Dra. Pérola Plapler saude

Prevenindo a osteoporose desde a infância

Por Dra. Pérola Plapler 28/01/2011
A maior parte das pessoas acredita que a perda de massa óssea é uma doença do indivíduo idoso. Poucos sabem, no entanto, que a massa óssea na fase adulta é consequência daquela que conseguimos formar na infância. Quando os pais pensam na saúde de seus filhos, raramente se lembram da saúde óssea. Atualmente, a osteoporose tem sido conhecida como uma doença pediátrica com consequência geriátrica.
 
A massa óssea é geneticamente programada. Isso quer dizer que cada indivíduo, dependendo de sua raça, gênero e de traços familiares, pode ter um esqueleto maior ou menor. Por exemplo, homens têm mais massa óssea do que mulheres, negros mais do que brancos e quem tem mãe ou pai com osteoporose terá maior chance de também desenvolver a doença.
 
Noventa por cento do pico de massa óssea é adquirido até os 18 anos em meninas e até os 20 anos em meninos.  Elacontinua aumentando até aproximadamente os 25 anos de idade. Fica claro que devemos investir na formação de nosso esqueleto exatamente na fase em que mais podemos aumentá-lo, ou seja, na infância e adolescência.
 
Podemos pensar no esqueleto ósseo como um banco. Quanto mais conseguirmos armazenar de massa óssea durante a infância e adolescência, mais osso poderemos perder na idade adulta até chegarmos a ter osteoporose.
 
Para formarmos toda a massa óssea para a qual fomos programados, dependemos de algumas medidas que se iniciam na infância. É na fase do estirão, que começa por volta dos 10 anos de idade, que mais conseguimos formá-la.
 
Durante a infância e adolescência os ossos crescem em tamanho e ganham resistência
 
A quantidade de osso formada durante essa fase é que vai determinar a saúde do esqueleto ósseo por toda a vida. Quanto mais osso conseguirmos formar, mais osso poderemos perder antes de quebrarmos, ou seja, maior a proteção e a garantia de que não teremos osteoporose ou de que ela só se iniciará mais tardiamente.
 
A infância e adolescência são fases críticas para o desenvolvimento de bons hábitos de vida. É importante que durante esse período tenhamos uma alimentação balanceada, com quantidade correta de calorias, proteínas e cálcio, vitais para o crescimento. Apesar da recomendação de cálcio na dieta ser estabelecida, dependendo da idade e capacidade de absorção deste mineral, apenas uma pequena parte das meninas e meninos ingere essa quantidade.
 
O cálcio é o nutriente mais importante para se conseguir um pico de massa óssea adequado. Atua tanto na prevenção quanto no tratamento da osteoporose. No entanto, para que possa ser absorvido, depende da presença da vitamina D. O sol é a maior fonte desta vitamina. Cada vez mais a exposição ao sol em todas as faixas etárias está diminuindo. No Brasil, para agravar este fato, não dispomos de muitos alimentos enriquecidos com vitamina D. Como o cálcio é fundamental para a vida (necessário para a contração dos músculos, os batimentos do coração, o funcionamento dos nervos), ao não conseguirmos aproveitar aquele que foi ingerido, por não termos vitamina D suficiente, acabamos destruindo nosso esqueleto ósseo, para liberar o cálcio preso a ele, o que nos permite continuar vivos.
 
A atividade física também é fundamental para a formação de bons ossos. Os melhores exercícios para isso são os de impacto e os de carga. Nossas crianças estão ficando cada vez mais sedentárias, as escolas não exigem a realização de exercícios físicos como deveriam e, com isso, os ossos têm sido menos estimulados.
 
Fatores de risco para que jovens tenham ossos menos resistentes do que deveriam:
 
- prematuridade ou crianças nascidas com baixo peso;
 
- uso de corticoide em crianças, principalmente para o tratamento de doenças respiratórias;
 
- crianças com doenças inflamatórias intestinais, doença celíaca ou fibrose cística, que interferem na absorção do cálcio da dieta;
 
- adolescentes com alteração do ciclo menstrual por atividade física excessiva, por problemas emocionais, dietas rigorosas ou baixo peso;
 
- crianças muito sedentárias;
 
- ingesta inadequada de cálcio e de proteínas;
 
- fumo e abuso de álcool.
 
Para prevenirmos a baixa massa óssea e a osteoporose devemos orientar nossos jovens a ingerirem alimentos ricos em cálcio, praticarem atividade física e se exporem ao sol.

Dra. Pérola Grinberg Plapler é médica fisiatra, mestre e doutora em Medicina pela USP. Responsável pelo Grupo de Reabilitação em Osteoporose do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC FMUSP. 

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