Como ter uma gravidez segura
Por Dr. Waldemir Rezende 06/07/2012A gravidez representa uma fase da vida da mulher em que todas as atenções e cuidados são direcionados para um final feliz: uma nova vida que surge do ventre materno!
O ideal seria que o preparo para uma futura gestação antecedesse a concepção, proporcionando cuidados essenciais em relação a alimentação, atividade física, hábitos de vida como abolir o tabaco, restringir o álcool e o café.
Seria ideal o diagnóstico e tratamento de quaisquer sintomas ou doenças antes da fecundação, preferindo-se medicamentos liberados durante a gravidez ou ponderando antecipadamente os riscos para o embrião e benefícios para a gestante.
Uma consulta médica pré-concepção permite o conhecimento de seu histórico pessoal e familiar, antecipando um exame físico detalhado, coleta do Papanicolau, identificação de corrimento vaginal e avaliação detalhada das mamas.
Exames complementares
Eles devem ser realizados conforme a faixa etária, fatores de risco, antecedentes pessoais e familiares, permitindo o diagnóstico e tratamento de doenças em fase assintomática ou pré-clínica, quando somente o exame médico ou testes específicos antecipariam os problemas e possibilitariam orientação detalhada.
Seria prudente revisar a imunidade materna contra agentes capazes de afetar o embrião e antecipar o uso de vacinas específicas. A imunidade adquirida protege a gestante e possibilita subsequente transmissão dos respectivos anticorpos para o feto durante os seis primeiros meses de vida (rubéola, tétano, difteria, hepatite A e B), obviamente reduzindo a preocupação com essas doenças durante a gravidez.
Atenção ao peso!
A constatação de sobrepeso (índice de massa corporal acima de 30 kg/m2) ou antecedentes familiares de diabetes determina orientação para ajustes na dieta e atividade física, evitando os riscos do diabetes gestacional.
Uma outra condição frequente relaciona-se com o aumento da pressão arterial durante a gravidez: a temida hipertensão arterial gestacional, com risco de pré-eclâmpsia (aumento progressivo da pressão arterial, inchaço e perda de proteínas na urina), condição que geralmente inicia-se na segunda metade da gravidez e causa sérios problemas quando não for detectada e controlada precocemente.
Entre os fatores de risco para esse aumento da pressão arterial durante a gravidez (hipertensão arterial gestacional ou a pré-eclâmpsia) podemos mencionar a idade materna superior a 40 anos, história pessoal ou familiar de pressão alta ou pré-eclâmpsia, sua primeira gravidez com o parceiro atual, índice de massa corporal superior a 35 kg/m2, o histórico de doença renal, doença autoimune (lúpus) ou em caso de gestação múltipla.
A pressão arterial elevada, o inchaço das mãos, pés, tornozelos e a presença de proteínas na urina merecem máxima atenção e cuidados.
Nessas condições, o ideal seria realizar avaliação pré-concepção, modificando hábitos indesejáveis (tabagismo, álcool, sedentarianismo, excesso de sal na alimentação), além de iniciar um programa com dieta e atividade física para reduzir o potencial risco do diabetes e hipertensão arterial durante a gravidez.
Na maioria dos casos, basta a ingestão de ácido fólico pelo menos 30 dias antes do início da tentativa de gravidez. Também é suficiente um adicional de 2,5 mg/dia de ácido fólico para previnir doenças no sistema nervoso central. Recomenda-se manter reservas adequadas de cálcio, vitaminas A e D, obtidos por meio de uma alimentação saudável e balanceada ou conforme indicação médica, utilizando-se de suplementos específicos, proporcionando maior segurança no conteúdo nutricional desejado e a certeza de uma gravidez saudável.
Rotinas no pré-natal
Nas consultas do pré-natal você recebe informações sobre o desenvolvimento do bebê, alimentos e hábitos saudáveis, cuidados com a nutrição, necessidade de vitaminas ou sais minerais, atividade física e informações sobre as maternidades, cursos de pré-natal, preparação para amamentação, além dos exames de rotina.
Em cada consulta, pela anamnese, quando você relata seus sintomas e condições na rotina diária, o obstetra pode orientar quanto à previsão de novas mudanças corporais que vão surgir, antecipando as melhores medidas para atenuar ou neutralizar condições indesejadas.
