Dra. Pérola Plapler saude

Mudanças no estilo de vida para melhorar a saúde óssea

Por Dra. Pérola Plapler 23/06/2010

Se você recebeu do seu médico o diagnóstico de osteopenia (início da perda de massa óssea) ou osteoporose (doença óssea que torna os ossos mais finos, mais frágeis e mais suscetíveis à fraturas), não se desespere! Confira algumas medidas que podem ajudar a reverter ou diminuir a progressão deste quadro.

A primeira providência é seguir as orientações do seu médico. Ingerir cálcio na quantidade mínima recomendada, fazer exercícios, não fumar, não ingerir bebidas alcoólicas de forma exagerada e fazer a densitometria óssea são algumas medidas importantes. Mesmo que não se consiga voltar a ter a mesma massa óssea da juventude, é importante lançar mão de atitudes que possam estabilizar ou diminuir a progressão do afilamento das paredes dos ossos. Em algumas situações a medicação é fundamental para diminuir a reabsorção ou aumentar a produção de novas células.

Cálcio e vitamina D

A presença destas duas substâncias permite a formação de ossos resistentes às fraturas. O cálcio, além de dar a firmeza aos ossos, é fundamental para que várias atividades celulares se realizem, como, por exemplo a contração dos músculos ou a transmissão dos sinais entre os nervos. Como não produzimos o cálcio, este tem que chegar aos lugares do corpo que necessitem dele pela dieta. Quando não ingerimos o suficiente, acabamos tendo que destruir o esqueleto (grande reservatório de cálcio) para liberarmos aquilo que necessitamos.  

O cálcio forma ossos resistentes, mas é a vitamina D que ajuda o organismo a absorver o cálcio. É por esta razão que mulheres na pós-menopausa necessitam ingerir, no mínimo, 400 a 600UI de vitamina D por dia, além das 1200mg de cálcio.

A maior parte das mulheres americanas ingere menos de 500 mg de cálcio na sua dieta diária. A exposição ao sol ajuda a produzir vitamina D, mas na medida em que envelhecemos nossa pele perde a capacidade de produzí-la. O uso de protetores solares, recomendado na prevenção do câncer de pele, limita a fabricação da vitamina D.

Quando o cálcio e a vitamina D não são ingeridos na quantidade necessária, é recomendado a suplementação ambos.

Existem dois tipos de cálcio usados na suplementação: o carbonato de cálcio e o citrato de cálcio. O carbonato de cálcio deve ser ingerido com os alimentos para facilitar sua absorção, uma vez que é desejável um maior nível de acidose. Alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais, como desconforto gastro-intestinal, gases e constipação.  Medicamentos que tratam refluxo ou úlcera péptica podem interferir na absorção do carbonato de cálcio. Já o citrato de cálcio é geralmente bem tolerado e pode ser ingerido sem alimentos.

Quando são necessários dois ou mais comprimidos de cálcio para atingir a dose mínima necessária, esses devem ser tomados com intervalos de, pelo menos, 4 horas entre si, tendo em vista a capacidade de absorção do organismo, que é de aproximadamente 500 mg por período. Por esta mesma razão, para evitar o desperdício, não é recomendado a ingestão do suplemento de cálcio com leite ou laticínios.

A maior fonte de vitamina D vem do sol. No entanto, alguns médicos recomendam exposição mínima, evitando os efeitos nocivos dos raios ultravioletas (UV) sobre a pele. Com isto, podemos não atingir a quantidade de vitamina D necessária para a absorção do cálcio.

Medicamentos específicos para o tratamento da osteoporose (os que diminuem a destruição das células dos ossos e os que estimulam sua formação) devem ser acompanhados do cálcio e da vitamina D, respeitando o intervalo com que devem ser ingeridos.

É importante lembrar que todo medicamento para o tratamento da osteoporose ou osteopenia deve ser prescrito por um médico especialista.
 
Alimentação

No Brasil ainda não temos muitos alimentos enriquecidos com cálcio, mas, esta é outra fonte de vitamina D, em vários países. São em pequeno número também, os alimentos que naturalmente contém a vitamina D. Um dos exemplos é o salmão.

Exercícios com peso

Os exercícios são fundamentais para a formação de massa óssea, especialmente aqueles feitos com o peso do próprio corpo ou com pesos adicionais. Estes exercícios, juntamente com os exercícios de impacto, promovem uma pequena deformação do osso quando estão sendo realizados. No interior dos ossos temos uma rede de células que se interconectam e são muito sensíveis a estas deformações. Neste momento estas células (osteócitos) “avisam” para as células da periferia do osso da necessidade de formarem mais osso, tendo como resultado final, um esqueleto mais resistente e com paredes mais grossas.

Os exercícios feitos dentro da água não têm a mesma capacidade de estimular os ossos. O problema é que o efeito da gravidade é diferente do que ocorre no solo. Podemos comparar o que ocorre na água ao efeito sobre os astronautas quando estão no espaço. Portanto, os exercícios sub-aquáticos podem ser ótimos para quem tem dores articulares (osteoartrose), mas estes não ajudam a aumentar a massa óssea.

Outra grande vantagem dos exercícios é a melhora do equilíbrio e da coordenação. Pessoas mais ativas tendem a cair menos, consequentemente, terão menos fraturas.

Antes de começar qualquer atividade física, converse com seu médico para saber qual a mais adequada. Fale sempre também com quem está instruindo os exercícios para que possa adequar a intensidade da atividade

Cigarro e álcool

O cigarro interfere nas células que formam osso, além de adiantarem em até 3 anos o início da menopausa, o que é indesejável. O álcool também tem uma ação direta sobre a formação da massa óssea. Além disto, pessoas que ingerem muito álcool acabam se alimentando mal, o que piora a ingestão de cálcio. A associação de cigarro e álcool potencializa os efeitos danosos de cada substância, comprometendo ainda mais o esqueleto ósseo.

Densitometria óssea

Este é, atualmente, o melhor exame para descobrir se estamos perdendo ou ganhando osso e em que quantidade. Fácil de ser realizada, a densitometria óssea nos expõe a uma dose muito baixa de radiação, a não ser em algumas situações especiais, nas quais deve ser realizada com no mínimo 1 ano de intervalo.

Para saber mais sobre o tema acesse www.osteoclube.com.br

Dra. Pérola Grinberg Plapler é médica fisiatra, mestre e doutora em Medicina pela USP. Responsável pelo Grupo de Reabilitação em Osteoporose do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC FMUSP. 

 


As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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