Dr. Waldemir Rezende saude

Câncer de mama em faixa etária reprodutiva

Por Dr. Waldemir Rezende 23/06/2010

A importância da predisposição individual, fatores hereditários, hormonais diretos (menarca precoce, uso de anticoncepcionais orais, terapia de reposição hormonal, menopausa tardia) ou indiretos (obesidade, exposição à radiação ionizante, hábitos alimentares e estresse) aumentariam o risco desse câncer em pacientes mais jovens.

Desprezando-se as neoplasias cutâneas, em consonância com a tendência mundial, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais freqüente e o primeiro entre as mulheres, representando a principal neoplasia maligna no sexo feminino em nosso país.

O número de casos novos de câncer de mama esperados para o Brasil em 2006 situou-se em 48.930, com um risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres na região Sudeste (71 casos novos por 100 mil), na região Sul (69/100.000), Centro-Oeste (38/100.000) e Nordeste (27/100.000). Na região Norte é o segundo tumor mais incidente (15/100.000).

Estimando-se os casos novos de câncer de mama durante a idade reprodutiva entre 10 a 20%, considerando a tendência em se retardar a gravidez para a terceira ou quarta década de vida, e ainda as falhas nos exames realizados, provavelmente, observaremos maior incidência de câncer de mama em grávidas.

Detecção e prevenção do câncer de mama

A prevenção primária tem a mamografia como único método para rastreamento e detecção precoce, capaz de reduzir a mortalidade por câncer de mama para mulheres com idade acima de 50 anos. Em pacientes  mais jovens a eficiência desse método é reduzida pela alta densidade do tecido mamário, além do que, os mamógrafos disponíveis no SUS priorizam as mulheres com mais de 50 anos ou aquelas com alterações no exame clínico.

O rastreamento preconizado deve considerar os fatores de risco e as alterações detectadas no exame físico, recomendando-se a tríplice avaliação das mamas com o exame físico, a mamografia e a ultra-sonografia, iniciando-se a rotina aos 35 anos para as mulheres de alto risco ou mais rigorosamente, estabelecendo a propedêutica de rotina 10 anos antes do primeiro caso diagnosticado em familiar de primeiro grau ou, principalmente, naquelas portadoras de alterações genéticas ou demais fatores de risco.

Os antecedentes pessoais e familiares, o diagnóstico de doença proliferativa da mama (biópsias de nódulos de mama realizadas), a predisposição genética e a primiparidade tardia representam os principais fatores de risco bem definidos pela literatura.

Em pacientes jovens de alto risco o exame físico associado à ultra-sonografia de mamas, mamografia convencional ou mamografia digital e, mais recentemente, à ressonância magnética das mamas densas, poderiam contribuir para redução dos exames falsamente negativos.

Não obstante, o exame clínico minucioso e a propedêutica complementar deveriam ser realizados antes da gravidez, antecipando seu diagnóstico e tratamento, prevenindo-se dessa associação inconveniente.

As alterações fisiológicas, anatômicas ou hormonais próprias da gravidez, influenciariam a progressão da doença diante das opções de tratamento menos eficientes, em “respeito” ao feto. Esse fato correlaciona-se com o aumento do risco de câncer de mama associado a menarca precoce, menopausa tardia, retardo na primeira gravidez e nuliparidade.

Avaliação das mamas durante a gravidez

As alterações gravídicas, subseqüentes e progressivas, condicionam aumento no volume e consistência das mamas, dificultando o exame físico, a ultra-sonografia ou a mamografia e resulta em menor eficiência diagnóstica durante a gravidez e amamentação. Reiteramos que o rastreamento do câncer de mama deve ser realizado antes da presença de gravidez, considerando-se os fatores de risco definidos.

Não se efetivando a propedêutica pré-concepção, a consulta obstétrica no primeiro trimestre, diante de alterações fisiológicas iniciais mínimas, representa valiosa e indispensável oportunidade para exame clínico detalhado. Entretanto, essa prática não tem sido incorporada na maioria dos Ambulatórios de Pré-natal.

Na ausência de exames recentes, as gestantes com mais de 35 anos e aquelas com antecedentes pessoal ou familiar de hiperplasia ductal ou câncer de mama, devem realizar ultra-sonografia das mamas como rotina do primeiro trimestre da gravidez.

Médico, Doutorado em Medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É coordenador do Serviço para diagnóstico e tratamento de tumores associados à Gravidez, da Divisão de Obstetrícia do HCFMUSP e diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar. Ex-Diretor Executivo do Instituto Central do HCFMUSP - Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, de 2002-2006 e Ex-Superintendente da Pró Matre Paulista (1998 -2001).É colunista colaborador do site Atmosfera Feminina, portal institucional do laboratório Sanofi-Aventis, dedicado exclusivamente à saúde e bem-estar da mulher e sua família.

Waldemir Rezende é médico, doutorado em medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É coordenador do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Santa Catarina de São Paulo e  diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar.

 

 


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