Dr.  Ricardo Teixeira saude

AVC: as mulheres devem ter mais cautela

Por Dr. Ricardo Teixeira 18/07/2012

O derrame cerebral é mais comum entre os idosos, mas tem acometido cada vez mais os jovens. Uma pesquisa realizada em Porto Alegre e Salvador revelou que 7,5% dos pacientes internados por AVC têm menos de 45 anos.

Não podemos dizer de forma inequívoca que as mulheres jovens sejam mais suscetíveis, já que os estudos que examinaram essa questão são conflitantes. Entretanto, elas têm alguns fatores de risco para derrame cerebral que os homens não têm, e outros que elas apresentam de forma bem mais frequente.  

Pílula anticoncepcional. Já é bem reconhecido que o risco de AVC é maior entre mulheres que fazem uso de pílula anticoncepcional e que esse risco é proporcional à concentração dos hormônios, especialmente o estradiol. O efeito da pílula sobre a chance de AVC também é maior entre mulheres com mais de 35 anos e naquelas com outros fatores de risco vascular, como hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, tabagismo, enxaqueca com aura e algumas condições genéticas.

Gravidez. O terceiro trimestre da gravidez e o puerpério são períodos em que a mulher tem mais chance de apresentar eventos vasculares, incluindo o derrame cerebral. As mudanças hormonais, na circulação e coagulação sanguínea podem responder por esse maior risco.

Enxaqueca com aura. Cerca de 25% das pessoas que sofrem de enxaqueca também apresentam sintomas que precedem as crises de dor de cabeça, como flashes visuais e formigamento de um lado do corpo. A esses sintomas dá-se o nome de aura, e há inúmeras evidências de que a enxaqueca com aura aumenta a chance de derrame cerebral, que é ainda maior quando outros fatores de risco estão presentes. Vale lembrar que as mulheres apresentam esse quadro três vezes mais que os homens.

A relação entre a enxaqueca e o derrame cerebral envolve uma complexa interação de particularidades do cérebro, vasos sanguíneos, coagulação e até mesmo do coração. Os derrames costumam ocorrer mais nas regiões posteriores do cérebro e nos enxaquecosos com crises mais frequentes. O risco é maior ainda quando existem outros fatores envolvidos, como uso de pílula anticoncepcional, dislipidemia, hipertensão arterial e obesidade.


As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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