Dra. Márcia Atik saude

E quando a falta de desejo é dele?

Por Dra. Márcia Atik 29/11/2011
Quando falamos em sexualidade humana é corrente o discurso de que, para as mulheres, mil fantasias emperram ou influenciam essa experiência, e que, para os homens, a coisa funciona de uma maneira natural, na base do “usou, lavou, está novo”. Mas as coisas não estão sendo assim fáceis para eles, haja vista a crescente procura masculina por terapia sexual.

Historicamente, ao homem era dado o lugar de “senhor absoluto” e, nessa posição, nem ele próprio questionava nada, não entrava em contato com suas emoções e necessidades.

Quando do advento dos remédios que fazem milagres, imaginou-se que problemas sexuais masculinos eram coisa do passado. Espantosamente isso não aconteceu, pois, apesar de ter uma ereção vigorosa, o homem acabou percebendo outras dificuldades, entre elas a falta de vontade de fazer sexo. Faz-se necessário falar um pouco sobre isso principalmente para desmitificar o assunto, amplo e dinâmico, que não se esgota num artigo.

Terapia: sempre uma boa opção

Tal ausência de desejo ocorre poucas vezes por questões orgânicas e muitas vezes por questões psicológicas e do casal – e, nesse caso, a melhor saída é a terapia sexual ou de casal.

Apesar de tão discutido, mostrado e vivenciado, o sexo anda muito fraco e preguiçoso para a maioria das pessoas, e os homens que estavam vivenciando sua sexualidade no piloto automático também entraram nessa “onda” provocada pelos inúmeros apelos –  quase cruéis, eu diria – de resultados, cobranças e obrigações. Todavia, enquanto não se estabelecerem complementaridade e equivalência das diferenças naturais entre homens e mulheres, estes correrão o risco de se tornarem ou continuarem a ser eternos competidores e, nesse sentido, o sexo dá trabalho, cansa e frustra, tirando deles todo o estímulo...

Sexo bom dá trabalho. Não digo trabalho em performance ou ideias criativas para as fantasias sexuais, mas trabalho para se perceber o momento ideal, a pessoa certa.

Pessoas solitárias, preocupadas, descrentes de afeto e, principalmente, assoberbadas pelas cobranças de desempenho e assertividade acabam não apostando nem tentando viver os encontros e desencontros que uma relação a dois traz.

O dissabor de um sexo sem sentido não é facilmente renovado, e é por isso que eu creio que um chamamento para tudo aquilo que envolva muito prazer começa na sedução, na percepção do desejo real: isso é relativo à alma, e não ao genital. Aquilo que tem embutida a admiração nos leva a ter a recompensa do trabalho que o sexo dá, auferindo um prazer mais amplo e irrestrito e fazendo com que o som de uma música nos leve de volta ao passado vivido, que o cheiro de um perfume traga a emoção do momento sentido, que o ato perdure um pouco mais de tempo na história pessoal que um fugaz sábado à noite.

Márcia Atik é psicóloga, especialista em Sexualidade, Doenças Psicossomáticas, Transtornos Alimentares e Terapia de Família e Casal. 
www.marciaatik.com.br  

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