Como prevenir anemia
Por Dr. Gustavo Vilela 22/11/2011Os principais sinais e sintomas da anemia são: palidez de pele e mucosas, lentidão psicomotora, depressão, cansaço, dores musculares, dores de cabeça, perda de libido, falta de ar, palpitações, arritmias, unhas e cabelos quebradiços, mal desempenho escolar, déficit de crescimento e desenvolvimento etc.
Várias são as causas de anemia (medicamentos, exposição tóxica, exposição a radiações, doenças autoimunes, infecções, câncer, doenças específicas da medula óssea, deficiências hormonais etc) e, por consequência, precisaríamos falar de prevenção em cada uma delas. Para tornar o texto fácil e mais prático, iremos enfatizar as anemias carenciais, ou seja, aquelas que decorrem da deficiência de ferro, ácido fólico e vitamina B12. Estas anemias por deficiência nutricional são extremamente prevalentes e passíveis de prevenção.
Alimentação equilibrada ajuda, mas...
Os conhecimentos modernos em Medicina Nutricional não nos permitem mais afirmar que “basta uma dieta equilibrada para suprir todas as nossas necessidades”. Não basta comer para garantirmos suprimento nutricional. É preciso que a digestão esteja equilibrada, que a absorção esteja funcionando muito bem e que a demanda do corpo seja atendida naquele determinado momento.
A qualidade nutricional dos alimentos tem caído nas últimas décadas (solos empobrecidos, alterações ambientais e uso de defensivos). As pessoas têm progressivamente se alimentado pior (produtos industrializados, excesso de carboidratos refinados, açúcar refinado, excesso de ingestão de proteína animal e de gordura saturada e carência de vegetais, frutas, legumes, gorduras e carboidratos de de boa qualidade. Os preservantes alimentares, o estresse, o uso de medicações e a má qualidade do ar e da água têm interferido na qualidade da flora microbiana intestinal e na capacidade absortiva e digestora do nosso intestino. As pessoas muitas vezes estão alimentadas em quantidade, mas desnutridas em relação a micronutrientes, aminoácidos essenciais e vitaminas.
Consequentemente, a prevenção das anemias carenciais não depende apenas da ingestão de alimentos ricos em ferro, ácido fólico e B12. É preciso nos aproximar ao máximo da dieta paleolítica (ingerida pelos nossos ancestrais): uma ingestão diária e abundante de hortaliças, folhas escuras, vegetais de cores diferentes, pigmentos naturais de frutas e verduras, cereais integrais, sementes, castanhas e de uma ingestão regular (mas não necessariamente excessiva e diária) de ovos, carne vermelha, aves e peixes. Esse padrão de dieta está relacionado a um forte equilíbrio metabólico e à capacidade de digestão e absorção, e resulta em oferta satisfatória de ferro, ácido fólico e vitamina B12.
Cuidado com a “dieta ocidentalizada”
Como, na prática, a maioria das pessoas tem dificuldade de seguir esse padrão de dieta – e acaba seguindo uma dieta “ocidentalizada” –, muitas vezes é necessário suplementar ferro, ácido fólico e vitamina B12 para evitar a anemia. Comumente recorremos também a produtos que tornam o ambiente interno intestinal mais saudável (uso de fibras, bactérias saudáveis, minerais, ômega-3, glutamina, enzimas e determinadas vitaminas).
Cabe dizer que os alimentos industrializados chamados de “fortificados” não são garantia de boa oferta nutricional, pois nem todas as pessoas conseguem aproveitá-los. A mesma coisa podemos dizer das vitaminas compradas em drogarias, muitas vezes feitas com matéria-prima de baixa absorção intestinal e em baixas quantidades.
Algumas pessoas merecem atenção especial à necessidade de suplementação de ferro, ácido fólico e vitamina B12, pois apresentam maior dificuldade no aproveitamento alimentar ou têm maior demanda metabólica: crianças em crescimento, gestantes e mulheres que amamentam, idosos, obesos, pacientes submetidos a cirurgia bariátrica ou a cirurgias que modificam o trânsito intestinal, mulheres com fluxo menstrual excessivo ou prolongado, atletas, portadores de doenças crônicas e autoimunes, pacientes oncológicos, pessoas submetidas a grandes cirurgias ou vítimas de grande queimadura ou traumatismo e usuários crônicos de omeprazol (ou similares). O uso crônico deste tipo de medicamento está associado à carência de diversos nutrientes, pois altera a capacidade de digestão e de produção de ácido no estômago (necessário para a boa digestão).
Em resumo, para evitarmos as anemias por falta de ferro, ácido fólico e B12 é preciso adotarmos uma dieta menos ocidentalizada, garantir bom funcionamento gastrointestinal (eventualmente usando ajuda de suplementos específicos), evitar uso indiscriminado de remédios para o estômago e utilizar reposição nutricional quando, apesar de tudo, existe carência destes elementos.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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EXTREMAMENTE PERIGOSO PARA A SUA SAÚDE.
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