Dr.  Ricardo Teixeira saude

A felicidade faz bem à saúde e contagia!

Por Dr. Ricardo Teixeira 21/07/2010

O estado de felicidade está associado a diversos aspectos do bem estar: saúde orgânica e mental, relação familiar, rede social e, há de se considerar também, dimensão espiritual. Uma série de estudos tem demonstrado que o estado de felicidade do indivíduo está relacionado a uma série de indicadores fisiológicos e de saúde, como menor mortalidade; baixos índices de marcadores hormonais, inflamatórios e do ritmo cardíaco associados ao estresse.

Um estudo recentemente publicado pelo British Medical Journal confirma que nosso estado de felicidade depende das pessoas com as quais estamos conectados. A pesquisa foi desenvolvida com quase 5 mil pessoas do grupo Framingham e que foram acompanhadas por décadas.

A análise da rede social dos indivíduos envolvidos no estudo revelou que há uma tendência de pessoas felizes estarem no centro de suas redes sociais, formando aglomerados de pessoas. Além disso, ao longo do tempo, as pessoas ficaram mais felizes quando passaram a ser cercadas por pessoas com alto grau de felicidade. Um amigo feliz que mora por perto (menos de 2 km) aumenta nossa chance de sermos felizes em 25%; irmãos felizes por perto em 14%, e vizinhos em 34%.

De acordo com o estudo, esse efeito contagioso diminui com o tempo e também com a distância entre as pessoas e não foi percebido entre colegas de trabalho. A felicidade de uma pessoa esteve associada à dos outros em até três graus de sua rede social (ex: “amigo do amigo do amigo”). Esse contágio do comportamento em três graus parece ser uma regra genérica, já que os mesmos pesquisadores recentemente o demonstraram também em outros padrões de comportamento como o tabagismo e a obesidade.

E qual seria a explicação para isso? O estado de felicidade pode ser visto como um mecanismo que facilita as relações sociais ao promover sentimentos prazerosos nos outros.

O estudo é relevante do ponto de vista de saúde pública já que sugere que intervenções com potencial de aumentar a felicidade das pessoas (ex: melhoria do estado de saúde) pode provocar resultados positivos em cadeia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem reconhecido cada vez mais e com maior ênfase que a felicidade é um dos componentes da saúde. Se ela é mesmo contagiosa como a pesquisa sugere, pode contribuir também para a transmissão social da saúde.  

Ricardo Teixeira é Doutor em Neurologia pela Unicamp. Atualmente, dirige o Instituto do Cérebro de Brasília (ICB) e dedica-se ao jornalismo científico. É também titular do Blog "ConsCiência no Dia-a-Dia".

 


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