Dra. Luiza Ricotta saude

Quando o ciúme é uma patologia?

Por Dra. Luiza Ricotta 21/10/2011
O ciúme é um sentimento frequente nos vínculos e relações pessoais cuja tônica está associada ao medo da perda daquele que representa a sua fonte de satisfação. 

No caso de um vínculo amoroso, o ciumento teme a possibilidade de perder o ser amado, seu correspondente afetivo, bem como seu valor pessoal diante do outro. Teme perder alguém importante, que agrega valor à sua pessoa. 

Em condições normais, aquele que ama poderá sentir-se enciumado diante das outras possibilidades que cercam o seu amado e procurar, com isso, restringir e até limitar seu campo de ação para que suas chances de se interessar por outra coisa ou pessoa sejam diminuídas. 

O extremamente ciumento, considerando-se aí o teor doentio em um grau mais elevado, poderá ficar checando o roteiro do dia com seu amado simplesmente para dimensionar com quem ele esteve, onde foi e até mesmo observá-lo a fim de verificar se “há algo diferente ocorrendo” fora do seu controle, associando diretamente à sua pessoa. Pois qualquer sinal diferente do costume habitual poderá representar o alerta necessário para colocar em ação todos os seus mecanismos, que no seu entender são de proteção a si próprio, mas na compreensão do outro se revelam como uma espécie de sufocamento, desconfiança, controle excessivo. O ponto a destacar é que tal conduta não necessariamente une o casal, e muito menos faz menção a estar participando da vida do outro. Ao contrário, o ciumento doentio está mais envolvido consigo mesmo, com o intuito de ser vigilante e providente. Sendo capaz de estrilar, esbravejar se for o caso, desconfiar das ações do parceiro como se este fosse enganá-lo.

O ciumento exagerado vê na possibilidade de ser enganado o seu grande drama

Ele imagina cenas em sua mente que colocariam o seu amor gostando de outra pessoa. O próprio fato de ser simpática(o) com alguém poderá representar para o ciumento um indício de interesse. Se estivesse de fato percebendo o outro, identificaria melhor o lugar que ocupa na vida do amado e a diferença de atuação e contextos quando se trata de outras pessoas. O próprio fato de estar sendo cordial numa determinada circunstância poderá parecer-lhe razão para vingar-se e pagar na mesma moeda, ou seja, de acordo com a sua visão entende que está sendo vítima de alguma chacota, desvalia e desmerecimento em relação à sua pessoa. O ciumento doentio é egoísta e vê unicamente a si, e não aos dois como poderíamos pensar no senso comum. 

A distorção desse sentimento quando em grau elevado é o exagero, a desproporção com relação a qualquer tipo de interesse que seu par venha a demonstrar. Seja no trabalho, com os colegas, alguém que tratou bem, um membro da família. Isso tudo poderá ganhar vulto e uma esfera distante da realidade, ficando desproporcional aos olhos do ciumento, pois teria aí a possibilidade de estar sendo pego de surpresa, que é o que deseja evitar: ser surpreendido, no caso perder o ser amado.

Em muito se poderia considerar que a ação do ciumento é uma espécie de preservação do relacionamento. Certamente, até mesmo os poetas falam do ciúme, que, quando se ama, alguma pitada desse sentimento existe. Alguns até mesmo percebem gostar do outro quando passam a sentir esse fogo queimar. No entanto, a questão se abre para pensarmos sobre sua forma de expressão saudável, que é quando o vínculo pede muito mais o envolvimento da confiança – a certeza de que o outro está comprometido com a preservação e continuidade desse vínculo. Para que isso ocorra, os envolvidos precisam se pautar mais na consideração daquilo que a relação oferece a ambos.

O ciúme doentio enfraquece a qualidade do vínculo

Isso acontece pois não se aposta na confiança e nem mesmo na cumplicidade – vitais para a saúde afetiva. 

Como seria possível estabelecer uma base de confiança com alguém se não há crédito necessário consigo próprio e com o que é capaz de oferecer para o relacionamento? É necessário que se reconheça o seu valor. 

Pessoas que não são confiáveis não oferecem estabilidade e não estão interessadas em preservar a qualidade do vínculo que procuram desmantelar pelas suas ações. Arriscam quando não oferecem condições de continuidade em razão de falhas pessoais, fracassando por elas mesmas e não necessariamente pelo outro, como se pode pensar.

Ciumentos em uma boa medida asseguram um ao outro o valor que o relacionamento tem em suas vidas, porém na observação do quanto o outro considera o que ele também acredita, se compromete e ajuda a manter.

Luiza Cristina de Azevedo Ricotta é psicóloga e profª universitária. Trabalha com Desenvolvimento Pessoal e Profissional. Autora de vários livros sobre autoconhecimento.
luizaricotta@hotmail.com, Twitter: @luizaricotta  

As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

NÃO TOME MEDICAMENTOS SEM O CONHECIMENTO DO SEU MÉDICO. PODE SER
EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.

Seu nome*:
Seu e-mail*:
Destinatário*:
E-mail*:
Mensagem:
* Campos de preenchimento obrigatório
Seu nome*:
Seu e-mail*:
Mensagem*:
* Campos de preenchimento obrigatório

voltar

Atmosfera Feminina - Um serviço sanofi-aventis
Av. Major Sylvio de Magalhães Padilha, 5.200 - Ed. Atlanta, Jardim Morumbi - São Paulo, SP - CEP: 05693-000 SAC: 0800-703 0014 (de 2ª à 6ª feira das 9 às 17 hs)

Nosso conteúdo serve para seu conhecimento e informação. Em caso de dúvida, procure sempre seu médico para orientá-la quanto ao melhor tratamento e conduta.

Copyright © 2005-2012 sanofi-aventis. Todos os direitos reservados. Última atualização: 16/05/2012