Dra. Dorit W. Verea saude

Você reclama demais?

Por Dra. Dorit W. Verea 21/07/2010

Você consegue ficar um dia inteiro sem reclamar de qualquer coisa? E que tal uma semana?
Todas as pessoas têm razões suficientes para lamentações (trânsito, impostos, violência urbana, chefe, secretária...), mas achar que, diante das dificuldades, a lamentação seja natural, pode ser sinal de que algo esteja errado.

Reclamar pode ser:

- Reflexo da imagem negativa de si mesmo, do outro ou da vida;
- Início de um processo de mudança na qual a queixa se direciona à transformação;
- Representação de um pedido de ajuda verbalizado de forma incorreta.

Nem sempre esta atitude é patológica. Se a reclamação é pontual, justificável e não se prolonga, indica uma reação saudável. Porém, se prolongada ou acompanhada de explosão de cólera ou emoções muito intensas, desproporcionais ao estímulo, pode ser um sintoma importante de algum transtorno.
O ato de reclamar interfere negativamente mos relacionamentos, na produtividade, na motivação e no bem-estar.

Quando se torna um hábito crônico recebe o nome de compulsão de repetição. A pessoa não consegue enxergar formas diferentes de se comportar, retorna sempre à mesma postura, muitas vezes até sem perceber.

Pesquisas constatam que o hábito de reclamar está relacionado à passividade.
Portanto para mudar esta situação é fundamental agir, até por que mudanças não ocorrem espontaneamente. São necessários nosso envolvimento e investimento.
O primeiro passo é se conscientizar do excesso de reclamações diárias. Depois, é preciso questionar sobre o nível de satisfação com seu desempenho pessoal, postura profissional e ainda, avaliar o quanto tem aproveitado das oportunidades que a vida oferece. Enfim, investir no resgate da sua auto-estima. 

Este investimento faz parte de um processo de readequação de vida, inclusive para evitar uma recaída ao velho padrão de reclamação vazia.

Ao tratar de um problema mais complexo ou prolongado (como por exemplo, crise no casamento ou mal estar constante no trabalho ou tristeza persistente), é importante ter humildade de buscar ajuda profissional para auxiliar na melhor tomada de decisão.

       
Dorit Wallach Verea é psicóloga, coordenadora da Clínica Prisma, mestre em Psicologia Clínica pela PUC/SP e especialista em Dependência Química pelo Instituto Sedes Sapientiae. É também especialista em Psicologia Psicossomática pela Universidade Paulista/SP.


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