Não consigo engravidar. O que faço?
Por Dr. Waldemir Rezende 07/11/2011As causas de infertilidade decorrem de fator feminino (40%), fator masculino (40%) ou associação dos dois fatores (20% dos casos). Mais raramente os fatores são múltiplos, exigindo perspicácia da equipe médica para estabelecer o correto diagnóstico e o respectivo tratamento, atentando-se para os aspectos psicológicos envolvidos.
Exemplificando a importância do fator emocional, podemos mencionar casos em que houve gravidez espontânea poucos meses após a adoção de um bebê!
Para “desestressar” alguns casais, vale lembrar que a gravidez espontânea ocorre em 85% dos casos após um ano de atividade sexual regular.
Como investigar as causas de infertilidade
O exame mais simples e inócuo inclui o espermograma, capaz de mensurar a fertilidade do parceiro, lembrando que 40% dos casos de infertilidade estão relacionados ao fator masculino. O espermograma deve ser realizado em laboratórios especializados analisando-se duas amostras de esperma, colhidas após ausência de relações sexuais por três a cinco dias.
A critério de seu médico, poderia ser avaliada a interação entre o muco cervical e o espermatozoide (teste pós-coito ou Sims-Hühner) ou, ainda, a análise imunológica do fluido seminal e do muco cervical, identificando eventual destruição de espermatozoides pelo muco cervical.
Havendo anormalidade no espermograma, o médico urologista deve realizar uma história clínica detalhada e um exame físico minucioso em busca de varizes na bolsa escrotal, infecções ocultas ou alterações nos órgãos genitais masculinos, de fácil acesso, permitindo esclarecer rapidamente a grande maioria das causas relacionadas ao homem.
A detecção de infecções (doenças sexualmente transmissíveis), traumas, inflamação do testículo (orquite), hérnias, varicocele, fimose, impotência, ejaculação precoce, malformações, exposição à radiação e a agentes químicos, ambiente de trabalho com temperatura elevada, prática de ciclismo, hipertensão arterial, diabete, alcoolismo, tabagismo, uso de drogas ou medicações deve ser analisada.
No caso das mulheres
A história de doenças sexualmente transmissíveis ou doença inflamatória pélvica, gestação ectópica, abortamento provocado, cirurgia uterina ou ovariana, apendicite complicada, infecção intestinal grave, uso do DIU, alterações do ciclo menstrual, secreção espontânea de leite (galactorreia) e outras doenças como diabete, hipertensão arterial, lúpus e outras doenças reumatológicas ou da tireoide podem exigir exames específicos.
Os problemas relacionados à eficiência da ovulação contribuem com 20% dos casos de infertilidade. Nessa condição é comum a queixa de ciclos menstruais irregulares, atrasos menstruais frequentes, períodos longos sem menstruação (amenorreia) e, por vezes, obesidade, contribuindo para dificuldades na ovulação.
Seu médico pode analisar os hormônios e a eficiência da ovulação, avaliando a secreção adequada de progesterona ou detectando baixos níveis, frequentemente relacionados a ciclos anovulatórios (ausência de ovulação). Nesse caso, uma ultrassonografia transvaginal avalia o tecido uterino (endométrio), que deverá receber o embrião, e confirma o desenvolvimento dos folículos e do corpo lúteo, esse último surgindo após liberação do óvulo pelo folículo ovariano (ovulação).
Após os 35 anos, para tornar a investigação mais eficiente, poderíamos pesquisar a reserva ovariana, ou seja, mensurar indiretamente a capacidade de fertilidade. Isso pode ser realizado dosando-se o FSH e o Estradiol entre o 3º e o 5º dia do ciclo, além dos níveis séricos do hormônio antimülleriano, a critério de seu médico.
No caso de história sugestiva de doenças sexualmente transmissíveis, endometriose e infecções abdominais, pode haver a obstrução do trajeto do óvulo nas trompas, condição relacionada a 30% dos casos de infertilidade.
A pesquisa de obstrução tubária pode ser realizada pela histerossalpingografia, método que exige o uso de contraste introduzido pelo colo do útero e que permite visualizar o trajeto a ser percorrido pelo óvulo e espermatozóide, até fixação do óvulo fecundado na cavidade uterina. Havendo cicatrizes (aderências) entre útero, ovários, trompas, intestinos e outras estruturas da cavidade abdominal, o contraste não é visualizado pela radiografia do abdome. Outras opções para essa avaliação, a critério de seu médico, incluem a histeroscopia, a histerossonografia e a videolaparoscopia.
A vídeo-histeroscopia representa método para o diagnóstico preciso das eventuais doenças encontradas na cavidade uterina e permite visualização da abertura das trompas (óstio tubáreo).
O emprego da videolaparoscopia permite a identificação das condições das trompas, sua relação com os ovários e órgãos adjacentes, além de “fechar” o diagnóstico de endometriose pélvica. Utilizando o azul de metileno, introduzido através do colo uterino durante a videolaparoscopia (cromotubagem), o médico visualiza com facilidade a trajetória do líquido pelas trompas.
A videolaparoscopia, apesar de método invasivo, é extremamente sensível e específica para o diagnóstico do fator tuboperitoneal (aderências entre as trompas e órgãos próximos), tendo sua indicação restrita a casos específicos.
Referências
Resolução CFM nº 1931/2009 – Código Ética Médica
Waldemir Rezende é médico, doutorado em medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É coordenador do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Santa Catarina de São Paulo e diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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