Sexo ainda é um mito
Por Dra. Márcia Atik 15/02/2011Com certeza deveria fazer sentido, seríamos mais coerentes. Mas, infelizmente, as coisas não são tão simples assim. Ainda agora, no século 21, quando o assunto “sexo” é discutido nas salas de famílias respeitáveis, nas escolas tradicionais ou entre parceiros, viver prazerosamente ainda é um mito. Os tabus persistem e, consequentemente, as disfunções sexuais grassam em proporção inversa ao que se esperava ao se ter conhecimento e domínio sobre o tema.
Não creio que essa realidade seja fruto de desinformação e nem de educação sexual apropriada, pois, desde que a AIDS se tornou evidente, faz-se mister a educação sexual a partir da mais tenra idade. Mas educação é aprendizado, e sexualidade espontânea, saudável, se aprende de dentro para fora, isso é, com contatos afetivos prazerosos, toques carinhosos, olhares cuidadosos desde o nascimento. Isso faz com que nos acostumemos com trocas, e essas trocas favorecem uma melhor relação com os desejos sem as culpas associadas a ele na nossa cultura judaico-cristã.
Portanto os mitos, ideias falsas sem correspondência com a realidade, ainda existem muitas vezes ligados a uma idealização romântica do encontro sexual, calcada em tabus, fazendo com que a vivência sexual seja objeto de forte censura, interditada, proibida pelos motivos mais diversos que vão desde a repressão familiar simplista até a noção de pecado colocada no lugar errado.
Márcia Atik é psicóloga, especialista em Sexualidade, Doenças Psicossomáticas, Transtornos Alimentares e Terapia de Família e Casal.
www.marciaatik.com.br
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