Jovens equilibrados x dor de cabeça
Por Dr. Ricardo Teixeira 09/12/2010Cefaleia nada mais é que o termo técnico para a tão popular dor de cabeça. Esse sintoma tão recorrente pode ter inúmeras causas, desde as mais comuns, como a cefaleia do tipo tensional e a enxaqueca, até causas bem incomuns, como doenças neurológicas que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar.
A Sociedade Internacional de Cefaleia classifica esse problema em mais de 150 tipos, e estima-se que cerca de 60% dos homens e 75% das mulheres apresentem pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. A dor de cabeça chamada atualmente de cefaleia do tipo tensional já teve diferentes nomes, como cefaleia por contração muscular, cefaleia do estresse e cefaleia psicogênica. Essa multiplicidade de nomes reflete em parte os diferentes critérios diagnósticos utilizados ao longo dos anos e as diferentes formas de entender a causa desse tipo de dor de cabeça.
Os jovens também têm
É difícil dizer o quanto a cefaleia do tipo tensional faz parte da vida de crianças e adolescentes, já que são heterogêneos os resultados de estudos epidemiológicos, mas chegam a mostrar uma prevalência que vai de 10% a 80%. No Brasil, um recente estudo epidemiológico envolvendo adultos das cinco regiões geográficas constatou uma prevalência de cefaleia do tipo tensional de 13%, um pouco maior entre os homens (15.4%) em relação às mulheres (9.5%) (Queiroz et al., Headache 2010). Chamou a atenção o fato de que os jovens na faixa etária entre 18 e 29 anos eram os que apresentavam o diagnóstico com maior prevalência.
As crianças costumam apresentar crises de cefaleia do tipo tensional já por volta dos sete anos, que costumam durar cerca de duas horas, e usam medicações para dor em média uma vez por mês.
Cuidado com maus hábitos!
Uma pesquisa recentemente publicada pelo periódico oficial da Academia Americana de Neurologia (Robberstad et al., Neurology 2010) confirmou aquilo que o bom senso já indicava: adolescentes com hábitos de vida pouco saudáveis têm mais dores de cabeça, incluindo a cefaleia do tipo tensional. Os resultados mostraram que sedentarismo, sobrepeso e tabagismo estavam associados de forma independente à frequência de dor de cabeça experimentada pelos adolescentes. Além disso, esses fatores tinham efeito aditivo: os que apresentavam dois ou três fatores tinham mais dor de cabeça do que aqueles que possuíam apenas um deles.
Já é bem reconhecido que o estresse emocional é um dos fatores que mais desencadeiam crises de dor de cabeça e, de forma geral, qualquer atitude que promove um melhor estado de equilíbrio do corpo e da mente ajuda a evitar crises. Um sono regular deve fazer parte desta receita, e os pais podem ajudar muito quando impõem limites no tempo de exposição dos filhos às mídias eletrônicas.
Para as crianças, brincar é fundamental. A rotina de miniexecutivos que muitas delas enfrentam com seus múltiplos cursos não combina muito com um dia a dia sem dor de cabeça. O mesmo pode-se dizer da pressão psicológica que um adolescente vivencia para ter um resultado de sucesso no vestibular, que, muitas vezes, já começa anos antes do início das provas.
Ricardo Teixeira é Doutor em Neurologia pela Unicamp. Atualmente, dirige o Instituto do Cérebro de Brasília (ICB) e é o titular do Blog "ConsCiência no Dia-a-Dia".
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
NÃO TOME MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO. PODE SER
EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.
- Leia também
- 22/11/2011: Por que tanta gente tem enxaqueca?
- 18/10/2011: Enxaqueca tem cura?
- 10/03/2011: Mitos e verdades do derrame cerebral
voltar