Exija o exame de sangue do parceiro
Por Dr. Waldemir Rezende 08/09/2010A grande maioria das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) não provoca nenhum sintoma para o homem ou para a mulher, mesmo que a contaminação tenha ocorrido há mais de 10 ou 20 anos. Somente exames específicos podem diagnosticar os portadores assintomáticos dessas doenças, permitindo o tratamento e evitando a contaminação do parceiro sexual.
O uso da camisinha representa uma proteção indispensável, principalmente em caso de relação sexual ocasional – que poderia ocorrer, por exemplo, em uma noite mais agitada, muitas vezes com uso de bebidas alcoólicas, capazes de reduzir o senso crítico e permitir abusos e perda do controle da situação.
Tenha esses conceitos em mente: mantenha-se treinada para antecipar problemas, deixe sempre uma camisinha à sua disposição e aprenda a ajudar o parceiro a utilizar adequadamente essa barreira. No dia seguinte, você vai gostar de lembrar-se dos bons momentos sem qualquer preocupação indesejada.
Entretanto, caso ocorra algum “acidente”, e isso pode ocorrer com qualquer pessoa, não tenha vergonha de procurar um serviço de saúde se tiver dúvidas ou quando a possibilidade de contaminação for relevante!
Exame de sangue na mão!
A maior prevenção, além do uso habitual do preservativo, seria uma prova de afeição extremamente desejável: exame de sangue negativo para essas doenças.
Os exames, oferecidos pela rede de saúde pública ou privada, são simples e baratos, e incluem sorologia para HIV, sífilis, hepatite B e C.
É importante mencionar que a gravidez representa uma condição de risco amplificado para doenças infecciosas, e o feto pode ser exposto a risco de aborto, infecção intrauterina, anomalias congênitas, rotura da bolsa amniótica com parto prematuro e outras complicações tardias, decorrentes da infecção materna. Mantenha-se alerta: em caso de novo parceiro durante a gravidez, proteja-se utilizando sempre camisinha, além de realizar os exames de rotina do pré-natal, conforme orientação médica.
Exercer a sexualidade, prazerosamente e sem medo, exige precauções e atitudes para evitar estresse nos meses seguintes ao descuido.
Tenha em mente que qualquer pessoa, aparentemente saudável, pode ser portadora de DST/AIDS. Informe-se, pense, exija os exames negativos do parceiro, não avance na relação sexual sem proteção máxima, previna-se sempre!
Havendo dúvidas, consulte seu médico ou visite os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), serviços de saúde governamentais com equipe treinada para aconselhamento, reforço de ações de prevenção, diagnóstico, apoio emocional e esclarecimento de dúvidas sobre DST (sífilis e hepatites B e C) e HIV/AIDS.
Essa infraestrutura pode ajudar você a avaliar momentos que a expõem a risco e quais as formas de aumentar a proteção e reduzir problemas indesejáveis.
Em resumo, você e seu parceiro podem realizar testes para essas doenças e obter esclarecimentos detalhados sobre os resultados dos exames. Em caso de exame positivo, os CTAs encaminham para tratamento nos serviços de referência.
Acesse a lista dos Centros de Testagem e Aconselhamento pelo link http://portal.saude.sp.gov.br/content/wupitreclu.mmp ou procure os presentes em seu estado, consultando http://www.aids.gov.br.
Havendo outras dúvidas você pode escrever para o e-mail cta@aids.gov.br e duvidasaids@crt.saude.sp.gov.br ou utilizar o disque DST/AIDS 0800 16 25 50.
Referências:
Souza, S. M; Codinha S; Cunha, E. The girl from the Church of the Sacrament: a case of congenital syphilis in XVIII century Lisbon. Mem. Inst. Oswaldo Cruz vol.101 suppl.2 Rio de Janeiro Dec. 2006
One to one interventions to reduce the transmission of sexually transmitted infections (STIs) including HIV, and to reduce the rate of under 18 conceptions, especially among vulnerable and at risk groups. 2007 Feb. NGC:005617
National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) - National Government Agency
Disponível em: http://www.guideline.gov/content.aspx?id=10789&search=sexually+transmitted+infections
Waldemir Rezende é médico, doutorado em medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É coordenador do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Santa Catarina de São Paulo e diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
NÃO TOME MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO. PODE SER
EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.
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