A importância da mamografia
Por Dr. Waldemir Rezende 28/01/2011Apenas 5 a 10% de todos os casos de câncer de mama têm origem genética e podem afetar mulheres com menos de 40 anos. O risco de câncer de mama antes dos 40 anos seria de um caso em 228 mulheres, comparando-se a um caso em cada grupo de 24 mulheres entre 40 e 59 anos.
Saúde x vaidade
Não se esqueça dessa rotina antes de realizar qualquer cirurgia estética das mamas (mamoplastia redutora, colocação de prótese mamária ou qualquer correção estética das mamas).
A mamografia pode antecipar o diagnóstico das doenças mamárias em fases muito iniciais (sem invasão de tecidos normais) ou até mesmo em condições extremamente precoces, surpreendendo as células no início de “perda do controle” do processo normal de substituição dos tecidos, momento extremamente favorável para a mulher “reassumir” o controle da situação.
Mamografia: aliada quando as coisas não vão bem
Esses marcadores de anormalidades celulares, as microcalcificações ou a distorção tecidual indicam o local exato em que existe tecido mamário potencialmente capaz de se transformar no câncer, na ausência de diagnóstico e tratamento precoce.
O período entre essas manifestações mínimas e o aparecimento de nódulos varia entre um e cinco anos, fato que aumenta a importância de se realizar a mamografia regularmente, considerando fatores de risco pessoal e familiar, conforme orientação médica.
Como regra geral, podemos afirmar que a mamografia antecipa em aproximadamente dois anos a identificação de nódulos malignos nas mamas e contribui para indicar a análise detalhada do tecido alterado por meio da biópsia do local (retirada das microcalcificações) e estudo anatomopatológico detalhado (avaliação das células pelo médico patologista).
O aparente aumento do número de casos de câncer de mama relaciona-se diretamente com a realização da mamografia, obviamente pela possibilidade de se diagnosticar uma doença pré-clínica (sem alterações detectáveis pelo exame físico). Em decorrência disso, a possibilidade de cura vem aumentando incrivelmente, como resultado do diagnóstico e tratamento precoces.
Procure seu médico!
O exame deve ser realizado sob orientação médica, seguindo-se recomendações das Sociedades médicas especializadas no tema, considerando-se antecedentes familiares e pessoais relacionados ao risco de câncer de mama.
Apesar da grande maioria de casos ocorrerem após os 50 anos, em algumas condições o risco de doença precoce exige a realização de exames em pacientes muito jovens. Seu médico poderá orientar o melhor momento para iniciar e a periodicidade ideal para manter o controle das imagens obtidas pela mamografia, considerando os antecedentes de câncer de mama familiar e fatores de risco relacionados aos fatores hormonais e hábitos de cada mulher.
Podemos considerar como fatores de risco individuais para câncer de mama a menarca precoce (primeira menstruação antes dos 12 anos), a menopausa tardia (última menstruação após os 50 anos de idade), nuliparidade ou primiparidade tardia (ausência de filhos ou primeiro filho após os 30 anos de idade), obesidade, sedentarianismo, fumo, álcool e terapias de reposição hormonal sem controle médico.
A ressonância magnética
Sempre é importante ressaltar que, apesar dos excelentes resultados obtidos pela mamografia, cerca de 10 a 20% dos tumores podem não ser identificados (não visualizados pela mamografia), principalmente no caso de mamas densas. Nessas condições, o exame das mamas pelo mastologista pode ser decisivo na indicação de exames adicionais para esclarecer quaisquer anormalidades. O exame clínico das mamas associado à interpretação de ultrassonografia e mamografia, em casos excepcionais, complementa-se com avaliação das mamas utilizando-se da ressonância magnética.
Nesse momento é importante lembrar que apenas 20 a 40% das alterações observadas pela mamografia representam câncer invasivo. Invertendo os números, até 80% das biópsias das áreas suspeitas obtêm como resultado alterações benignas ou pré-malignas, conferindo possibilidade de ações preventivas intensas, por vezes utilizando-se de medicamentos ou simples mudança de hábitos de vida para impedir a transformação maligna.
Por exemplo, em caso de mamografia anormal, classificada pelo radiologista como BIRADS* 3 ou 4, a biópsia desse local (mamotomia ou biópsia com agulha grossa) pode identificar hiperplasia típica (células anormais, sem caráter maligno) em uma mulher sedentária, obesa, com uma dieta rica em gorduras saturadas, utilizando hormônios sem acompanhamento médico, fumante, estressada ou depressiva, eventualmente abusando de bebidas alcoólicas.
Nesse contexto, a mamografia e em alguns casos a ultrassonografia são essenciais para localizar e remover fragmentos do local exato, com alterações radiológicas específicas.
Em resumo, cabe rigorosa conscientização a respeito dos fatores de risco, estilo de vida inadequado e sua influência maléfica para coração, pulmões e para as mamas, sem falar nos riscos de câncer de endométrio (útero), de cólon e do estômago.
A proteção das mamas envolve a realização anual de exames preventivos e mudança de hábitos nocivos, condição em que os demais órgãos e sistemas orgânicos também serão beneficiados.
*BIRADS = Breast Imaging Reporting Data System, similar ao Papanicolau utilizado para classificar a gravidade das doenças do colo do útero.
Waldemir Rezende é médico, doutorado em medicina, especialista em Obstetrícia, Ginecologia e Mastologia. É coordenador do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Santa Catarina de São Paulo e diretor da WR Assevera - Consultoria Médica e Hospitalar.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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