Dra. Vivian Behar saude

Nós x os brinquedos eletrônicos deles

Por Dra. Vivian Behar 03/08/2011
Muitas são as razões que podem levar alguém a ficar jogando ininterruptamente, inclusive nos aparelhos eletrônicos. Desde um transtorno obsessivo-compulsivo, necessidade de isolamento, necessidade de relaxamento, até simples tédio. O desafio do jogo e a vontade de vencer também podem justificar o ato de jogar.

Porém, qualquer coisa em demasia está em desacordo com uma vida saudável. Precisamos de momentos de isolamento tanto quanto de momentos de interação social. Realizar atividades variadas, com e sem interação social, como esportes, jogos eletrônicos, leituras, cinema, enfim, fazer coisas prazerosas e diferentes é muito bom para a saúde mental e física de todos.  

Jogar é uma forma de estruturação de tempo

O tempo pode ser estruturado em isolamento, rituais, atividades, disputas e intimidade. O aumento no gasto de uma forma de estruturação implica na diminuição das outras. A meta deve ser sempre o equilíbrio!

As mulheres se queixam do tempo excessivo que seus companheiros gastam em isolamento, querendo mais intimidade com eles. É um bom pedido! Mães e pais também reclamam do tempo excessivo que seus filhos gastam no videogame, no telefone, no computador.

Mas a pergunta que a mulher precisa se fazer é se ela oferece algo mais interessante ou relaxante a seu companheiro do que jogar. Neste caso, discutir a relação é muito chato. Ir às compras pode não ser melhor para ele do que jogar ou dormir.

Pais e mães também devem se perguntar o que estão oferecendo a seus filhos que seja melhor do que navegar na internet ou jogar videogame. Entreter filhos e companheiros dá trabalho, requer imaginação e investimento de energia.

O grande problema que a questão ainda levanta é o desprestígio que a mulher sente quando seu companheiro gasta muito tempo longe dela, entretido com qualquer coisa que não seja ela e sua família. Ouvimos muitas esposas reclamarem que seus maridos não gastam tempo suficiente com os filhos, que eles trabalham demais e não veem as crianças.

É possível que o homem não saiba se relacionar muito bem na intimidade, que ele se sinta mais competente com os “brinquedinhos” do que no contato, pois a demanda e as regras de jogos eletrônicos ele conhece bem (e não o criticam tanto como a maioria das mulheres).

A pergunta “Por que ele não larga os brinquedos eletrônicos?” é bastante complexa. Muitas são as respostas para ela, e todas podem estar corretas. Conversar sobre alternativas ao jogo, sugestões que agradem de alguma forma a todos os participantes da relação é o melhor caminho para o bom conviver. 

Vivian Schindler Behar é psicóloga e atende com abordagem cognitiva. Atualmente trabalha no CESAME - Centro de Saúde Mental Moreno e Cordás. E também está se especializando em Mediação pela Mediativa - Instituto de Mediação Transformativa.

As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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