Dra. Dorit W. Verea saude

Relações tóxicas

Por Dra. Dorit W. Verea 14/12/2011
O tempo passou, mas amar e ser amado continua sendo inesgotavelmente discutido e analisado, assim como continua sendo fonte de grandes emoções como alegria, êxtase, tristeza, dor e ilusão etc. 
Podemos concluir que se relacionar afetivamente não é um negócio fácil. 

O vínculo amoroso

Todos os tipos de relacionamento humano subentendem algum grau de conflito. A relação conjugal condensa expectativas de satisfação de muitas necessidades antigas que, armazenadas ao longo dos anos, renascem com a esperança de redenção na interação com o parceiro. Esse é o fenômeno que torna complexo o relacionamento afetivo: o fato de as pessoas atribuírem ao outro e à própria relação a condição de resolver suas necessidades internas, muitas vezes contraditórias.

Uma das condições que confere às relações amorosas um papel tão valioso refere-se ao seu potencial de contribuição para o crescimento pessoal. O relacionamento afetivo tanto pode constituir-se em um campo fértil para o crescimento pessoal que leva à autonomia, à maturidade e à estabilidade, quanto em um campo para a permanência de conflitos e expressão de desejos primitivos não satisfeitos. 

Os problemas e as dificuldades dos casais são fruto de um jogo conjunto inconsciente, presente desde a escolha do parceiro, e tendem a ser de quatro tipos: 

Primeiro - Observado em casais em que a interação se define com um parceiro mantendo-se na posição de protetor, enquanto o outro permanece em um papel frágil e dependente, compondo, assim, um padrão relacional cuidador-desamparado. 

Segundo - Ocorre quando um dos parceiros perpetua-se no papel de “dominador”, enquanto o outro exerce um papel passivo. 

Terceiro - É aquela situação em que somente um dos parceiros realiza seu potencial, enquanto o outro renuncia às próprias necessidades e desejos em favor deste. 

Quarto - Mostra uma relação de inveja e rivalidade, promovendo uma competição crônica pelo poder.

A relação tóxica

A intensidade, a frequência e a forma com que são vivenciados esses tipos de relacionamentos acima determinam seu grau de toxicidade.   
É tóxica qualquer forma de se relacionar que precise anular, desqualificar e diminuir a si ou ao outro, para que se sinta valorizado, amado e respeitado. Numa relação tóxica há poucas condições de crescimento afetivo, intelectual e psicológico para ambos.

Permanecer muito tempo em relacionamentos tóxicos compromete a autoimagem. Desta forma, o pensamento e a autopercepção distorcidos fazem a pessoa permanecer e alimentar o relacionamento nocivo, pois, desse seu ponto de vista "ruim com ele, pior sem", isso é o máximo que a pessoa acredita que pode conseguir em termos afetivos.

A primeira coisa a fazer para sair dos relacionamentos tóxicos é o autoconhecimento, incluindo descobrir como aprendeu a se relacionar e que pensamentos disfuncionais inconscientes sustentam seu modo de encarar amor e relacionamento. Nada fácil. Portanto, se precisar busque ajuda, mas não se intoxique mais. 

Dorit Wallach Verea é psicóloga, coordenadora da Clínica Prisma, mestre em Psicologia Clínica pela PUC/SP e especialista em Dependência Química pelo Instituto Sedes Sapientiae. É também especialista em Psicologia Psicossomática pela Universidade Paulista/SP. 

As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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