Dr. Gustavo Vilela saude

O estresse acelera o envelhecimento?

Por Dr. Gustavo Vilela 09/03/2011
É de conhecimento popular que as pessoas submetidas a fortes situações de estresse envelhecem mais rapidamente. Todo mundo percebe como envelhecem de modo mais acelerado os Presidentes da República, as pessoas que se recuperaram de doenças complicadas ou as que passaram por divórcios ou problemas familiares diversos. 

Os conhecimentos médicos de hoje nos permitem confirmar o que já se observava na prática. Portanto, o ditado popular que diz “este problema me deixou de cabelo branco” tem fundamento.
Qualquer situação de estresse, seja de que tipo for (fome e frio extremos, atividade física exagerada, problemas familiares, dificuldades financeiras e profissionais, pressão no trabalho, falta de horários de descanso ou lazer, conflitos amorosos, etc.), produz no organismo uma infinidade de reações, que, a longo prazo, podem acelerar o processo de envelhecimento.

Como o estresse consegue desencadear tudo isso? 

Diante dele nosso corpo sofre uma forte alteração hormonal e de neurotransmissores, o que é capaz de interferir em literalmente todos os sistemas corporais. Em outras palavras, não apenas envelhecemos mais rapidamente, mas envelhecemos por inteiro. Todos os tecidos, órgãos e sistemas envelhecem com o estresse: imunidade, artérias, cérebro, pele, cabelos, glândulas, dentre outros.

Um dos grandes vilões deste processo é o cortisol, um hormônio produzido nas glândulas suprarrenais durante o estresse, e que causa problemas quando ele é duradouro.

Os indivíduos sob estresse têm, por exemplo, seis vezes mais chance de morrer por doença cardiovascular, comparados com as pessoas que têm cortisol em níveis normais. Do mesmo modo, pessoas com aumento de cortisol têm mais predisposição para ganho de peso e desenvolvimento de diabetes tipo 2. Pode parecer espantoso, mas há diversos trabalhos que comprovam o efeito negativo no cérebro: aqueles que têm cortisol mais elevado são mais propensos a sofrerem dano cerebral (demência, insônia, perda de memória verbal e visual, menor velocidade de processamento cerebral, menor fluência verbal e má coordenação motora).

Os intestinos e a imunidade sofrem também com o estresse: lesões de mucosa, constipação intestinal, diarreias, dores abominais, maior tendência a alergias alimentares, infecções e doenças autoimunes.

Vale dizer também que o estresse duradouro consegue até mesmo envelhecer nosso DNA mais rapidamente. 

Hoje em dia as pessoas estão cada vez mais expostas ao estresse, em suas diferentes formas. Nosso mundo está em crescente competitividade e sobrecarga de informação, bem como sofre um desenvolvimento progressivo de urgência no tempo. 
Como consequência, muitas, senão todas as doenças de hoje, podem ser ligadas a maus hábitos de vida e a problemas emocionais não resolvidos ou a situações estressantes persistentes. 
O grande desafio é, desde agora, aprender a domesticar o estresse e a adquirir mecanismos de proteção contra ele, se quiserem ter um envelhecimento saudável e com menor perturbação psicológica e orgânica. A medicina já dispõe de algumas ferramentas que favorecem o aumento de tolerância ao estresse. Logicamente, essas armas devem ser usadas de modo preventivo antes de serem detectadas as lesões acima discutidas. Quanto mais precocemente, melhor. Não há idade certa para se pensar em cuidados com estresse. Ele é um processo que pode permear a vida de pessoas de qualquer faixa etária.

Gustavo Vilela é médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. Docente do Curso de Pós-Graduação em Nutrição (Hospital Albert Einstein) - Módulo Nutrição e Oncologia. Especialista em Onco-Hematologia pela USP e Universidade de Paris, França.
 

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