Mitos e verdades na dieta dos pequenos
Da Redação 26/07/2011
Até quem não é mãe de primeira viagem tem dúvidas sobre o momento certo de oferecer peixe, gema de ovo ou frutas com casca ao filho e sobre quando aproveitar a praticidade do macarrão instantâneo e do biscoito enriquecido com vitaminas e minerais. Para tirar a limpo, levantamos as perguntas mais frequentes nos consultórios e as especialistas Patrícia Ramos (coordenadora do serviço de Nutrição e Gastronomia do Hospital Bandeirantes, em São Paulo) e Adriana Kobayashi (Equilibrium Consultoria Nutricional, em São Paulo) respondem:
P. Acho que o meu leite não mata a sede do meu filho de quatro meses. Posso oferecer água filtrada para ele?
R. Não. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o leite materno supre todas as necessidades do recém-nascido e deve ser exclusivo até ele completar seis meses. Além disso, o alimento fornece anticorpos, glóbulos brancos e proteínas que atrapalham o crescimento de micro-organismos, o que previne doenças e infecções no pequeno.
P. Devo insistir se o meu filho rejeitar algum alimento?
R. Com certeza. Os especialistas dizem que é um erro os pais afirmarem que a criança não gosta de um legume, por exemplo, sem antes oferecê-lo de oito a dez vezes. Para facilitar a aceitação e estimular o baixinho a provar cheiros, cores e consistências diferentes, dê um intervalo de uma semana entre uma experimentação e outra e varie as receitas.
P. Estou desconfiada de que o meu leite é fraco. Devo complementar a mamada com leite em pó?
R. Definitivamente, não existe leite fraco. O que pode acontecer é o bebê querer mais leite do que você está produzindo. Nesse caso, reduza os intervalos entre as mamadas ou deixe que ele mame por mais tempo.
P. Posso incluir o abacate no rodízio de frutas do meu filho de oito meses?
R. Sim, a fruta é rica em substâncias antioxidantes e gordura monoinsaturada, que aumenta o colesterol bom (HDL) e protege o coração. Uma dica: o abacate pode ‘soltar’ o intestino de algumas crianças, por isso, nas primeiras vezes, ofereça-o apenas uma vez por semana e sem açúcar.
P. Quando a gema do ovo pode fazer parte da dieta da minha filha?
R. O alimento pode ser oferecido a partir do sexto mês de vida da criança. “No começo, acrescente à sopa ou à papinha apenas ¼ da gema e observe as reações do organismo dela. Caso aceite bem, aumente para ½ gema até chegar a uma gema inteira”, ensina. Quanto à clara, ela só deve fazer parte do cardápio da criança depois do aniversário de um ano, por causa do alto risco de causar uma reação alérgica.
P. É verdade que os bebês não sentem o sabor dos alimentos?
R. Mentira. Eles já nascem com papilas gustativas, responsáveis por captar o gosto dos alimentos – alguns estudos sugerem que o doce é o sabor que mais agrada os pequenos e que o salgado só é percebido após o quarto mês de vida. Por isso, na hora da papinha não dispense os temperos, especialmente os mais leves, como cebola, cebolinha, alho, salsinha e uma pitada de sal.
P. Crianças podem comer macarrão instantâneo?
R. O alimento não está na lista dos itens proibidos, mas deve ser evitado sempre que possível. A explicação está no tempero, que é rico em sódio, mineral que pode sobrecarregar os rins dos bebês.
P. Os bebês têm mais chance de ter alergia com corantes?
R. Não existe nenhuma comprovação científica sobre isso, mas é sempre bom evitar os excessos e suspender o consumo do alimento, além de procurar um pediatra, assim que notar alguma reação diferente do nenê.
P. Por que os peixes só podem ser consumidos depois de um ano de idade?
R. O problema está no alto risco alergênico. Mas, assim que ele completar um ano, não deixe de oferecê-lo ao baixinho, alternando com a carne vermelha e a de frango. O peixe é rico em ômega-3, um tipo de gordura saudável que atua no desenvolvimento cerebral, reduz o risco de doenças cardíacas, evita o acúmulo de gordura nas artérias e ameniza os problemas do sono, já que participa na regeneração das células nervosas.
P. Vale a pena comprar biscoitos enriquecidos com vitaminas e minerais?
R. Sim, mas o consumo deve ser moderado, principalmente se o produto apresentar grande quantidade de açúcar ou sódio.
P. Leguminosas provocam gases nos bebês?
R. Não há dados que comprovem que a turma do feijão, do grão-de-bico e da ervilha seja responsável pela formação de gases. Porém, como o sistema gastrointestinal do bebê está em fase de adaptação aos alimentos, as reações são imprevisíveis. Para não correr o risco de ele ter cólica, a sugestão é oferecer uma porção por dia e observar os efeitos. Outra boa alternativa é usar apenas o caldo das leguminosas.
P. Ouvi dizer que brócolis, couve-manteiga, repolho, couve-de-bruxelas e couve-flor só devem ser introduzidos na dieta do meu filho depois dos noves meses. É isso mesmo?
R. Sim, a explicação é que esses alimentos podem causar flatulência e desconfortos nas crianças. Até lá, vá de folhas com sabor mais adocicado, como acelga e alface, e as ofereça sempre bem picadas e cozidas – cruas, somente depois do primeiro ano de vida.
P. Meu filho de sete meses já pode comer maçã com casca?
R. Sim. Na verdade, as cascas das frutas estão liberadas a partir dos seis meses de vida. Elas são ótimas fontes de fibras, porém, devem ser lavadas em água corrente, de preferência com o auxílio de uma escovinha, e cortadas em pedaços pequenos.
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