Seu filho é agitado ou hiperativo?
Por Dr. Renato Kfouri 10/09/2010É cada vez mais comum nos depararmos com pais que se queixam de que seus filhos “não param”. São inquietos, dormem pouco, têm dificuldade de realizar tarefas que exigem concentração e acabam taxados como crianças difíceis e desobedientes.
Na escola atrapalham os colegas, não param quietos, têm dificuldades pedagógicas e, cada vez mais, vêm recebendo o rótulo de hiperativos, sendo então encaminhados para especialistas como o neuropediatra, psicólogo, psicopedagogo e psiquiatra infantil.
Mas, afinal, será que estamos vivendo uma “epidemia” de hiperatividade?
Entenda melhor o TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade)
Já descrito desde a década de 40, inicialmente recebeu o nome de disfunção cerebral mínima (DCM), terminologia que foi abandonada na década de 90. É uma doença de base orgânica, isto é, caracterizada por uma alteração biológica no funcionamento cerebral, de origem genética, que frequentemente acompanha o indivíduo pela vida toda.
Acomete com maior frequência os meninos, e é caracterizada por uma tríade: desatenção, inquietude e impulsividade. São crianças agitadas, que se mexem muito, não param quietas e são facilmente distraídas por estímulos, mas muitas vezes também por pensamentos, parecendo estar em “outro mundo”.
São “desligadas”, em função de sua falta de atenção, e impulsivas, não esperando a sua vez de falar, jogar e responder. Não têm necessariamente um mau desempenho na escola, porém problemas de relacionamento e comportamento estão quase sempre presentes em suas rotinas.
Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o tratamento da criança com TDAH é sempre multiprofissional, e envolve uma combinação de orientação a pais e professores com medicamentos, que vêm se demonstrando altamente efetivos na redução dos sintomas. A psicoterapia é também parte importante na abordagem terapêutica da criança com TDAH, e a técnica normalmente indicada é a terapia cognitiva comportamental.
Sobre os medicamentos
Segundo a Dra. Sylvia Ciasca, da UNICAMP, que coordena um grupo multidisciplinar de pesquisas sobre TDAH, o tratamento medicamentoso só é eficaz se a criança estiver inserida em um sistema multidisciplinar de tratamento com acompanhamento integral.
Nem sempre é fácil para pais e professores diferenciar crianças agitadas daquelas portadoras de TDAH, e a ajuda de profissionais capacitados é fundamental. Certamente há um exagero no diagnóstico e tratamento dessas crianças, bastando observar o enorme incremento da venda desses medicamentos na última década, o que, muitas vezes, revela a incapacidade de muitos pais de hoje em serem pacientes e exercerem seu papel educativo. Aliás, educar dá trabalho, requer tempo e dedicação, comumente deixada em segundo plano por diversos pais, não é mesmo?
Dr. Renato de Ávila Kfouri é Pediatra e Neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana - Pro Matre e Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
NÃO TOME MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO. PODE SER
EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.
- Leia também
- 20/04/2012: Crescimento e paciência
- 07/03/2012: Afinal, o que é icterícia?
- 05/12/2011: Febre: devemos temê-la?
voltar