Fast-food: fique de olho neste vilão!
Da Redação 07/02/2012
Hambúrguer, batata frita, biscoito recheado e refrigerante. Não é novidade que alimentos como esses (conhecidos como fast-food) são grandes vilões para a saúde de qualquer um, especialmente na adolescência. O sabor e a praticidade associados a esse tipo de alimento, que é sempre muito calórico, o tornam uma tentação irresistível. Não é à toa que o número de adolescentes obesos no planeta só tem aumentado.
De acordo com uma pesquisa feita pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com 8.020 estudantes na faixa de 10 a 15 anos na Grande São Paulo, um em cada quatro adolescentes está acima do peso. A causa principal é o consumo exagerado de comidas altamente calóricas aliado ao sedentarismo.
Além do problema de sobrepeso, esses adolescentes correm o risco de desenvolver sérios problemas no futuro. Afinal, alimentar-se à base de frituras e gorduras e deixar de lado alimentos saudáveis como verduras e frutas acaba por criar uma geração de fortes candidatos a doenças cardíacas, metabólicas e alguns tipos de câncer.
É durante a adolescência que temos uma necessidade nutricional maior, devido ao crescimento e à puberdade. E é nessa idade também que a reposição de nutrientes com uma dieta adequada passa a ter grande importância para prevenir doenças. Porém, é justamente durante essa fase que se costuma iniciar os abusos alimentares. Motivo: não há mais tanto controle dos pais, e comer fora, claro, passa a ser mais comum.
Para esclarecer pontos cruciais, listar o papel dos pais e da escola em como conscientizar os adolescentes sobre a alimentação adequada, entrevistamos duas especialistas no assunto, Patrícia Teófilo Monteagudo (endocrinologista e professora doutora da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo) e Lara Natacci (nutricionista mestre em Ciências pela Usp – Universidade de São Paulo). Confira:
P: Quais os principais riscos de se consumir fast-food?
R: O fast-food tem uma comida rica em gordura e pobre em carboidrato. Você come, sai satisfeito e, logo depois, já está com fome de novo. Esse tipo de alimento é altamente calórico e não muito nutriente. O conceito fast de comer também não é muito indicado porque, muitas vezes, você não percebe o que está comendo. Nós pedimos para os adolescentes evitarem esse tipo de alimento. E, se comer o sanduíche, não pedir a batata. Tentar substituí-la por uma salada. Engordar é fácil, mas perder peso e mantê-lo é mais difícil, por isso, o fast-food não deve fazer parte da rotina. Dietas pobres em fibras e ricas em gordura e carboidrato mostram que esse tipo de alimento contribui para o surgimento de doenças cardíacas.
P: Como os pais devem proceder para que seus filhos da geração chamada de “coca-cola” não se tornem obesos?
R: Podem orientar os filhos e desestimular esse hábito alimentar, proporcionando uma rotina saudável em casa. Uma dieta sem muita massa e sem frituras, mas com muitas frutas e verduras, ajuda a manter um padrão alimentar bom no dia a dia.
Desestimular também o ato de comer fazendo outra coisa, porque você come mais quando está na frente da televisão ou no cinema. O ato de comer tem que ser isolado. O cérebro está concentrado em outra coisa, e perde o controle de saciedade. Esse é um hábito que os pais devem desestimular nos filhos.
Outra coisa que os pais fazem com seus filhos desde pequenos é levá-los a um fast-food, comprar o lanche só por causa do brinquedinho que vem junto e obrigá-los a comerem tudo, já que pagaram por ele.
P: Quais são os maiores riscos de se alimentar à base de fast-food na adolescência?
R: Obesidade, aumento do colesterol e dos triglicérides, resistência à insulina e diabetes do tipo II. O desenvolvimento destas condições depende também do fator genético e da frequência do consumo destes alimentos.
P: Qual é o consumo semanal de fast-food tolerável para um adolescente?
R: Se a alimentação durante toda a semana for bem-balanceada e ele praticar atividades físicas regulares, não fará mal consumir uma vez por semana ou a cada 15 dias.
P: Como os pais devem agir para evitar o sobrepeso nos filhos?
R: Em primeiro lugar devem dar o exemplo: se os pais não tiverem uma alimentação balanceada não poderão exigir isso dos filhos. Disponibilizar alimentos saudáveis para o consumo, estimular atividades físicas e proporcionar momentos de lazer, que não envolvam comida e sim muita movimentação. Enfatizar sempre o positivo, ou seja, comemorar os progressos, ao invés de enfatizar o “proibido”.
