Estrutura familiar: a importância do casal
Por Dra. Luiza Ricotta 05/04/2011Nossas relações vêm passando por várias modificações e já não mais correspondendo à expectativa de um padrão de tradição familiar. Já não nos espelhamos na clássica família nuclear ( pai, mãe e filhos naturais desta união), pois esta já não corresponde à sua maior expressão. Ganhou novos formatos em razão das novas possibilidades afetivas que podem estar presentes neste grupo.
As tais expectativas tradicionais ainda presentes visam reproduzir formas de viver que apenas ditam como é que devemos viver. Como se só houvesse esta. O que não ocorre mais. Ser regido por estas sem que estas tenham se permanecido, é como que procurar corresponder a um paradigma vencido, que não o atual. O que proporciona nas pessoas o sentimento de exclusão, discriminação e não aceitação com as novas formas de se viver em família.
A família não desapareceu
A realidade da nossa sociedade brasileira se apresenta nesta diversidade. O fato é que alguns pais se divorciam e consolidam novos relacionamentos, ou seja, escolhem novos parceiros para partilhar uma vida em comum e com isso, filhos de uma nova união podem também surgir – partindo para um novo agrupamento: - “os seus filhos”, “os meus” e os “nossos”. Naturalmente que outros optam por não terem novos filhos, no entanto as complexidades destas múltiplas relações coexistentes no grupo familiar se darão da mesma forma, porém diferentes do modelo nuclear e não por isso menos legítima.
A família não desapareceu, permanece viva, como forma de suprir as necessidades afetivas – e essa deve ser a sua principal função. Inova ao inserir novos integrantes, seja pelo novo companheiro, o homem ou a mulher, na convivência com outros integrantes vindo destas novas uniões, construindo novas interações em funções paternas e maternas estendidas a esses “meus”, “seus” filhos; pela adoção de um filho, modificando até então o que tínhamos como elemento de configuração da família clássica: a consanguinidade. Dão conta do desafio do laço afetivo estar acima expectativa da consanguinidade, não sendo razão para eximir-se d e proteção, zelo, vínculo afetivo e cuidados que tornarão essa convivência responsável e significativa. Quantos casais buscam em “novas uniões” dar conta das suas necessidades pessoais e também familiares, driblando dificuldades e impedimentos de tempos atrás, restaurando a própria história de vida. Fazendo uso da resiliência e da superação. Talvez por isso a família enquanto agrupamento seja tão necessária dando tanto reforço ao destino das vidas que ela reúne, oferecendo estrutura e formação.
A força está na união do casal
Isso não seria possível se não houvesse a vontade e a força da união de um casal em estabelecer um vínculo dessa natureza. Ainda que se tenham dificuldades na convivência e que a vida em si se encarregue de apresentar os desafios naturais que todos nós estamos submetidos, é preciso enxergar que um casal para se formar precisa de fato querer ter como projeto de vida, essa união. Quando homem e mulher buscam esse tipo de realização, certamente promovem as condições para isso, de modo a encontrar meios e inovações para que suas manifestações pessoais ganhem corpo. Naturalmente que citamos apenas algumas transformações que poderão ser transpostas para outras tantas que cada um procura realizar na vida seja como pessoa, seja fazendo parte de um casal e de uma família.
Viver conforme o novo paradigma
O grande ganho que todas as pessoas possuem está em poder formar a sua família de uma forma original, isso requer compreender fazer a sua, sendo esta diferente ou semelhante ao da sua família de origem (seus pais).
As pessoas continuam estabelecendo uniões desde que encontrem esse desejo manifesto no outro. E é o que continua ligando homens e mulheres.
Indo além dessa expectativa inicial, a falta de um direcionamento em razão das mudanças da tradição podem estar levando as pessoas a entenderem que tem escolha de fazer a sua vida da maneira mais próxima de suas preferências. O modelo que sempre nos foi ditado que seria melhor não tem se revelado o melhor para pessoas e quando elas têm que encarar as alterações da vida, ficam presas nas expectativas que remontam ao modelo tradicional e não sabem mais se poderão fazer dar certo de uma nova forma. Vão precisar se perguntar e para isso precisam ir de encontro aos seus anseios pessoais que em nada traduzem que atende a sua vida.
Em muitos lares chefiados por mulheres e muitos desses de baixa renda não é perguntado a essa mulher se ela deseja ter essa vida, ela assume em razão de seu propósito de formar e manter a sua família unida. Ainda que esteja temporariamente sozinha enquanto parte de um casal, ela mantém com todas as forças, esse propósito da união em razão do significado do que a família em si possui.
O elo maior: o casal
Um casal que se preze certamente dá o tom quando tem clareza dos seus intentos e busca realizar com o outro. Precisamos nos perguntar num sentido amplo, se antes de pretendermos alguém para nos vincular se saberemos o que fazer com isso, ou seja para onde desenrolar numa etapa seguinte. Todos buscam evoluir e precisam de uma nova condição para a sua vida, e isso ocorre em um casal também que busca dar conta de outras atividades que darão maior contorno a vida a dois.
Certamente que saber driblar as situações do dia a dia privilegiando o ganho maior: a união do casal e a força da sua família dará um sentido de continuidade que possa estar sendo perdido quando constatamos as dificuldades que pessoas têm encontrado em manter seus vínculos, pela dificuldade de transformá-los. É nesta mudança da pessoa e da sua formulação de viver que poderá residir muito do que entendemos como aceitação.
Luiza Cristina de Azevedo Ricotta é psicóloga e profª universitária. Trabalha com Desenvolvimento Pessoal e Profissional. Autora de vários livros sobre autoconhecimento.
luizaricotta@hotmail.com, Twitter: @luizaricotta
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