Dr. Gustavo Vilela saude

Por que preciso me preocupar com os radicais livres

Por Dr. Gustavo Vilela 05/07/2011
Eles são partículas pequeninas, produzidas normalmente no metabolismo do nosso corpo. Em sua grande maioria, são geradas pela ação do oxigênio nas nossas moléculas. 
Ao contrário do que se propaga por aí, os radicais livres fazem parte da vida, fazem parte do funcionamento normal do organismo, e sem eles não conseguiríamos viver. Por exemplo, eles também são responsáveis pela nossa capacidade de matar micróbios. Sim, são lesivos, agressivos, destroem as moléculas que se aproximam deles. Por este motivo, de modo sábio, a natureza dotou os seres vivos de um sistema chamado antioxidante, ou seja, uma arma que lhes permite manter esses radicais livres sob controle. O sistema antioxidante é uma espécie de freio, que mantém a atividade dos radicais livres dentro do que é considerado “normal”.

Onde começa o problema?

O problema começa a surgir quando esse sistema fica em desequilíbrio: aumento da atividade dos radicais livres e/ou redução da capacidade antioxidante. Neste caso, os radicais livres tornam-se excessivos e não são mais controlados, e a sua ação lesiva acaba danificando diversas moléculas. Alguns fatores que provocam esse desequilíbrio são poluição, intoxicações por metais (mercúrio, chumbo, arsênico, cádmio) – bastante comuns e pouco diagnosticadas –, tabagismo, doenças crônicas, infecções, má alimentação (excesso de açúcar e de gorduras de má qualidade, baixa ingestão de hortaliças), dentre outros. Sabemos também que há pessoas geneticamente predispostas a terem um sistema antioxidante mais enfraquecido.

A consequência desse ataque exagerado dos radicais livres (também chamada de oxidação) é a degeneração das células e dos tecidos do corpo. Quando eu era aluno de medicina, o tema era motivo de piada pelos professores titulares. Ninguém acreditava que eles fossem capazes de gerar doenças, ou que fossem capazes de reagir de modo negativo na saúde humana. Hoje, 15 anos depois, é impossível assistir a um congresso médico sem ouvir falar no papel oxidante dos radicais livres.

Todas as áreas clínicas: neurologia, cardiologia, urologia, oncologia, cirurgia, psiquiatria, pediatria, etc. já mostraram amplamente o papel dos radicais no adoecimento. A oxidação gerada pelos radicais livres faz parte das mais variadas doenças: osteoporose, infertilidade, câncer, gastrite, doenças autoimunes, artrites, depressão, infarto do coração, diabetes, obesidade, catarata, ansiedade, medo, insônia, etc. 

Por outro lado, muitos estudos já foram feitos no sentido de mostrar o papel protetor do uso de antioxidantes. Eles podem ser ingeridos como parte da dieta (vitamina C, betacaroteno, resveratrol, vitamina E) ou produzidos naturalmente pelo nosso corpo (glutationa, superóxido dismutase, etc.).

Portanto, dentro de um programa de prevenção de doenças, é importante que se avalie individualmente a necessidade de reequilibrar o sistema oxidante e antioxidante. 

Gustavo Vilela é médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. Docente do Curso de Pós-Graduação em Nutrição (Hospital Albert Einstein) - Módulo Nutrição e Oncologia.
Especialista em Onco-Hematologia pela USP e Universidade de Paris, França.  

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