Dra. Márcia Atik saude

Como lidar com a menopausa

Por Dra. Márcia Atik 26/09/2011

Em qualquer encontro entre duas ou mais mulheres maduras o assunto descamba. Posso falar assim pela falta de conhecimento e primor das afirmações para as questões ligadas às perdas naturais dessa idade; então começa um discurso às vezes totalmente alucinatório sobre hormônios, terapias alternativas, tratamentos milagrosos e o que é pior, histórias de mulheres que sucumbiram a esse momento de transição, histórias das mais fatais possíveis. Será que é isso tudo assim tão dramático?

Não ouso falar profundamente sobre as alterações hormonais, que estão na alçada da medicina. Mas as mudanças não ocorrem apenas no corpo, elas também invadem aspectos psicossomáticos da existência e compreender isso é fundamental para o autocontrole e a compreensão do que está ocorrendo.

É preciso atentar conscientemente não apenas para as perdas, mas também para os ganhos, pois sendo um processo natural supõe-se que seja apenas uma transformação conseqüência do amadurecimento, como ocorreu em outras fases da vida, a relembrar: na ocasião da menarca, a primeira menstruação, tão esperada pelas meninas para se tornarem mulheres. A primeira menstruação é, inclusive, em algumas culturas, comemorada. E por que não comemorar também os ganhos da maturidade, já que se sabe que o impacto que o climatério exercerá na mulher está intimamente ligado a sua história de vida, de como enfrentou outras crises, como a primeira menstruação, a gravidez, a adolescência e outras vivências, no meu ponto de vista, intimamente ligadas a sua sexualidade.

Para transitar bem pelas ruas é necessário conhecer a totalidade da geografia de uma cidade e assim também ocorre na nossa vida: se nos apropriarmos do nosso momento, conhecendo-nos e aqui vale falar que cada um é cada um, portanto não existem regras, nós chegaremos a um destino.

Não há como negar que toda transição humana é difícil porque o que existia ainda não morreu e o que virá ainda não nasceu.
O mais importante de tudo é dar um significado às crises e, se no momento da primeira menstruação a crise foi sem sabedoria, nesse momento da vida madura está repleta de enriquecimento interior e decisões pessoais, livres e independentes, assim se espera.

Partindo dessa característica, é essencial treinar e efetivar o resgate desse lado forte da mulher que é o de seu ser, único e pessoal, guardado na palma da sua própria mão como se fosse um segredo a ser desvendado pelos outros, obedecendo apenas seus desejos, anseios e sonhos, o que é de se imaginar que já seja possível nessa altura da caminhada da vida.
O impacto desse momento está proporcionalmente ligado à história de vida, como as crises obrigatórias foram elaboradas, do conceito de jovem que a sociedade valoriza e está introjetado, principalmente, da postura e da compreensão holística do profissional que acompanha a mulher nessa fase da vida. E essa postura inclui a possibilidade de escutar e de acolhimento para os medos e dúvidas.

Nessa etapa da vida, o que mais chama atenção, como em todo caminho novo a ser percorrido, é a insegurança, que na sua fragilidade dá espaço para uma postura crítica, para a culpa e o medo. Então, inevitavelmente, instala-se a passividade, que é uma prisão sem grades, mas de difícil fuga e pode acarretar doenças físicas, crises de depressão, pânico e até doenças graves e de relacionamento. Talvez esteja aí a explicação do comportamento daquela sogra maluca e persecutória, mas disso falaremos em outro artigo...

Pois bem todo esse momento de fragilidade e aprisionamento faz com que a mulher se vitimize e se entregue para os cuidados de outra pessoa, ao invés de pegar para si essa deliciosa e saudável tarefa que é de cuidar de si mesma.

Esse é o grande desafio, ou seja, aprender a cuidar de si mesma. Só assim ela deixará de lado a culpa, a insegurança e o medo da rejeição, reconhecendo que quem não sabe lidar com isso sofrerá muito mais.

Na tentativa de manter a juventude exaltada por tudo e por todos, essa mulher também pode entrar numa busca desenfreada e mágica pelo tempo perdido apelando, por exemplo, para excessos de práticas esportivas e cirurgias, não sem conseqüências.

Adequadamente estruturada, a mulher pode superar essas transformações muito bem, até de uma forma tranqüila eu diria, pois toda sua energia estará canalizada as suas próprias realizações e desejos pessoais.

Fundamental é perceber que a perda existe, porém é apenas da possibilidade de procriar, mas que dá espaço para um recriar-se permanente e intenso.
Se eu tivesse que escolher um adjetivo para retratar aquilo que eu acredito ser a mulher madura saudável física e emocionalmente seria exatamente esse...Intensidade!

Márcia Atik é psicóloga, especialista em Sexualidade, Doenças Psicossomáticas, Transtornos Alimentares e Terapia de Família e Casal.
www.marciaatik.com.br


As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

NÃO TOME MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO. PODE SER
EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.

Seu nome*:
Seu e-mail*:
Destinatário*:
E-mail*:
Mensagem:
* Campos de preenchimento obrigatório
Seu nome*:
Seu e-mail*:
Mensagem*:
* Campos de preenchimento obrigatório

voltar

Atmosfera Feminina - Um serviço sanofi-aventis
Av. Major Sylvio de Magalhães Padilha, 5.200 - Ed. Atlanta, Jardim Morumbi - São Paulo, SP - CEP: 05693-000 SAC: 0800-703 0014 (de 2ª à 6ª feira das 9 às 17 hs)

Nosso conteúdo serve para seu conhecimento e informação. Em caso de dúvida, procure sempre seu médico para orientá-la quanto ao melhor tratamento e conduta.

Copyright © 2005-2012 sanofi-aventis. Todos os direitos reservados. Última atualização: 16/05/2012