Dra. Luiza Ricotta saude

Mulheres que têm dificuldade em encontrar um par

Por Dra. Luiza Ricotta 25/08/2011
As estatísticas apontam que a população feminina é cada vez maior que a masculina; são elas que buscam maior qualificação profissional em cursos e atualizações. Já passa de 50% o número de mulheres chefes de família pertencentes à população de baixa renda, e há outras tantas na classe média. Isso para mostrar que, independente do seu nível intelectual, social ou financeiro, elas vêm se ressentindo de uma vida cheia de incumbências, sem dividi-la com um parceiro. Há um grande número de mulheres sós, que, com coragem, fazem sua vida. Curioso não estarem na mira dos homens inteligentes. Por alguma razão tais histórias reais e verdadeiras de mulheres maravilhosas passam despercebidas em razão de estarem ocupadas e pelo fato de os homens estarem de olho no seu prazer momentâneo e nas desconfianças que passaram a atribuir ao universo feminino. Estão tão certos do quanto elas podem fazer que se revestem de proteções. Distanciaram-se delas.

Certamente que, se os homens não procurarem bem, encontrarão as medíocres, pois são as que estão disponíveis a qualquer papel e querendo ser vistas a qualquer preço.

Uma mulher virtuosa precisa ser encontrada, percebida

Não é facilmente disponível, pois está em torno de suas realizações. O homem, seu parceiro, precisa querer estar ao seu lado ao encontrá-la. Sendo assim, ocupa o lugar que destina a si mesmo ao lado de uma mulher. Isso representa que, se não se compromete, acaba expressando o modo como trata a si mesmo, com pouco valor e baixa carga afetiva, pois não sabe ou não pode vincular-se (em razão de suas próprias questões e não necessariamente associado à pessoa com quem está). 

Aquele tipo de moça solitária, que se comporta isoladamente e que não tem espaço para oferecer ao seu homem, viverá solitariamente, desenvolvendo críticas ferrenhas sobre ele, afastando-os de si mesma. Não desenvolve a parceria. Investe num autoconhecimento constante, como se não fosse possível isso ocorrer ao relacionar-se.

Mulheres que são femininas em sua natureza e que aplicam sua concepção de vida de modo a promover espaço para alguém fazer parte da sua vida são generosas, reúnem uma série de interesses e mantêm uma vida rica de atividades. Não se furtam a buscar um homem para se sentirem completas, porém gostam dessa associação em razão de se unir ao seu oposto para viver aquilo que somente com um homem é possível.

Mulheres que pensam e demonstram não precisar de um homem dificilmente aceitam a contribuição do que este possa oferecer em sua vida. Tornam-se competidoras, mostrando o tempo todo que podem viver sem eles. Até mesmo apontam que seus interesses não dependem deles, anulam sua força e, quando encontram um possível parceiro, assustam-no de sobremaneira que somente o mantém ao seu lado caso ele aceite ser dominado. Aqueles que ficam temerosos dessa mulher realmente se afastam, pois não há lugar para eles em suas vidas.

Será mesmo que falta homem no mercado?

Algumas mulheres vêm se queixando de ter dificuldade de encontrar um par, um companheiro, um amor, seja na fase da juventude seja na maturidade. Para aventuras existem oportunidades. E, caso elas queiram, poderão certamente sempre encontrar alguém disposto a algo sem compromisso, ou “sem pressão”, como alguns preferem dizer. São envolvimentos tênues, em que há a linha divisória da vida de um e de outro. Não são vidas que se entrelaçam, que se unem pela afinidade, e sim que passam a corresponder a uma expectativa que não envolva projetos e continuidade. É o prazer hedonista, a satisfação única do eu; é o compartilhar materialista da vida, como se fossem sócios de uma empresa, é a relação do que ocorre no momento, no aqui – agora e nada mais. É a vivência egocêntrica, que não lhe afasta de si para não viver o diferente dela mesma. 

Estabelecer um vínculo é diferente, principalmente se este for amoroso: há a necessidade de uma base afetiva para que possa dar vazão a projetos comuns, à sexualidade, à amizade – que dará reforço na convivência e na intimidade. 

Certas mulheres tornaram-se exigentes

Elas selecionam os atributos que consideram relevantes. E que precisam ser referências para si próprias. O que não necessariamente está relacionado com o outro. Sim, o outro. É preciso lembrar que o parceiro sempre é diferente de você, é outra pessoa. 

Para se relacionar é preciso aceitar o outro diferente de você

Seja para complementar o jeito de ser do parceiro, seja para dar mais vazão às semelhanças. O ponto é que se corre um risco enorme quando se procura um elenco de atributos de forma lógica e racional, como se isso fosse possível, mais parecendo se tratar de um processo seletivo empresarial. 

Não é possível seguir deste modo, como que “empresariando” o afeto, a escolha amorosa, a vida em comum e a realização de projetos de vida em comum. Daí as consequências entre homens e mulheres de não conseguirem se enxergar verdadeiramente.

Luiza Cristina de Azevedo Ricotta é psicóloga e profª universitária. Trabalha com Desenvolvimento Pessoal e Profissional. Autora de vários livros sobre autoconhecimento.
luizaricotta@hotmail.com, Twitter: @luizaricotta 

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