O câncer de mama e a cirurgia oncoplástica
Por Dr. Waldemir Rezende 03/08/2010O câncer de mama afeta um grande número de mulheres em todo o país e ainda, infelizmente, pela demora no diagnóstico e tratamento, ocasiona quase 20% das mortes entre as mulheres brasileiras.
O aumento de casos em mulheres mais jovens relaciona-se com a menarca precoce, obesidade, sedentarismo, estresse, retardo na gravidez e amamentação, além de fatores ambientais, não identificados com exatidão.
Os exames ginecológicos de rotina, o auto-exame, a ultra-sonografia de mamas e a mamografia são os aliados disponíveis para a detecção e desejado tratamento precoce da doença, fatores indispensáveis para maior chances de cura.
O desenvolvimento e aprimoramento do tratamento oncológico (do câncer) associado à correção estética da agressão cirúrgica (Cirurgia oncoplástica) representa uma das maiores conquistas no tratamento dessa doença.
Os quimioterápicos, as novas técnicas de cirurgia e de radioterapia, trouxeram novas esperanças para as mulheres nessa luta contra o câncer de mama.
O tratamento moderno do câncer de mama envolve e integra equipes de várias especialidades, instituindo um verdadeiro plano de vôo, com garantia de uma decolagem e aterrissagem perfeitas, com roteiro individualizado e personalizado.
Nesses termos, a equipe propõe alternativas de tratamento capazes de respeitar os princípios oncológicos de máxima radicalidade possível (extirpar o câncer) associado ao tratamento sistêmico da doença (destruir células tumorais antes de sua implantação).
Pois bem, podemos afirmar, categoricamente, que o câncer de mama somente provoca a morte quando afeta órgãos vitais como, por exemplo, cérebro, pulmão e fígado. De que vale sacrificar a mama sem destruir eventuais células cancerígenas em circulação?
Entendemos que o diagnóstico precoce e o tratamento sistêmico (quimioterapia) podem obter o domínio da doença e permitem a escolha da melhor proposta de tratamento cirúrgico. As opções podem ser oferecidas pelo mastologista, obviamente amparado pelo oncologista, cirurgião plástico, e especialistas responsáveis pelos tratamentos complementares utilizando os profissionais atuantes em radioterapia, fisioterapia, nutrição e a indispensável psicologia de apoio.
Em tese, o tratamento envolve a remoção do tumor, identificado pelo exame físico ou métodos de imagem (ultra-sonografia, mamografia, tomografia, ressonância magnética) e deve impedir o crescimento de células, ainda não identificadas pelos métodos disponíveis, utilizando-se os recursos disponíveis, principalmente a quimioterapia, precedendo a cirurgia (quimioterapia neo-adjuvante), seguindo-se de hormônioterapia e radioterapia .
Quem sabe poderemos direcionar o tratamento do câncer de mama para condições em que se obtém melhoria das condições físicas e emocionais? Em suma, atendendo ao dito popular, vamos fazer do limão uma limonada. O trauma, ocasionado pelo diagnóstico da doença, deverá obter melhoria estética e psicológica, da paciente e de seus familiares.
O tratamento oncoplástico integral deverá expandir consideravelmente, norteado pelos avanços no tratamento sistêmico, nas práticas cirúrgicas conservadoras, linfadenectomia seletiva (linfonodo sentinela) e uso da radioterapia loco-regional.
O sistema de saúde deve facilitar a ação integrada dos profissionais para agilizar a recuperação e retorno á vida normal, com mínimo prejuízo estético e, na maioria dos casos, com melhoria na condição estética das mamas.
As terríveis deformidades causadas pela mastectomia são temas superados. A cirurgia oncoplástica e o tratamento sistêmico avançam em direção da cura radical, sem seqüelas.
As técnicas para ressecção da lesão, seguindo-se os princípios oncológicos e otimizando os resultados pela cirurgia na mama contra-lateral contribuem para melhoria do resultado final.
A mamoplastia redutora ou a mastectomia subcutânea, preservando-se a pele da mama e o mamilo podem representar uma excelente opção para obter resultados estéticos, superiores aos obtidos com as ressecções parciais. Sendo necessária a mastectomia radical, a reconstrução imediata com retalho mio-cutâneo do músculo abdominal, ou do grande dorsal, ou ainda, com o implante de próteses são indispensáveis, em respeito à ansiedade da paciente, inferindo em um impacto positivo na a qualidade de vida das mulheres.
Waldemir Rezende é médico, doutorado em medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É coordenador do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Santa Catarina de São Paulo e diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar.
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