Sobre a timidez nas crianças
Por Dr. Renato Kfouri 14/02/2011A criança tímida muitas vezes causa preocupação nos pais e na família. Também conhecida como acanhamento, a timidez pode ser definida como desconforto e inibição em situações interpessoais, que podem acabar interferindo nas atividades mais corriqueiras do dia a dia da criança.
A principal característica deste padrão de comportamento é a excessiva preocupação com as reações e pensamentos dos outros. Não há unanimidade entre os especialistas sobre quais sejam as causas: fatores genéticos, causas orgânicas e influência do meio certamente desempenham algum papel no seu desenvolvimento.
Todos os seres humanos, em alguns momentos da vida, são afetados pela timidez, que tem importante papel na modulação do comportamento social, regulando a impulsividade e inibindo os excessos. Funciona muitas vezes freando atitudes espontâneas e contribuindo para respostas mais adequadas frente a diferentes situações.
Na criança, se esse traço de temperamento encontrar um ambiente propício para se desenvolver, certamente isso ocorrerá, o que torna o papel dos pais decisivo no processo de surgimento da timidez, atenuando ou reforçando-o.
Cuidado com a timidez em excesso
Segundo a psicanalista Silvana Rabello, esse problema, quando excessivo e constante, pode influir na rotina da criança, fazendo com que ela se sinta sozinha e sem coragem de explorar o mundo ao seu redor, inclusive afetando o rendimento escolar. É preciso que os pais estejam atentos e procurem ajuda especializada quando necessário.
A timidez é também comum na adolescência, fase da vida em que a aceitação pelo grupo é essencial, e a insegurança de não ser bem visto pelos outros pode reforçar o comportamento do jovem, independente de ter sido tímido na infância.
Estudos mais recentes de imagem do cérebro apontam causas orgânicas, e essa visão biológica permitirá uma eventual abordagem medicamentosa do problema.
Por si só, os genes da timidez não têm poder suficiente para condicionar o comportamento da criança retraída, e a personalidade do ser humano se molda ao longo da vida, sendo fundamental a participação dos pais nessa etapa. Boas expectativas são fontes de confiança e bem-estar.
Palavras e atitudes de pais conscientes que ajudam:
- Deixe a criança falar, não interrompa e nem responda por ela;
- Não superproteja, deixe que experimente novas situações quando quiser;
- Não force a criança a se socializar ou participar de atividades que não deseja;
- Mostre opções: deixe que faça escolhas como o que vestir ou comer;
- Valorize sua individualidade, evite comparações;
- Jamais diga que ela é tímida, este rótulo pode acompanhá-la por toda a vida;
- Evite críticas e aplauda suas conquistas, por menores que possam ser;
- Aceite a timidez como um obstáculo que se vence gradualmente e com paciência;
- Não tente resolver os problemas de seu filho na escola ou com os amigos;
- Demonstre afeto e compreensão, estimulando a criança a falar sobre o que sente.
Por fim, os pais devem fornecer aos seus filhos ferramentas para que eles vivam em sociedade, com autonomia e capacidade de relacionamento pleno.
Renato de Ávila Kfouri é Pediatra e Neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana - Pro Matre e Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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