Suplementação de cálcio vale a pena?
Por Dra. Pérola Plapler 23/09/2010Antes de discutirmos se devemos ou não tomar cálcio na forma de comprimidos ou pó, como suplemento, devemos entender a importância dele.
O cálcio, um dos componentes do esqueleto, é um mineral fundamental para a nossa sobrevivência, e não é produzido pelo nosso organismo. Para que o coração bata, os músculos se contraiam e os nervos funcionem, é preciso haver cálcio disponível circulando no nosso sangue.
De modo bem simplificado, podemos dizer que cada uma dessas estruturas necessita desse mineral para se manter ativa. Dessa forma, o cálcio que estava circulando no sangue vai se esgotando, e é preciso que ele seja reposto. Quando o ingerimos e temos quantidades adequadas de vitamina D no organismo, ele é absorvido no intestino e, por meio de mecanismos normais, é jogado na corrente sanguínea.
Desse modo, conseguimos repor o cálcio que foi gasto e o mantemos circulante em níveis adequados.
Quando, no entanto, não ingerimos o cálcio necessário, somos obrigados a lançar mão de nosso reservatório desse mineral, que nada mais é que o nosso esqueleto!
Portanto, ao deixarmos de ingerir cálcio, destruímos nossos próprios ossos para liberarmos o mineral nele armazenado. Essa é uma das causas da osteoporose, que pode e deve ser evitada.
Se considerarmos que um copo de leite, uma fatia grossa de queijo ou um copo de iogurte tem aproximadamente 300 mg de cálcio, podemos calcular que:
– um adolescente entre 14 e 18 anos precisa de 1300 mg de cálcio por dia ou um pouco mais que 4 porções de leite ou derivados;
– um adulto entre 19 e 50 anos precisa de 1000 mg de cálcio por dia, ou seja, pouco mais que 3 porções de leite ou derivados;
– um adulto acima de 50 anos precisa de 1200 mg de cálcio por dia, ou seja, 3 porções de leite ou derivados.
Fique de olho na dosagem
É sabido que nossa população segue o mesmo padrão de várias outras, em que a ingesta de cálcio é insuficiente.
Um dado importante sobre a ingesta de cálcio é o fato de conseguirmos absorver entre 500 e 600 mg de cálcio por período. Por isso, não adianta tomar todo o cálcio (por meio de alimento ou suplemento) de uma única vez, pois parte dele não será aproveitada.
Nosso organismo absorve bem tanto o cálcio da alimentação quanto o dos suplementos.
Tanto o carbonato de cálcio quanto o citrato de cálcio são bem tolerados. Os comprimidos, em geral, vêm com a quantidade de 500 a 600 mg desse mineral, e muitos são associados à vitamina D. O ideal é que a ingesta seja feita de forma fracionada, melhorando o aproveitamento do cálcio.
Pessoas com cálculo renal ou com pouca produção de ácido no estômago tendem a se sentir melhor com o citrato de cálcio. Para todos os outros, o carbonato é bem adequado. O importante é saber a procedência do medicamento e não tomar qualquer produto.
O suplemento de cálcio raramente causa hiperdosagem. O ideal é o uso de, no máximo, 2500 mg de cálcio por dia, quantidade que é raramente atingida, mesmo com dieta e suplemento associados.
Dra. Pérola Grinberg Plapler é médica fisiatra, mestre e doutora em Medicina pela USP. Responsável pelo Grupo de Reabilitação em Osteoporose do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC FMUSP.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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