Dra. Vivian Behar saude

O bullying é uma agressão disfarçada

Por Dra. Vivian Behar 03/05/2011
Para evitar a fama de mal-humoradas, muitas pessoas riem de piadas que mais parecem provocações do que boas brincadeiras. Essas provocações são uma forma de bullying.

O bullying é uma ação de provocação, ou melhor, uma agressão disfarçada. Quem agride quer ser engraçado ou se mostrar superior ao outro. Não importa nesse momento.

O que quero enfatizar nessa coluna é que um adulto não precisa ser vítima de qualquer provocação desse tipo. Mas crianças têm pouco discernimento sobre o que é ou não é brincadeira, e não têm como se afastar de situações de provocação na escola. 

Enquanto adultos o fazem com mais facilidade, crianças não conseguem se defender de achaques ou gozações, principalmente estes quando partem de adultos, como tios e pais. Elas podem ser vítimas de bullying, e cabe aos professores, às mães e aos pais atentos protegê-las. 

Uma das formas de proteger alguém do bullying é legitimar a sensação de desconforto gerada pela pressão, gozação ou ataque, sem exigir tolerância, bom humor ou compreensão por parte de quem se sente atacado. Legitimar, aqui, significa reconhecer a percepção individual de uma experiência, o sentimento e o sofrimento de cada um.

Uma defesa possível é não rir de piada ruim

Se você for o alvo da piada, decida com calma se achou graça mesmo ou se ficou sem graça.

Outra defesa possível pode ser recusar a pressão social para ser bem-humorado, ter espírito esportivo, e, assim, ser aceito no grupo, agradar aos outros. Em geral, quem faz a brincadeira está se esforçando para aparecer ou pertencer, e você não precisa fazer o mesmo.

Aceitar provocações é, acima de tudo, uma forma de “autodesrespeito”. Só compensa ficar com pessoas e em lugares onde sua integridade pessoal não sofra. Não é preciso se violentar para agradar ninguém. Procure gente que aceite diferenças individuais.

Você não precisa se levar tão a sério, pode fazer piada de si mesmo. E lembre-se, só você pode fazer piada de si, ninguém mais. Para adultos, essa tarefa é possível.

Com medo de possíveis brigas, frases como “deixa para lá”, “o que vem de baixo não atinge”, entre outras, são usadas. Cada vítima de bullying acaba por se tornar também vítima de si próprio, por não reconhecer o que não gosta. Aceitar o que não lhe agrada, não se permitir dizer isso para não desagradar aos outros, achar graça do que lhe deixa sem graça é maltratar a si mesmo.

Vivian Schindler Behar é psicóloga e atende com abordagem cognitiva. Atualmente trabalha no CESAME - Centro de Saúde Mental Moreno e Cordás. E também está se especializando em Mediação pela Mediativa - Instituto de Mediação Transformativa.  

As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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