Dr. Waldemir Rezende saude

Sexualidade em cheque

Por Dr. Waldemir Rezende 06/07/2011
Os assuntos relacionados a quaisquer dificuldades durante as relações sexuais, em geral, permanecem “selados” em quatro paredes e, eventualmente, são comentados com os profissionais da Saúde, que, frequentemente, não estão preparados para discutir sobre o tema.

Dentre esses problemas, mencionamos a falta de interesse pela atividade sexual ou dificuldade para excitação ou orgasmo. Havendo motivo aparente, ocasional e evidente, é de fácil identificação e correção, como a presença de visitas ou crianças nas proximidades do ambiente.

Entretanto, havendo persistência ou prolongamento do fato sem adaptação ou solução conveniente, a situação pode ocasionar frustração e mal-estar para o casal. 
Nessa condição, parece conveniente entender as fases da resposta sexual (desejo, excitação e orgasmo) para melhor entender as dificuldades e os problemas observados e fatores causais respectivos.

O sexo e suas fases

Durante as preliminares da relação sexual, o desejo determina a elaboração de fantasias sobre a atividade sexual e estabelece padrões de excitação, com as sensações de prazer e respostas fisiológicas especificas (ereção peniana e clitoridiana associada a aumento da lubrificação genital), seguidos do orgasmo – o clímax do prazer sexual exteriorizado –, pela contração rítmica de músculos e dos órgãos reprodutores masculinos (ejaculação) e feminino (contração dos músculos vaginais).

A presença de sensações dolorosas durante a relação sexual pode, isoladamente, inibir a resposta da excitação em ambos os sexos, considerando-se o padrão sexual habitual (excluindo-se masoquismo e sadismo!).

No homem, a perturbação do desejo (hipoativo ou mesmo aversão sexual) exterioriza-se como disfunção eréctil e impotência ou ejaculação precoce. Na mulher, mais frequentemente ocorre desinteresse pela atividade sexual (falha na excitação), reduzindo-se a lubrificação vaginal, o que ocasiona dor e desconforto intenso durante a penetração (dispareunia), podendo conduzir a uma vigorosa contração da musculatura vaginal e evoluindo para uma síndrome de aversão sexual cujo sintoma mais evidente é o vaginismo, condição que impede a penetração.

Sexo e os problemas

Sem entrarmos em detalhes, mencionaremos fatores que influenciam os problemas sexuais, de origem biológica ou psicossocial, que frequentemente atuam em conjunto ou amplificam o efeito de um fator sobre o outro.

Os fatores biológicos incluem o diabetes e doenças circulatórias correlatas, agravados pelo tabagismo, assim como a hipertensão arterial e alguns medicamentos anti-hipertensivos, que influenciam negativamente no desempenho sexual. Converse com seu médico a esse respeito.

O abuso de álcool pode associar-se a menores níveis de desejo ou à impotência no homem, atuando como causa ou efeito, e nas mulheres relaciona-se à dificuldade para alcançar o orgasmo ou à sua intensidade reduzida.
Em ambos os sexos o álcool contribui para disfunções sexuais pela deterioração das relações interpessoais. 

Mais frequentemente, as perturbações do humor como depressão, ansiedade e, principalmente, a preocupação com o seu “desempenho” na relação física podem impedir a excitação adequada e contribuir para a disfunção eréctil.
O auxílio do psicanalista ou psicólogo especializado é necessário em caso de pensamentos negativos que interferem na capacidade da excitação, além de concepções equivocadas sobre a atividade, interferindo inadequadamente com a vida sexual saudável. 

Finalmente, eventuais dificuldades de relacionamento do casal, sejam elas de origem afetiva, financeira, familiar ou ambiental, podem ocasionar um distanciamento crescente no relacionamento físico, neutralizando qualquer uma das fases da resposta sexual normal.

Não havendo identificação dos fatores negativos e correção destes, a persistência dos problemas sexuais ocasiona frustração, sofrimento e tensão, agravando o ciclo relacionado ao desejo e à resposta sexual. Parece-nos que é mais importante solucionar as dificuldades relacionais para que sejam compreendidos os problemas sexuais eventualmente persistentes. 

Diálogo sempre!

Cabe lembrar a importância do relacionamento franco, sincero e eficaz com os seus parceiros, evitando ressentimentos, mitos ou quaisquer emoções negativas, compartilhando dúvidas, sensações e inseguranças potencialmente capazes de interferir na vida sexual do casal. 

Sempre que possível, analise mecanismos ou gestos capazes de intensificar a atração física, essencial para ultrapassar obstáculos no relacionamento sexual saudável. 

Em resumo, trabalhe corpo, mente e ambiente, elabore uma lista selecionando condições prazerosas (perfumes, lingerie, música), estabeleça a melhor hora, o estado de espírito ideal do casal, intensifique pensamentos positivos e mantenha abertos os canais de comunicação.

Importante também é lembrar que o funcionamento sexual não é um processo automático e intuitivo, sendo indispensável o autoconhecimento e o entendimento do parceiro.  

- The Student Counseling Virtual Pamphlet Collection, http://counseling.uchicago.ed/vpc/

- Wincze, J. P., Bach, A. K., & Barlow, D. H. (2008). Sexual Dysfuntion. In D. Barlow (Eds.), Clinical handbook of psychological disorders: A step-by-step treatment manual (pp. 615-661). NY: The Guilford Press.

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- Montejo, A.L.; Majadas, S.; RicoVillademoros, F.; LLorca, G.; delaGandara, J.; Franco, M.; MartinCarrasco, M.; Aguera, L.; Prieto, N.

- Vol. 7 Nro. 10 Página: 3404 - 3413 Fecha de publicación: 1/10/2010

- Mental - and Physical-Health Indicators and Sexually Explicit Media Use Behavior by Adults.

- James B. Weaver, III, Stephanie Sargent Weaver, Darren Mays, Gary L. Hopkins, Wendi Kannenberg and Duane McBride Vol. 8 Nro. 3 Página: 764 - 772 Fecha de publicación: 1/3/2011.

Waldemir Rezende é médico, doutorado em medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É coordenador do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Santa Catarina de São Paulo e diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar. 

As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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