Os padrões repetitivos
Por Dra. Vivian Behar 17/02/2011Monotonia é o estímulo para abandonar velhos comportamentos repetitivos. A busca de novos resultados pode propiciar mudança de hábitos. Mas o medo da mudança faz com que as pessoas desconfiem de novos padrões.
O medo do novo faz com que as pessoas não fiquem muito confortáveis diante do desconhecido. “Melhor um mal conhecido do que o bem desconhecido”, diz o dito popular. Por que se arriscar com um comportamento novo e obter um resultado duvidoso se o que sempre foi feito deu mais ou menos certo?
Padrões, hábitos, atos e pensamentos repetitivos podem tanto representar uma economia de energia pessoal como podem ter um aspecto supersticioso inútil. Cabe uma avaliação cuidadosa para saber se velhos hábitos ainda estão sendo funcionais.
A ideia principal é obter a resposta melhor, com menor dispêndio de energia
Mudando um pensamento ou um comportamento repetitivo abre-se a possibilidade de se produzir um resultado bom com menos estresse. Monotonia, por exemplo, é um fator de estresse tanto quanto não obter a resposta desejada.
A situação nova nunca traz garantias de sucesso. Quando se experimenta algo diferente, isso é ao mesmo tempo apavorante e desafiador. Existe o risco do resultado não ser melhor mesmo que o processo seja mais interessante.
Algumas perguntas precisam ser feitas antes de abandonar um velho hábito. Qual o risco? Se for grande demais, poderá a pessoa continuar tentando novos processos? E poderá a pessoa se livrar de resultados indesejados? Ela entende que haverá pressão para a manutenção de comportamentos antigos tanto de sua parte como por parte de seus relacionamentos?
Livrar-se de padrões repetitivos gera liberdade e permite aprender coisas novas. Às vezes, o novo traz leveza à vida. Ou não! Mas certamente é rejuvenescedor. O medo do novo esbarra até mesmo em superstições. Existe a crença de que algo ruim pode acontecer se não fizermos tudo sempre igual.
Nem sempre questionamos porque o resultado é sempre igual em todos os nossos relacionamentos, por exemplo. É igual porque nossos comportamentos são repetitivos. Queixamo-nos de que a vida não muda ou, pior, de que as pessoas não mudam, mas somos nós que não mudamos. Não podemos esperar resultados diferentes quando temos sempre a mesma ação.
Alguns exemplos podem ilustrar:
Preparamos jantares trabalhosos que “ninguém” valoriza. Mas não aceitamos ajuda de outros porque sempre foi assim. Nossos filhos não colaboram na arrumação da casa porque nunca pedimos, sempre foi assim. Cada novo chefe ou emprego nos explora, mas nunca dizemos não a qualquer coisa que nos pedem, não temos o hábito de impor limites, nunca fizemos isso.
Todos se acostumam com os padrões e, quando uma pessoa muda seu comportamento, os outros tendem a “empurrar” quem mudou de volta para os velhos hábitos, estranhando a mudança. Ninguém quer lidar com o novo.
Diante da expressão de estranheza do outro, quem experimenta comportamentos novos pode entender comentários sobre sua mudança como críticas, então, se desculpa e volta ao antigo padrão, mesmo que este não funcione mais, não convenha. E, assim, continuamos vivendo na monotonia disfuncional de velhos padrões.
Vivian Schindler Behar é psicóloga e atende com abordagem cognitiva. Atualmente trabalha no CESAME - Centro de Saúde Mental Moreno e Cordás. E também está se especializando em Mediação pela Mediativa - Instituto de Mediação Transformativa.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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