P: Qual o papel da escola na educação alimentar?
R: Vemos muita falta de comprometimento das escolas com o padrão alimentar das crianças, estimuladas a comer em lanchonetes em que quase não encontramos frutas cortadas e alimentos saudáveis, às vezes até mais caros quando vendidos. Muitos pais falam que os filhos têm que ter escolhas, mas o ideal é que nas escolas não seja oferecida uma comida de má qualidade. Cheguei a ver uma grande escola de classe média alta de São Paulo em que a nutricionista preparava o prato teen com uma montanha de arroz e carne.
Uma educação em casa vai repercutir e pressionar as escolas para que ofereçam uma alimentação mais saudável. A cantina da escola deveria ser uma coadjuvante da educação, e não uma fonte de lucro para a escola.
P: Qual os malefícios do sobrepeso provocado por fast-food?
R: Muitos adolescentes estão tendo doenças de velhos, como a arteriosclerose. Jovens com menos de 30 anos e sedentários desde cedo também estão desenvolvendo doenças cardiovasculares, como infarto e derrame.
P: Quais as possibilidades para se comer em um fast-food sem cair no prejudicial?
R: Muitos fast-foods hoje em dia oferecem opções saudáveis, como frutas e até saladas. Além disso, convém evitar excesso de frituras e refrigerantes. E se consumir um sanduíche, evite a sobremesa.
Dica para a rotina diária:
- O livro lançado nos Estados Unidos Eat Fresh Food: Awesome Recipes for Teen Chefs (Coma Alimentos Frescos: Receitas Legais para Chefs Adolescentes), da chef Rozanne Gold em colaboração com Helen Kimmel, traz ótimas opções de receitas alternativas e mais saudáveis de pratos como pizzas, sanduíches e outras guloseimas. As receitas são elaboradas pela chef junto com cinco cozinheiros adolescentes. Veja algumas dicas deliciosas para substituir certos alimentos:
Alimentos e Trocas
Leite Integral por Derivados Leite Desnatado
Açúcar por Adoçantes e Produtos Dietéticos
Frituras por Assados ou Grelhados
Gorduras - Deve-se evitar!
Refrigerantes por Zero ou Light
Pão e Massas por Produtos Integrais
Pão Bola por Pão Integral
Queijo Amarelo por Queijo Branco
Presunto por Presunto Light
Carne de Hambúrguer por Frango Assado ou Grelhado
Receitas:
Hamburgão:
Ingredientes
500g de carne moída
1 cebola grande ralada
2 dentes de alho amassados
2 colheres (sopa) de cheiro-verde picado
sal a gosto
Molho de Tomate:
500g de tomate maduro
2 cebolas médias
5 dentes de alho
2 folhas de louro
sal a gosto
1 colher (sopa) de manjericão picado
Modo de preparo:
Tempere a carne com a cebola, o cheiro-verde e o sal. Divida a carne em 5 partes e, de cada uma, forme um hambúrguer grande. Coloque-os um ao lado do outro em um pirex untado com margarina light, cubra com papel alumínio e leve ao forno preaquecido a 180ºC para assar por 10 minutos, ou até que estejam no ponto. Retire o papel alumínio e deixe no forno por mais 5 a 10 minutos para dourar. Cubra com o molho de tomate, polvilhe com o orégano e leve ao forno por mais 5 minutos.
Para o molho de Tomate:
Corte o tomate em pequenos pedaços e coloque-o em uma panela. Junte a cebola, o alho, o louro, misture bem e cozinhe em fogo brando por 20 minutos.
Brigadeiro Diet:
Ingredientes
30 colheres de sopa de leite em pó desnatado
3 copos (600 ml) de água
5 colheres de chá de margarina light
10 colheres de chá de cacau em pó
1 envelope (30g) de pudim de chocolate diet
3 colheres de sopa de adoçante em pó
Modo de Preparo
Dissolver o leite em pó na água e deixar na geladeira por 12 horas. Depois, juntar a margarina, o cacau, o pó de pudim e o adoçante, e bater no liquidificador. Levar ao fogo e mexer até descolar da panela. Deixar esfriar, fazer os brigadeiros e passar no cacau em pó.
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