Dr. Renato Kfouri saude

O fim das férias e a volta às aulas

Por Dr. Renato Kfouri 23/06/2010

Para muitas famílias a volta às aulas significa o retorno a uma rotina diária de horários para acordar, dormir, estudar e fazer lições. Os pais voltam a levar os seus filhos à escola e tudo parece voltar à rotina de sempre.

Porém, algumas crianças estarão experimentando pela primeira vez entrar numa escola, outras mudando de uma escola para outra.

A criança que está estreando na vida escolar merece atenção especial, pois afastar-se do aconchego do lar para encarar o desconhecido costuma causar algum impacto na vida de qualquer criança.

As reações variam e estão relacionadas com a idade. Crianças maiores normalmente são mais amadurecidas e mais bem preparadas para a socialização escolar que as menores, que, muitas vezes, vão precocemente para berçários e escolas, não por seu desejo, mas por necessidade dos pais que precisam trabalhar.

Independente da idade, o primeiro dia de aula causa muitas vezes na criança, ansiedade e insegurança, que podem ser minimizadas através de simples atitudes dos pais.
Idealmente a criança deve ir à escola antes do início das aulas, familiarizar-se com o ambiente, os funcionários, sua própria sala de aula e, se possível, conhecer a sua futura professora.

O material escolar, a mochila e o uniforme devem ser comprados juntos com a criança que poderá ajudar a escolhê-los, criando com isso uma identidade e um envolvimento com a escola.

Os pais devem responder com clareza e objetividade todas as dúvidas e perguntas que as crianças vierem a fazer, transmitindo-lhes segurança e apoio.

As brincadeiras em casa de escolinha e a leitura de livros com histórias afins são bons ingredientes para que a fantasia da criança se aproxime de sua realidade. É no campo da imaginação que a crianças solidificam o seu dia-a-dia.

Os pais devem procurar ficar atentos às manifestações dos sentimentos da criança, pois às vezes, através de uma brincadeira ou por um comportamento diferente, elas podem estar tentando dizer algo a eles.

Perguntas do tipo: Gostou da professora? Já fez algum amiguinho? Você está feliz? Soam para a criança como uma cobrança e devem ser evitadas, pois elas necessitam de tempo para elaborar toda esta nova experiência. O ideal é procurar as respostas para estas perguntas no convívio diário, prestando atenção no comportamento delas e principalmente através do diálogo.

A fase de adaptação pode durar algumas semanas ou até meses, e é preciso respeitar o tempo de cada um, pois as coisas não devem ser apressadas e sim bem resolvidas.

Em caso de dúvidas peça ajuda. Procure sempre o orientador pedagógico, a professora ou a direção da escola. Não hesite em procurar socorro.

Conversar com outros pais ajuda muito, já que todas estão vivendo situações semelhantes e a troca de experiências é fundamental nesta fase; e lembre-se que se os pais se sentem inseguros e ansiosos a criança logo perceberá e aumentará mais ainda a sua carga emocional.

Os pais não devem minimizar os sentimentos da criança dizendo coisas do tipo: “Isso não é nada!”, “Deixe de choradeira!”, ou ainda: “Você já está bem grandinho para este escândalo!”, os sentimentos dela devem ser valorizados e a paciência é a grande arma. Um pouco mais de colo nesta fase é fundamental.

A escola pode vir a ser um lugar fascinante se a criança se sentir segura para enfrentar esta nova experiência, e com o apoio dos pais a adaptação a esta nova fase acontece naturalmente.

Dr. Renato de Ávila Kfouri é Pediatra e Neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana - Pro Matre e Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). É colunista colaborador do site Atmosfera Feminina, portal institucional do laboratório sanofi-aventis, dedicado exclusivamente à saúde e bem-estar da mulher e sua família.
 

 


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