Dra. Pérola Plapler saude

Todo derrame deixa sequelas?

Por Dra. Pérola Plapler 23/03/2011

O que é o derrame

Derrame é a lesão de células do cérebro que acontece quando ocorre uma obstrução de um ou mais vasos que as irrigam. Com isso, ocorre uma redução de intensa a total do sangue, com falta de nutrição e oxigenação e possível morte ou danos a essas células. Alguns minutos após essa parada de irrigação começa o processo de morte celular.

É considerada uma emergência médica. Quanto mais prontamente a pessoa for atendida, maiores as chances de reverter o quadro ou de evitar a morte de muitas células. Não se deve ficar esperando que os sintomas desapareçam. Isso pode retardar o atendimento com a perda de minutos preciosos.

Apesar da gravidade, o derrame pode ser tratado e, mais que isso, pode ser prevenido!

Como identificar quem está tendo um derrame?

Fique de olho nestes sinais:

- início agudo de dificuldade para falar, com pronúncia incompreensível, troca ou uso sem sentido das palavras;

- dificuldade repentina para compreender o que está sendo falado;

- perda súbita da coordenação e do equilíbrio, com dificuldade para andar, acompanhada ou não de tontura;

- paralisia ou dormência de um lado do corpo e/ou do rosto. A boca pode ficar torta e ser impossível beber água sem babar;

- perda da visão de um lado ou visão dupla;

- dor de cabeça muito intensa;

Causas

A interrupção de sangue e oxigenação das células do cérebro podem ter duas origens: a isquêmica e a hemorrágica

A isquêmica é a forma mais comum (quase 90% de todos os derrames) e resulta de um bloqueio das artérias. Isso pode ocorrer por várias razões:

trombo – pode se formar dentro das artérias que irrigam o cérebro, quando estas estão danificadas pela arteriosclerose (quando as artérias estão parcialmente entupidas pelas placas de gordura), obstruindo a passagem de sangue;

êmbolo – quando acontece uma coagulação dentro de artérias distantes do cérebro (em braços, pernas e, principalmente, no coração), mas que são empurradas pela corrente sanguínea para dentro do cérebro.

A hemorrágica ocorre quando há um sangramento de alguma artéria dentro do cérebro. Isso pode acontecer quando um vaso se rompe em pessoas com picos de pressão muito altas ou quando existem aneurismas nestes vasos cerebrais que se rompem.

Episódio transitório é quando ocorre uma interrupção temporária e rápida do fluxo de sangue para o cérebro, por um bloqueio parcial.

Fatores de Risco

- história familiar ou pessoal de infarto do miocárdio ou de episódio transitório;

- ter mais de 55 anos de idade;

- pressão alta;

- colesterol alto por vários anos;

- cigarro;

- diabetes;

- obesidade;

- sedentarismo;

- doenças cardíacas;

- uso de pílula anticoncepcional e tratamento com hormônios;

- alcoolismo;

- uso de drogas ilícitas como cocaína ou metanfetaminas.

Mulheres têm maior número de derrames, por viverem mais tempo, e negros têm mais derrame do que pessoas de outras etnias.

Complicações

- o tipo de sequela depende do local do cérebro afetado, da gravidade do sangramento ou obstrução e do tempo levado para iniciar o tratamento;

- as sequelas podem ser motoras, ou seja, a movimentação fica afetada, ou sequelas na parte de compreensão, memória e fala. Pode haver também alguma dificuldade de raciocínio e dificuldade na tomada de decisões;

- as sequelas vão de ausentes a graves. A proporção da sequela pode variar também entre motora e “neurológica”. Podem-se ter problemas importantes na compreensão e fala e menos problemas para andar, ou o contrário;

- pode causar incapacidade temporária (por dias ou meses) ou permanente (para sempre) com quadros de paresia (diminuição parcial da força) ou paralisia (deixa o braço ou a perna totalmente sem força). A fisioterapia utilizando os exercícios é a melhor maneira de tratar, revertendo o quadro em parte ou completamente;

- o maior déficit pode ser sobre o controle dos músculos da boca e da garganta, levando à dificuldade na articulação das palavras, na alimentação (mastigação) e na deglutição;

- dor e dormência podem ser complicações do derrame pelo comprometimento do sistema nervoso central. A dor deve ser tratada com medicamentos que agem sobre o sistema nervoso, uma vez que ela não é de origem articular;

- alterações de comportamento e autocuidados, deixando as pessoas mais impulsivas e menos cuidadosas com sua higiene e alimentação.

Exames para diagnóstico e acompanhamento

Para saber quais serão os tratamentos, é preciso determinar qual o tipo de derrame, qual parte do cérebro está sendo afetada e qual a origem deste derrame. Um ou mais dos exames abaixo poderão ser pedidos caso seu médico ache necessário:

- exame físico;

- exames de sangue (avaliar qualidade da coagulação, presença de diabetes, presença de infecção);

- tomografia computadorizada do cérebro, com ou sem angiografia ;

- ressonância magnética;

- ultrassom da carótida;

- arteriografia;

- ecocardiograma.

Qualquer que seja a causa do derrame, é fundamental fazer a reabilitação, que pode incluir a confecção de aparelhos para posicionamento de mãos e pés ou o uso de bengalas e muletas. Os exercícios são também muito importantes e têm como objetivo final o ganho de mobilidade e a independência do paciente para todas as tarefas da vida cotidiana e da vida diária. Para isto deve-se focar na manutenção ou ganho de força e amplitude de movimentos.

As lesões que ocorrem no lado direito do cérebro podem afetar os movimentos e a sensibilidade do lado esquerdo do corpo, além de comprometer a fala e a linguagem. Os do lado esquerdo do cérebro poderão afetar o lado direito do corpo. Em ambos os lados, a sequela pode ser também sobre a respiração, a deglutição, o equilíbrio, a coordenação e a audição. Pode haver também consequência sobre a função da bexiga e do intestino.

A equipe de profissionais da saúde envolvida na reabilitação é composta por Médico Fisiatra e Neurologista, Enfermeiros, Nutricionista, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Fonoaudiólogo, Assistente Social e Psiquiatra ou Psicólogo.

Apesar dos grandes desafios de recuperar aquilo que foi perdido com a doença, a prática de todas as atividades perdidas é fundamental. Não deve haver ansiedade com os ganhos almejados, e cada passo a mais deve ser encarado como uma vitória.

Prevenção

Como em quase todas as doenças, a prevenção é muito importante. Deve ser feito rigorosamente o controle da pressão arterial, controle dos níveis de colesterol, não fumar, estabilizar o diabetes, manter o peso adequado, seguir uma dieta rica em frutas e vegetais, fazer exercícios regularmente, beber álcool com moderação, não usar drogas ilícitas e usar a medicação prescrita, quando indicada (antiagregante plaquetário e anticoagulantes).

Pérola Grinberg Plapler é médica fisiatra, mestre e doutora em Medicina pela USP. Responsável pelo Grupo de Reabilitação em Osteoporose do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC FMUSP.  


As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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