Autoestima na juventude
Por Dr. Leonard Verea 14/12/2011As causas e as situações que podem provocar uma baixa autoestima são diferentes se estamos falando de um adolescente que concluiu os estudos e que está entrando no mundo dos adultos, ou se falamos de uma mulher em idade de se aposentar que precisa reorganizar o tempo e as atividades antes ocupadas pelo trabalho. Cada momento da vida solicita ao indivíduo competências específicas: acabar os estudos, se separar da família de origem, realizar-se profissionalmente, constituir uma nova família e ser pai são alguns exemplos. Cada um desses momentos possui também armadilhas, ou seja, situações e problemas que, se mal vividos, podem gerar baixa autoestima e mal-estares que podem se arrastar por muito tempo.
Autoestima na juventude
Autonomia e independência são as palavras-chave dessa idade cheia de promessas. Trabalho, família e relações são as áreas nas quais vive o jovem. Precisa escolher, tomar atitudes e mudar... Tendo uma boa autoestima. Nessa faixa de idade não se é mais adolescente, e o fim do ciclo de estudos abre o caminho para a vida adulta. Muitos nessa fase ainda vivem em família com os pais e, às vezes, nem acabaram os estudos. Muitas vezes é a falta da autonomia econômica que não permite ainda sair de casa, dificultando assumir uma identidade própria.
Essa situação, devida especialmente ao mundo profissional, instável e sem garantias, penaliza a autoestima, já muito sobrecarregada pelas cobranças sociais muito onerosas nessa idade: focar nos objetivos e ao mesmo tempo estruturar a própria vida afetiva. Nessa fase da vida, a conquista da autonomia é o principal objetivo. No trabalho, o jovem se questiona sobre os valores de maior importância, entre uma atividade segura mas frustrante ou a atividade que gosta mas sem certeza de estabilidade. Melhor uma atividade de responsabilidade e poder ou uma atividade criativa e livre? Nem sempre é fácil fazer a melhor escolha e, na dúvida, passando de um extremo ao outro, a autoestima se perde pelo caminho.
Na família, para quem ainda mora com os pais, a definição das funções fica cada vez mais duvidosa. Muitos adultos morando embaixo do mesmo teto, cada um com exigências distintas que, muitas vezes são conflitantes entre si, e compartilhando somente algumas refeições, cujos momentos são pretextos para discussões e reclamações. A sociedade, hoje, oferece poucas oportunidades para que os jovens adquiram a própria independência econômica cedo e não pesem nas costas dos pais. Para aqueles que conseguiram sair e admnistram a própria vida, a própria casa, a vida também não é mais simples: muitas vezes, tendo vários empregos, pagam o preço da própria liberdade à custa de muito esforço físico e mental.
Nos relacionamentos, o jovem sente a necessidade de se aprofundar mais
Ele busca nas amizades, no trabalho e no amor uma ligação mais estável, baseada em afinidades mais profundas e íntimas. Esse é o momento quando se começa a procurar pela “alma gêmea”, a formação da própria família e a possibilidade de ter filhos. O jovem se defronta, cada vez mais, com os modelos de homem e mulher ideais que a sociedade propõe: o executivo, a executiva, o homem ideal, a boa esposa etc. Se a comparação com esses modelos propostos permanentemente se torna muito desgastante, a autoestima cai e deixa o lugar para a baixa autoestima.
Veja algumas situações a seguir, em que isso pode se tornar mais evidente:
No trabalho, não desenvolver a atividade que se estudou, não conseguir um benefício econômico que permita uma maior independência e autossuficiência; nos relacionamentos, a um certo momento o jovem se questiona se é o caso de continuar pulando de uma relação para outra, aproveitando essa juventude ao máximo, ou pôr a cabeça no lugar e começar a construir uma relação mais séria.
Sacrificar a liberdade pela estabilidade parece um absurdo, que gera conflitos que, se mal resolvidos, impedem de aproveitar o melhor de ambas as situações. A dúvida de se vai conseguir encontrar a pessoa certa faz com que, muitas vezes, quando se deparar com alguém, essa pessoa seja submetida a uma sabatina para procurar identificar afinidades ou seja descartada superficialmente, sem investir mais na relação, descobrindo, aos poucos, os pontos em comum que possam permitir um maior envolvimento. Não tem coisa pior para acabar com a própria autoestima que pensar na própria realização somente em função de casar ou ter filhos. Dessa forma, o presente desaparece, porque é vivido como uma espera para um amanhã idealmente mais feliz.
Fuja das chantagens emocionais!
E fuja também do medo de entristecer os pais ou ofender algum amigo ou amiga pelas suas decisões: não vai conseguir satisfazer a todos, nem deixar todos felizes. Avalie corretamente as dificuldades e as probabilidades de sucesso em cada situação que se apresenta, a coerência é um dos maiores inimigos da autoestima: impede de escolher livremente, de ousar, de experimentar novidades e viver situações certamente mais estimulantes. Deixe de querer tudo e imediatamente, sem muito esforço e sem saber renunciar a nada: isso é muito infantil e imaturo, parece comportamento de criança. Deixe de se preocupar demais com os modismos, com as grifes, com o que os outros fazem. Faça o que acha certo, vista o que gosta realmente, escolha se baseando nos seus verdadeiros desejos e instintos, seja seguro e confie em si próprio.
Se for mulher, não se preocupe em mostrar ao mundo que sabe sempre tudo o que quer, que é autossuficiente e que não precisa de ninguém. Por trás dessa atitude, esconde-se muitas vezes a dificuldade de entrar em contato com a fragilidade natural presente em todos nós, percebe-se uma grande necessidade de controlar e gerir sempre as situações e as dificuldades de aceitar e viver os aspectos mais frágeis e receptivos do “ser mulher”.
Se for homem, as maiores dificuldades estão em conseguir mostrar as próprias emoções
Na prática: quando se sentir acabado, ao invés de se jogar na cama no final do dia e deprimir-se, acelere a rotação do seu motor e desenvolva uma atividade física que lhe dê prazer. O importante é que o esforço ao qual vai se submeter seja físico, e não mental. Assim, vai queimar até o fim a pouca energia que ainda lhe sobra, esvaziando-se completamente: ao fim desse esforço, vai perceber uma nova energia, limpa, sem resíduos.
Dúvidas? Indecisões? Inseguranças?
Nosso corpo é o cúmplice mais sincero que temos para nos orientar se estamos tomando uma atitude certa ou errada. Por mais que uma decisão possa parecer sensata, acontece algumas vezes que o corpo não esteja de acordo. Mas nós não o ouvimos. Depois de ter decidido sobre algo, experimente prestar atenção sobre como o seu corpo reage. Percebe uma pressão no peito, uma sensação de peso nas costas, enquanto respira sente uma compressão pulmonar?
São sinais de que a decisão tomada, por mais adequada se for usar o racional, é combatida pelo seu instinto que, por meio do corpo, traduz o seu “não”. Precisa encontrar uma outra solução! Sente uma sensação de alívio no peito, percebe o seu pescoço e suas costas livres de amarras, enquanto respira sente seus pulmões se expandindo, transmitindo uma sensação boa de leveza? Se é assim, o seu corpo está manifestando a sua aprovação: está no caminho certo!
Evite pensar com frases tipo as seguintes: “Não posso mudar nada: sou feito assim”; “Ninguém me quer porque sou esquisito”; “Não sei decidir sobre a minha vida porque não sei o que quero”; “Dessa escolha depende todo o meu futuro”.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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