Faz parte da rotina a análise da evolução mensal do peso, da pressão arterial, da altura do útero em relação ao púbis, detecção dos batimentos cardíacos do feto (após 12 semanas), avaliação de corrimento vaginal e condições do colo uterino, permitindo que o exame físico favoreça o diagnóstico com tratamento precoce de algumas condições que poderiam colocar a gravidez em risco.
Exames de rotina
No início de sua gravidez e a cada trimestre são realizados exames de rotina para detecção do bem-estar materno-fetal. O seu médico vai justificar o propósito desses testes destinados a fornecer o melhor cuidado possível durante a sua gravidez e o parto.
Por exemplo, a simples mensuração da altura uterina em relação ao pube permite acompanhar o crescimento fetal entre a 16ª e a 36ª semana de gestação, período em que a idade gestacional corresponde à altura uterina.
Nessas condições, a ultrassonografia pode detalhar qualquer distorção do crescimento fetal esperado e detectado pelo exame clínico, quer seja crescimento uterino acima ou abaixo do ideal, muitas vezes relacionados à variação do líquido amniótico, peso fetal ou simples variação na posição do feto dentro do útero.
Exames recomendados – resumo
Tipagem sanguínea ABO +Rh
Hemograma
Glicemia
Sorologia para hepatite B – se paciente vacinada basta o AntiHBs
Sorologia para HIV ½, rubéola, sífilis, hepatite C
Urina tipo I e urocultura com antibiograma se necessário
Ultrassonografia com avaliação morfológica do feto entre a 12ª e 13ª sem.
Ultrassonografia com avaliação morfológica do feto entre a 20ª e 23ª sem.
Ecocadiografia fetal entre a 28ª e 34ª sem.
Cultura para estreptococos beta hemolítico entre a 35ª e 37ª semana
Exames adicionais a critério do obstetra e fatores de risco.
Em resumo, você deve saber qual a importância do exame, quais serão os resultados esperados e o que fazer caso o teste esteja alterado, lembrando que alguns valores de referência para não gestantes podem não ser válidos durante a gravidez, principalmente pelas mudanças do volume sanguíneo e alterações hormonais específicas durante a gestação, ou seja, a “exameterapia” sem fundamento não é saudável, pode gerar insegurança, mais exames desnecessários e estresse indevido!
Seguindo a orientação em relação à ultrassonografia, procure realizar seus exames em laboratórios com certificados de qualidade nacional e internacional.
É essencial o conhecimento do seu grupo sanguíneo e fator Rh. Em caso da gestante Rh negativo, confirmando-se que o pai do bebê é Rh positivo, o obstetra indica uso de vacina antiD em caso de sangramento com ameaça de aborto ou entre a 28ª e 30ª semana de gestação, prevenindo-se de problemas em uma próxima gestação. Nesse mesmo conceito, após o nascimento o sangue do bebê será analisado para confirmar a necessidade de nova dose da vacina, caso ele seja Rh positivo, idealmente em até 48 horas após o parto.
Referências.
1. Projeto Diretrizes. Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
2. FEBRASGO – Manual de Orientação Gestação de Alto Risco – 2011 - http://www.febrasgo.com.br/extras/downloads/gestacao_alto-risco_30-08.pdf
3. www.nice.org.uk/aboutguidance;
4. http://pregnancy.cochrane.org/
5. http://www.aafp.org/afp/2005/0401/p1307.html
6. (http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/palmito.asp)
7. www.pediatrics.org/cgi/doi/10.1542/peds.2011-1466 Policy Statement—Recommendations for the Prevention of Perinatal Group B Streptococcal (GBS) Disease - Pediatrics 2011;128:611–616
8. Jean M. Harnisch, BS, RDa, Patricia H. Harnisch, BS, MEd, RDb, David R. Harnisch Sr, MDc,*Family Medicine Obstetrics: Pregnancy and Nutrition. Prim Care Clin Office Pract 39 (2012) 39–54
Waldemir Rezende é médico, doutorado em medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
NÃO TOME MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO. PODE SER
EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.
- Leia também
- 17/05/2013: Obesidade e gravidez: fique ligada!
- 06/03/2013: A pílula do dia seguinte
- 12/12/2012: A importância da prevenção contra a hepatite B
voltar