Bullying: educando para a tolerância
Por Dr. Renato Kfouri 07/06/2011Pode acontecer em qualquer idade, porém, é na infância e na adolescência que se manifesta de forma mais importante, especialmente no convívio escolar. Ocorre também em todas as classes sociais indistintamente. Segundo a educadora Cléo Fante, é uma das formas de violência que mais cresce no mundo.
É preciso caracterizá-lo bem, e não tratar as divergências do cotidiano como práticas de bullying. Segundo Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para ser considerada bullying a agressão física ou moral deve apresentar quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. Muitas vezes subestimado, esse ato pode trazer consequências à formação futura de quem pratica e de quem sofre.
É preciso entender o bullying
Mas não como algo normal, uma brincadeira de criança, inocente e sem maldade. Os maus-tratos, humilhações e constrangimentos não são inócuos. Desprezá-los ou não valorizá-los não é o melhor caminho. O fato de o tema hoje estar sendo discutido no âmbito escolar e na mídia de maneira aberta certamente contribuirá para o reconhecimento e denúncia de casos, e para a tomada de medidas preventivas.
Já no perfil do agredido, costumamos encontrar a timidez, a baixa autoestima e o comportamento passivo como marcas de sua personalidade.
Existe hoje também o bullying virtual (ou “ciberbullying”) em que, por meio da internet e das redes sociais, as agressões são praticadas. Se não houver a intervenção do adulto na atitude do agressor, a tendência é de fortalecimento desse comportamento e a formação de um adulto intolerante.
Mas o que os pais podem fazer a respeito desse assunto? Segundo a orientadora educacional Silvana Leporace, é fato que a convivência com as diferenças promove conflitos variados, e somente utilizando estratégias respeitosas é que podemos chegar a uma solução para eles. É muitas vezes na escola que as diferenças aparecem, e é preciso aprender a conviver com elas, de forma respeitosa e tolerante.
Aliás, exercer a tolerância é uma prática muitas vezes esquecida até pelos pais, que frequentemente no seu comportamento diário, sem perceber, dão aos filhos exemplos de intolerância e preconceito.
Pais e escola devem buscar sempre uma postura construtiva, baseada no respeito ao próximo e na tolerância com as diferenças. Quem sabe assim saberemos, com a educação, preparar nossos filhos para uma convivência harmoniosa.
Renato de Ávila Kfouri é pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana - Pro Matre e Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). É colunista colaborador do site Atmosfera Feminina, portal institucional do laboratório sanofi-aventis, dedicado exclusivamente à saúde e bem-estar da mulher e sua família.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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