Dra. Dorit W. Verea saude

Como manter o pensamento positivo?

Por Dra. Dorit W. Verea 26/09/2011
Todas as teorias são unânimes em dizer que devemos ter pensamentos positivos. Porém, sabemos muito bem que não temos condições de ter o controle total sobre nossos pensamentos. Imaginem que prático seria poder decidir esquecer um amor rejeitado.

Ao longo do dia temos diversos tipos e formas de pensamentos que não param – estamos sempre pensando. Sobre alguns deles não temos controle, e por isso podem ser chamados de automáticos. Simplesmente, “aparecem em nossas mentes” e influenciam nosso estado de humor e nossas emoções.

Como os pensamentos automáticos são muito fugazes, geralmente não são questionados e são aceitos como verdadeiros, e manifestam a maneira como significamos as situações, bem como as distorções que fazemos da realidade.

O homem é um ser em uma busca constante por significados e explicações

Quando pensamos, estamos também interpretando essa realidade a nós mesmos. Assim, formamos os pensamentos automáticos.

A partir disso processamos, percebemos e atribuímos significados às situações vividas e formamos nossas crenças. Por exemplo, após algumas experiências amorosas frustradas, uma pessoa pode concluir “eu não tenho mesmo sorte no amor”.  Será que isto é verdadeiro?

Alguns dos pensamentos automáticos podem ser total ou parcialmente errôneos, mas foram gerados porque interpretamos de forma inadequada o que ocorreu com conosco.

A vida não é cor-de-rosa. Não é possível ter apenas pensamentos positivos, caso contrário, perderíamos a capacidade de perceber sinais importantes tanto do ambiente quanto nossos próprios. A saída é conseguir olhar as situações problemáticas de muitos pontos de vista diferentes: positivos, negativos e neutros, para encontrarmos novas conclusões e soluções; é conseguir elaborar pensamentos alternativos, e não simplesmente substituir para um pensamento positivo.

Ao mudarmos nossos diálogos internos e seu fluxo de pensamentos negativos, nos damos conta da importância do pensar na instalação e manutenção do sofrimento. É comum ouvir dos pacientes: “Eu nunca havia percebido o quanto penso bobagens durante o dia, que as coisas vão dar errado, que eu não sou capaz de fazer as coisas corretamente, que não sou bom o suficiente, que ninguém gosta de mim”.

Finalizando, seguem abaixo erros de pensamento mais comuns:

-Do tipo tudo ou nada (dicotômico) – a pessoa enxerga o universo em apenas duas categorias, como certo ou errado, sucesso ou fracasso, não vendo as coisas dentro de um continuum.

-Catastrofização – prevê que o futuro será da pior forma possível, superestimando a possibilidade de ocorrências negativas.

- Personalização – acredita que é culpada por eventos negativos ou comportamentos aversivos de terceiros.

- Ditadura dos “deveria” – tem uma ideia excessivamente rígida de como deve ser o seu comportamento e grande exigência sobre seu desempenho.

- Desqualificação do positivo – a pessoa descarta suas características positivas, evidenciando as negativas.

- Inferência arbitrária – chega a conclusões precipitadas sem evidências.

Dorit Wallach Verea é psicóloga, coordenadora da Clínica Prisma, mestre em Psicologia Clínica pela PUC/SP e especialista em Dependência Química pelo Instituto Sedes Sapientiae. É também especialista em Psicologia Psicossomática pela Universidade Paulista/SP.

As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.

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