre, sem dor, sem a necessidade de usar absorvente noturno dia e noite.
Sou Fabiane Lima, descobri que miomas não são malignos e, hoje, aos 33 anos sei que a felicidade é mais que um momento.
Agradeço a todos que me apoiarem nesta caminhada.
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