Descontente com o corpo x sexualidade
Por Dra. Márcia Atik 10/11/2010Isso, por si só, seria suficiente para pensarmos que conflitos nessa área eram preocupações passadas, de outro século.
Apesar de o tema estar ocupando um espaço cada vez maior na mídia e na sociedade, infelizmente a realidade é outra, pois percebemos que a mulher está ficando muito reduzida em suas possibilidades por um agente externo a si mesma.
A preocupação entre desempenho e modelo de beleza estética está fazendo com que percamos muito do nosso potencial desejoso.
Um pouco por causa de uma grande confusão entre os conceitos de qualidade de vida, emagrecimento, corpo saudável, mas também pelos apelos da sociedade de consumo, que invadiu a vida privada de uma forma desordenada.
Entre outras coisas, o que nos diferencia de qualquer outra espécie animal é a subjetividade das emoções, e esse sentir que ultrapassa o corpo físico e sexual é uma disponibilidade interna de entrega, de troca, de valorização de si e de seu desejo.
O significado do corpo na boa vivência da sexualidade vai muito além de sua beleza, e está relacionado à possibilidade desse corpo ser a matriz da sexualidade, a ponte entre o desejo e sua expressão e gozo.
A valorização do corpo perfeito, como vemos na atualidade os sentimentos de desvalia, invade a mente e, como um raio, a ultrapassa em alguns momentos, quando o ideal seria a entrega total ao outro e às sensações. Sem dúvida, as pressões do mundo externo acabam trazendo para a sexualidade feminina uma nova forma de repressão, não a social como em outros tempos, mas, pior que isso, a repressão que a própria mulher se impõe por força de uma autocrítica centrada em parâmetros muitas vezes idealizados.
Márcia Atik é psicóloga, especialista em Sexualidade, Doenças Psicossomáticas, Transtornos Alimentares e Terapia de Família e Casal.
www.marciaatik.com.br
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