Bullying na escola: cuidado!
Da Redação 29/02/2012
Esse termo ultimamente tem se tornado bem mais popular. Afinal, é praticamente impossível nunca ter ouvido falar de alguém que tenha sofrido violência física ou psicológica na escola, ou mesmo que tenha vivido por experiência própria. Tudo pode começar com apelidos nada agradáveis, piadinhas, perseguição, discriminação, e evoluir até as agressões físicas. Pois é, criança também pode ser (muito) cruel. A impressão que temos ao ouvir o noticiário é de que a situação piora a cada dia. Fernanda Canavêz, psicóloga e doutoranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, orienta como identificar e como lidar com o chamado bullying no ambiente escolar.
É preciso aceitar as diferenças
“O termo bullying é proveniente da palavra em inglês bully, que pode ser traduzida como tirano, “valentão”. Trata-se de um conjunto de comportamentos agressivos e repetitivos, físicos ou psicológicos, cometidos geralmente sem que a vítima consiga se defender”, explica Fernanda. Ou seja, são atos de violência que ocorrem na escola, repetidamente, contra algumas pessoas, que podem ser discriminação, perseguição, exclusão, piadas pejorativas e até mesmo a agressão física. “Em última instância, esses atos de violência refletem a dificuldade de lidar com as diferenças”, ela diz.
“Apesar de esse fenômeno não ser novidade entre os alunos, as novas configurações desse tipo de violência têm atraído olhares atentos de diversos setores da sociedade, especialmente pelo fato de o bullying ser designado como uma das causas determinantes de tragédias que provocam a comoção popular. É o que atestam a ocorrida no ano de 1999 no Instituto Columbine, Estados Unidos, e, mais recentemente, o tão comentado episódio da escola Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro”, comenta a psicóloga.
Preste atenção nos detalhes
Crianças e adolescentes podem sinalizar de diversas formas que algo não vai bem na escola. Observe, principalmente, se seu filho apresenta sinais como desânimo para ir à aula, atitude de isolamento que comprometa a vida social ou queda no rendimento escolar sem motivo aparente.
Além disso, com a melhor das intenções podemos contribuir para esse quadro. É verdade. Excesso de cobrança pode acirrar a competitividade entre os alunos, resultando em atitudes de exclusão.
“A escola apenas reflete as exigências que a sociedade impõe a todos nós, exigências para as quais devemos olhar com senso crítico”, diz a especialista. Nós, como pais, devemos estar atentos às cobranças exageradas e expectativas praticamente impossíveis de serem respondidas, que muitas vezes depositamos nos filhos.
Ouça o que ele tem a dizer
A primeira coisa a fazer é conversar com seu filho. Mostre que você se importa com ele, que se preocupa com sua felicidade, estabeleça um ambiente de confiança e ouça atentamente o que ele tem a dizer, sem menosprezar suas queixas. Se for constatada a gravidade da situação, converse com os professores e pedagogos sobre o caso. “Além disso, alguns estados brasileiros já sancionaram leis que obrigam a notificação de casos de violência escolar à autoridade policial e ao Conselho Tutelar por parte de estabelecimentos de ensino e de saúde”, informa Fernanda. “Mas é preciso que haja bom senso na hora de fazer as notificações para que não fiquemos reféns de um clima de paranoia generalizada e dependentes dessas autoridades para resolver qualquer tipo de conflito que se instaure na escola”, completa a psicóloga.
Ficam sequelas?
É claro que, como tudo o que ocorre na infância, o bullying não vai passar em branco. Mas isso não significa que a criança será um adulto mais tímido, problemático ou violento no futuro. A psicóloga explica que tudo dependerá de como a criança vai elaborar os fatos na sua cabeça e do suporte que teve na ocasião em que tudo ocorreu. Fique ligada!
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