Dra. Pérola Plapler saude

Entenda melhor a dor Crônica

Por Dra. Pérola Plapler 05/09/2011
Milhares de pessoas ao redor do mundo sofrem com dores crônicas, que podem ser definidas como dores que duram mais do que 3 a 6 meses. Podem ser leves, moderadas ou muito intensas, contínuas ou esporádicas. Podem trazer um desconforto ou serem totalmente incapacitantes, impedindo que o indivíduo tenha uma vida normal.

Existe uma diferença entre a dor aguda e a crônica. A aguda é uma resposta a trauma, infecção ou lesão que acabou de acontecer. Pode ser considerada uma defesa e um sinal de alerta para tentar bloquear o que está prejudicando o corpo. Em geral, responde bem à medicação leve indicada pelo médico. 

Já a crônica se mantém independentemente da presença do fator agressor. Ou seja, mesmo que já não haja mais a lesão que desencadeou a dor, ocorre uma maior sensibilidade do sistema nervoso central, que passa a reagir a vários estímulos, como se o corpo continuasse sendo agredido. Esse tipo é mais difícil de ser tratado, requer outros medicamentos e, em alguns casos, até alguns procedimentos cirúrgicos mais agressivos. Não sabemos ainda hoje quais são as pessoas que podem apresentar um quadro de evolução para uma dor crônica.

As consequências da dor crônica podem ser físicas e emocionais 

Como exemplos de dores crônicas podemos citar: dores articulares, dores de cabeça, dores nas costas, tendinites e dores musculares.
O quadro emocional tem grande influência sobre a dor. Pessoas mais deprimidas, tensas ou ansiosas, bravas ou cansadas podem apresentar um quadro de dor mais intensa. Muitos pacientes, quando saem de férias ou se encontram relaxados e felizes, sentem menos dor.  

Por causa dessa associação entre o emocional e o físico, o tratamento para a dor crônica deve ser global e incluir medicação, atividade física muito bem controlada e abordagem emocional.

Pessoas com dores crônicas podem apresentar sono não reparador, irritabilidade, dor constante que piora até mesmo com o vento ou água batendo na pele, sensação de choques, queimação e pontadas. Pode haver também sensação de desconforto e rigidez. Todos esses sintomas levam a um quadro de sofrimento importante que diminui a resistência a outras doenças, impede as atividades da vida diária e podem levar o paciente a ficar totalmente incapacitado.

Para tentar quantificar como a dor interfere na qualidade de vida dos indivíduos, foi criada uma escala que avalia:

- condições para continuar trabalhando na atividade anterior à dor;

- condições para se sociabilizar;

- condições para fazer qualquer atividade física (desde simplesmente andar da cama para o banheiro até caminhar na rua);

- condições para fazer as tarefas domésticas (arrumar, lavar, passar, cozinhar, fazer compras);

- como está o humor (deprimido, feliz, ansioso, irritado).

As respostas avaliam a situação do paciente, que pode variar desde grande limitação para tudo até pequeno desconforto que atrapalha, mas não impede a realização das tarefas. 

Veja as opções abaixo sobre o que se costuma fazer em situação de dor:

- ficar na cama o dia inteiro;

- sentir-se desanimado e sem apoio de outras pessoas;

- ser capaz de fazer pequenas tarefas perto de casa;

- conseguir fazer algumas atividades fora de casa duas vezes por semana;

- poder trabalhar ou ser voluntário por algumas horas diárias ou assumir algumas tarefas da casa;

- conseguir ser ativo por pelo menos 5 horas por dia;

- conseguir ter vida social fora do trabalho;

- conseguir participar da vida familiar.

Essas informações podem ser consideradas durante o tratamento para que se avalie se está havendo melhora e em quais áreas o problema continua. 

Outra maneira de avaliar o quadro é pedir para que o paciente faça um diário

Nele, é recomendado escrever:

- o local da dor, qual a intensidade, fatores que resultam em sua melhora ou piora, e como ela ficou com o uso da medicação;

- ser o mais explicativo possível dizendo, por exemplo, se teve que parar o trabalho, se teve náusea associada a ela, qual o tipo de dor;

- lembrar os medicamentos que está tomando, quais os alimentos que antecederam a dor, qual o nível de tensão antes.

Nem sempre é fácil tratar a dor crônica, mas é fundamental investigar a causa e investir no tratamento. Nunca a ignore e nunca a aceite. Existem especialistas, conhecedores de medicamentos e técnicas capazes de ajudar e que devem ser procurados quando necessário.

Pérola Grinberg Plapler é médica fisiatra, mestre e doutora em Medicina pela USP. Responsável pelo Grupo de Reabilitação em Osteoporose do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC FMUSP. 

As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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