Dr. Renato Kfouri saude

Febre: devemos temê-la?

Por Dr. Renato Kfouri 05/12/2011
A criança febril traz sempre preocupação aos pais, e muitas vezes a temperatura corporal elevada pode ser realmente um sinal de alerta. Ela ocorre por diferentes razões: reação vacinal, resfriados, outras infecções virais, desidratação, processos inflamatórios etc.

Seu aparecimento deve-se a uma resposta do organismo frente a um agravo qualquer, o que faz com que algumas substâncias com capacidade de elevar a temperatura corpórea sejam liberadas. Na maior parte das vezes, representa uma resposta normal do organismo frente a uma agressão qualquer.

A temperatura corporal normal fica ao redor de 36 a 37°C, com pequenas oscilações  durante o decorrer do dia. Considera-se febre qualquer temperatura acima de 37,5°C medida na axila. É importante realizar sempre a tomada de temperatura com termômetros regulados, permanecendo na axila por tempo suficiente e, na dúvida, deve-se sempre repetir o procedimento. Outros termômetros com menor sensibilidade podem ser utilizados, como os de pele ou de orelha.

Anotar as temperaturas obtidas, os horários e as medicações antitérmicas utilizadas auxilia sempre o pediatra na elucidação da causa.

Mas enfim: quando os pais devem se preocupar com a febre? 

São sinais de alerta as febres elevadas temperaturas, acima de 39°C, com reduzidos intervalos entre os episódios, aquelas acompanhadas de calafrios, com duração acima de 48 horas, estado geral da criança comprometido, vômitos, perda de apetite, lesões na pele e dificuldade respiratória.

Normalmente, quadros virais benignos cursam com febres mais baixas, espaçadas, com estado geral e apetite preservado.
Na dúvida, os pais devem sempre procurar o pediatra da criança, que poderá identificar a causa da elevação da temperatura. Algumas vezes exames laboratoriais e radiografias podem ser necessários para auxiliar na elucidação do diagnóstico.

Um temor sempre presente é o da convulsão febril, que, ao contrário do que muitos imaginam, não está relacionado somente com febres elevadas. Segundo o professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, Dr. Marco Aurélio Sáfadi, “algumas crianças têm essa sensibilidade maior à febre e podem apresentar convulsões”. Essas, apesar de atemorizantes, são sempre benignas e não deixam sequelas, tranquiliza ele.

Em resumo, a febre é uma resposta de defesa do organismo da criança e, ao mesmo tempo, é sempre um sinal de alerta. 

Renato de Ávila Kfouri é pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana - Pro Matre e Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). 

 

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