Minha gravidez venceu a endometriose!

Depoimento de: Viviani Alves Bispo 01/07/2010

Em 2005, ao fazer exames de rotina, recebi o diagnóstico de Endometriose. Quando entreguei o laudo à médica e ela me explicou detalhadamente do que se tratava, levei um choque! Ao ouvi-la dizer que uma das consequências da Endometriose é a infertilidade, confesso que perdi o chão. Na época eu estava com 30 anos, tinha acabado de começar um namoro e a palavra maternidade não fazia parte do meu vocabulário.

Saí do consultório chorando. Mas nem eu entendia por que, já que a ideia de ser mãe estava muito, muito distante, nem era parte dos meus objetivos. Lembro que andei pelas ruas meio perdida, tentando entender por que Deus estava me colocando à prova. Depois, mais calma, consegui entender que meu drama interior era por que uma coisa é você não ter planos de ser mãe. Outra é você não poder.

Fiz mais exames e comecei a tratar a doença. Meu caso não era um dos mais graves e com controle por meio de anticoncepcionais foi possível bloquear o avanço do problema. A endometriose “estacionou”. Mas continuava lá.

Continuei a adiar maternidade e os médicos diziam que só quando eu tentasse engravidar é que saberíamos se de fato a doença prejudicou minha fertilidade. Nestes 4 anos a dúvida sempre rondou minha cabeça, muitas vezes me peguei pensativa sobre o que fazer caso não pudesse ser mãe. Meu namorado nunca escondeu que era louco para ser pai e o carinho que ele tem com os filhos de nossos amigos sempre me deu muita paz para pensar em ser mãe. No início de 2008 nos casamos e nem sequer tocamos no assunto de um filho. Porém, em dezembro, ao passar por uma consulta no Grupo de Endometriose, a médica me perguntou sobre os planos da maternidade. Ao responder que não estávamos pensando nisso ainda mas que queríamos sim ter um filho, ouvi a seguinte recomendação: olha, Viviani, você acabou de fazer 34 anos, está casada e feliz. A mulher naturalmente diminui as chances de engravidar a partir dos 35 e você, além disso, tem endometriose.

A médica me fez uma proposta, disse para eu analisar com muita calma e, quando resolvesse que seria o momento, passaríamos a observar e cuidar desse processo e até pensar num tratamento. E, brincou que eu até poderia começar a treinar, deixar de tomar o anticoncepcional já que talvez demorasse um pouco para engravidar.

Saí de lá até que calma. Mas, no caminho para casa comecei a chorar pois não me sentia preparada para ser mãe, ainda acumulava dívidas da festa do casamento, meu marido trabalhava sem carteira assinada e não tinha garantias trabalhistas. Achava que não era o momento para colocar uma criança no meio da loucura que estavam nossas vidas. Naquela noite, quando ele me perguntou como foi a consulta, chorei de novo. Ele entendeu e disse que quando eu quisesse contar, estaria pronto a ouvir.

Em janeiro, contagiada pelas alegrias do Ano Novo, resolvi contar sobre a conversa com a médica. Meu marido foi muito sensato e, amoroso como sempre, disse que quando eu quisesse ser mãe, adoraria compartilhar da ideia. Terminei a cartela do anticoncepcional e, como não engravidaria tão cedo por conta da Endometriose, não comprei outra. Entreguei nas mãos de Deus que, mais do que meu marido e eu, sabe o que deve acontecer em nossas vidas.

Parei a pílula no início de fevereiro. Em março, passei a fazer muito, muito xixi. Concluí que estava com diabetes já que ainda não tinha atrasado a menstruação e, caso fosse gravidez, o feto não era grande o suficiente para comprimir a bexiga e me fazer ir tanto ao banheiro.

Com dois dias de atraso, desceu um pouco. Tive certeza que não era gravidez. Só podia ser diabetes! Fui ao pronto socorro e, diante do meu relato, o médico resolveu fazer primeiro exame de infecção na urina. Chegou o resultado negativo. Quando contei que estava com um minúsculo atraso na menstruação, foi feito exame de gravidez. Que deu positivo!

Como a palavra Infertilidade estava rondando minha cabeça, demorei um pouco a entender que eu ia ser mãe. Primeiro fiquei aliviada por não estar com diabetes e logo em seguida me vi surpresa com a novidade: eu estava grávida!

Neste tempo meu marido mudou de emprego, foi para um bem melhor e com vários direitos de um trabalhador. Nosso filho vai chegar no final de outubro e estamos parecendo dois babões, assistindo ao DVD do ultrassom a todo momento.

Todos aqueles medos, inseguranças e paranóias que assolavam minha cabeça foram embora. A cada dia que a barriga fica mais evidente, fico mais feliz.

A Endometriose, a vilã da história, que me deixou por muito tempo com neuras, não conseguiu vencer. Apesar de ela ter ficado lá, instalada no meu útero, há uma vida sendo gerada ali dentro. Vida que virá cercada de muito amor, de muito carinho, de muita alegria. E que é uma prova de que quando tem que acontecer, nada consegue impedir.
Viviani Alves Bispo, paulistana, 35 anos, casada com Wagner Bispo, de 28 anos, ambos aguardando a chegada do Diego.

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