Formas de prevenção da gravidez
Por Dr. Waldemir Rezende 06/12/2011Pílulas com progestagênios
Contêm doses baixas de progestagênio e são conhecidas como “minipílulas”, ingeridas em comprimidos diariamente em mulheres em que há contraindicação para o uso de estrogênios ou durante a amamentação, considerando que não interferem na produção do leite, recomendando-se o início da pílula seis semanas após o parto.
Injetáveis mensais
Os injetáveis mensais contêm estrogênio natural, agindo com maior semelhança aos hormônios ovarianos mais fisiológicos do que os utilizados nas pílulas anticoncepcionais combinadas com menor efeito sobre a pressão arterial, coagulação, metabolismo das gorduras e função hepática.
Injetável trimestral
Os contraceptivos injetáveis contendo apenas progestagênios são preparações de liberação lenta com duração de três meses, e deve ser aplicada a cada 90 dias, profundamente, nos músculos deltoides ou glúteos. Após a interrupção, a ovulação retorna em no mínimo 14 semanas e no máximo em até 18 meses. Esse fato deve ser considerado no caso de o casal decidir programar uma gravidez!
Esse método pode ser usado em mulheres fumantes acima dos 35 anos, hipertensas, diabéticas, que apresentam doença cardíaca congênita, enxaqueca ou história prévia de tromboembolismo, pois não aumenta o risco de acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio ou tromboembolismo venoso.
Anel vaginal
Representa um método contraceptivo hormonal combinado em forma de anel colocado pela própria mulher sob orientação prévia do ginecologista. O anel deve ser colocado entre o primeiro e o quinto dia do ciclo menstrual, com a recomendação de se associar um método de barreira nos primeiros sete dias de uso (camisinha). Cada anel deve ser usado por um ciclo de 21 dias, e após uma pausa de sete dias um novo anel deverá ser colocado no mesmo horário em que foi utilizado o anterior.
Adesivo transdérmico
O mecanismo de ação é semelhante ao dos anticoncepcionais orais combinados, com vantagens relacionadas à comodidade de uso em comparação ao uso via oral; além de possuir níveis hormonais mais estáveis e ausência do metabolismo pelo fígado, reduzindo a interferência de outros medicamentos.
As mulheres com história de doença dermatológica ou pele sensível e mulheres obesas devem ser alertadas para a redução da eficácia do método. O adesivo deve ser aplicado sobre pele limpa e seca, conforme orientação médica, rodiziando a cada sete dias os locais de aplicação (abdome inferior, parte externa do braço, parte superior das nádegas, dorso superior) durante três semanas consecutivas para aguardar o sangramento menstrual ou fazer uso contínuo em algumas ocasiões especiais.
Dispositivo intrauterino (DIU)
O DIU apresenta-se como objeto sólido, inserido através do colo uterino na cavidade uterina, e dotado de cobre ou hormônio, com grande eficácia para contracepção.
O DIU não deve ser colocado em caso de infecção aguda, recente (dentro de três meses) ou recorrente (incluindo doenças sexualmente transmissíveis, infecção pós-parto ou pós-aborto e infecção no colo do útero não tratada – cervicite) e havendo defeitos na parede uterina (septos, pólipos ou miomas) pode haver risco de má colocação do dispositivo e risco de expulsão.
O DIU de cobre provoca mudanças bioquímicas e morfológicas no endométrio, além de produzir alterações no muco cervical que dificultam o deslocamento do espermatozoide. Os íons do cobre reduzem a motilidade espermática e sua capacidade de penetração no muco cervical, constituindo uma barreira para impedir a migração dos espermatozoides.
O DIU hormonal (Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel) coloca o hormônio atuando durante cinco anos, sem alterar a produção do estrogênio e mantendo a lubrificação vaginal normal.
Implantes contraceptivos
O uso da anticoncepção por implantes de silicone com progestagênio envolve a colocação desse dispositivo para liberação constante do hormônio, capaz de obter contracepção com doses diárias muito menores quando comparamos com seu uso por via oral ou injetável.
O método representa uma opção anticoncepcional para mulheres que apresentam contraindicações para métodos hormonais combinados e desejam proteção por longo prazo, e para mulheres com dismenorreia, potencialmente beneficiadas com o uso do implante.
O implante subdérmico mede 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro, deve ser inserido na face interna do braço não dominante, 6 a 8 cm acima do cotovelo, no sentido vertical, e libera o hormônio por mais de três anos.
A cefaleia e a dor mamária são efeitos colaterais comuns, mas aceitáveis por parte das pacientes. Entretanto, quando ocorre aumento de peso, acne, padrões de menstruação imprevisível ou labilidade emocional, tem sido frequente a solicitação para retirada do implante.
Anticoncepção de emergência
A contracepção de emergência inclui os métodos utilizados nos dias que seguem uma relação sexual desprotegida, com risco potencial de gestação indesejada. Recomenda-se que a primeira dose seja ingerida nas primeiras 12 horas ou, no máximo, 72 horas após a atividade sexual desprotegida.
O método não é abortivo! O mecanismo de ação inclui modificação do crescimento folicular, impedindo ou retardando a ovulação e, portanto, bloqueio ou adiamento da ovulação, impossibilitando o contato entre os gametas feminino e masculino.
Em caso de uso no dia da ovulação, o método impede a fecundação pela alteração do transporte dos espermatozoides e do óvulo, além de modificar o muco cervical, impedindo a migração dos espermatozoides e interferindo na capacidade de fecundar o óvulo (bloqueio da capacitação espermática).
Esse método não deve ser utilizado para substituir o contraceptivo de uso regular, pois pode ocasionar náuseas, vômitos, vertigem, cefaleia e mastalgia e irregularidade no ciclo menstrual.
Referências:
FHC -The Female Health Company [access in April 2011]. Home Page. Available in www.femalehealth.com
WHO -Medical eligibility criteria for contraceptive use -- 4th ed. 2009 pag.86.[acess in jun 2011] Available in URL: whqlibdoc.who.int/publications/2009/9789241563888_eng.pdf
ANTICONCEPCIONAIS e Eficácia respectiva, classificados pela Organização Mundial de Saúde (WHO Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 4th ed, 2009. Disponível em: http://whqlibdoc.who.int/publications/2009/9789241563888_eng.pdf.)
Glasier AF; Cameron ST; Fine PM; Logan SJ; Casale W; Van Horn J; Sogor L; Blithe DL; Scherrer B; Mathe H; Jaspart A; Ulmann A; Gainer E. Ulipristal acetate versus levonorgestrel for emergency contraception: a randomised non-
inferiority trial and meta-analysis. Lancet. 2010; 375(9714):555-62
FEBRASGO - Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Manual de Orientação em Anticoncepção – 2010 www.febrasgo.org.br
Waldemir Rezende é médico, doutorado em medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É coordenador do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Santa Catarina de São Paulo e diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar.
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