Atração por outros homens é normal?
Por Dra. Márcia Atik 08/09/2010Essa pergunta mexe profundamente com nossos valores e crenças, pois, intimamente, quase todos nós já vivemos esse conflito, na fantasia ou no segredo da alma.
Sem fazer apologia à traição, o campo da psique admite que os caminhos do coração são indeterminados, e envolvem duas situações fortes e reais: a dos sentimentos e desejos e a das convenções sociais.
Terapeutas de casais podem assegurar que relacionamentos, mesmo os mais felizes, envolvem muitas razões para serem mantidos, e nem por isso satisfazem todas as necessidades das pessoas.
O romantismo nos inspira a admitir apenas um parceiro amoroso, mas isso não impede que desejemos outras pessoas. O desejo erótico escapa de nosso controle, mas a escolha do caminho, o comportamento diante do desejo, esse é de nossa escolha e responsabilidade.
É preciso compreender que o sentimento não é construído, mas que a relação torna-se fundamental para que, sem hipocrisia, possamos entender o que sentimos, para fazermos nossa escolha a partir daí.
A verdade é que não existe ninguém capaz de satisfazer todas as nossas expectativas, e conviver com algumas faltas faz-se mister em qualquer relação que se preze.
Saber que sexo, paixão e amor têm movimentos próprios e o esforço criativo para ter-se felicidade é compreender esses movimentos e, com muita intimidade amorosa, podemos dividir isso com o parceiro para se equalizar as necessidades sem ferir ou ser ferido.
Mas uma questão crucial é a ética, o respeito e a correspondência aos contratos celebrados quando, por meio da paixão, do amor, da atração e, principalmente, da admiração, escolhemos aquele com quem desejamos viver a nossa intimidade, sexual e afetiva.
Dentro desse contexto podemos, sensíveis aos estímulos de Eros, nos deslumbrar com outrem que nos inunde de emoção, desejo ou tentação.
Nós mesmos, e não a sociedade, delinearemos o caminho a seguir dentro de nosso projeto de vida, sem negar a vulnerabilidade aos surtos de paixão que permeiam uma relação duradoura e construída.
Se não que nos permitamos esses surtos, não questionamos a validade e o empenho que temos em manter uma relação duradoura, lapidada e, algumas vezes, reformada com perdas, dando espaço à renovação e ao crescimento, ficando submersa pela força estagnada da certeza de exclusividade.
Márcia Atik é psicóloga, especialista em Sexualidade, Doenças Psicossomáticas, Transtornos Alimentares e Terapia de Família e Casal.
www.marciaatik.com.br
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
NÃO TOME MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO. PODE SER
EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.
- Leia também
- 23/03/2012: Como lidar com as “saias justas” na relação?
- 17/02/2012: Intimidade demais estraga o relacionamento?
- 29/11/2011: E quando a falta de desejo é dele?
voltar