A ação que nasce do vazio
Por Dr. Leonard Verea 21/07/2010Existem ações, gestos, atitudes e pensamentos que nascem da nossa essência, da nossa interioridade, de forma espontânea: podem parecer sem sentido, porém, são perfeitos, porque permitem à nossa essência, à nossa natureza, emergir.
O indivíduo precisa aprender a curtir o “vazio, o nada”, esses espaços que existem dentro de nós. Saber que o melhor pode se manifestar deste instante específico. Quem sofre de insônia, de ansiedade, de pânico, pensa muito, pensa demais. Fica preso num rodamoinho e perde a possibilidade de escolher o que deve ou não fazer parte de seus pensamentos. Tem a sensação de que é incapaz de lidar com essa força involuntária que desencadeia sensações incômodas. Pensamento é energia e, como tal, podemos qualificá-los.
Em primeiro lugar, temos que nos colocar na posição de observadores
Observar já cria um distanciamento, a percepção de que não somos aqueles pensamentos. O segundo passo é sentir que existe um intervalo entre eles, um silêncio fértil que é nossa essência, lugar onde tudo “é”, simplesmente, sem precisar ficar se explicando. A partir daí podemos sentir o rodamoinho se desfazendo e tomamos consciência da falta de consistência de tudo o que os pensamentos estavam criando. Enfim, entendemos que não podemos deixar que uma energia mal qualificada invada o nosso espaço de paz. “Isso não me pertence”, é uma chave mágica que abre, cada vez mais, as portas de nosso silêncio interior. É um processo simples, mas precisa de treinamento. Não temos o hábito de observar o que pensamos, não sabemos que podemos escolher o que pode ou não fazer parte da nossa vida nesse campo sutil. Precisamos aprender a substituir um pensamento que nos faz mal por um outro que nos dá prazer.
A cura se manifesta quando aprendemos a reciclá-los
“Isto é bom, isto é ruim, este eu quero que faça parte de mim, aquele não”. Temos que nos perguntar sempre: como me sinto com este tipo de pensamento? Feliz? Corajosa? Serena? Relaxada? Se a resposta for sim, aceite-o. Caso contrário observe o rodamoinho se desfazendo ao dizer: este pensamento não me pertence, não permito que ele ocupe o meu espaço porque eu me amo, me respeito e mereço ser feliz!
Essa postura tem que se tornar um hábito. Você já reparou que temos uma tendência muito maior a entrarmos em sintonia com ondas de pensamentos incômodos? Vamos mudar nossa frequência, isso fará toda a diferença!
Leonard F. Verea é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Clínica; é membro de diversas entidades nacionais e internacionais. Contatos: verea@verea.com.br www.verea.com.br
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