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Hipotireoidismo: mais comum do que se pensa

Por Dra. Christiani Poço 28/07/2010

A tireoide é uma glândula que fica no pescoço, logo abaixo daquela saliência popularmente conhecida como "pomo-de-adão". A tireóide produz dois hormônios muito importantes para o organismo: o T3 e o T4. Esses hormônios controlam o funcionamento de diversos órgãos e, por isso, interferem diretamente em processos como crescimento, ciclo menstrual, fertilidade, sono, raciocínio, memória, temperatura do corpo, batimentos cardíacos, eliminação de líquidos, funcionamento intestinal, força muscular e controle do peso corporal.

Hipotireoidismo

Eventualmente, a tireoide pode sofrer problemas que a fazem produzir hormônios em excesso (hipertireoidismo) ou em quantidade insuficiente (hipotireoidismo). Esses problemas são facilmente reconhecidos, porque o hipertireoidismo acelera todas as funções do corpo, enquanto o hipotireoidismo, ao contrário, deixa tudo mais lento.
Dados mundiais indicam que o hipotireoidismo atinge 11% da população, sendo 80% mulheres a partir dos 35 anos. No entanto, muitos casos ficam sem diagnóstico, porque os sintomas nem sempre são reconhecidos. Sem o tratamento adequado, as doenças da tireóide afetam o coração, os ossos, alteram as gorduras no sangue e causam muitos danos.

Os sintomas:

Cansaço, apatia e desânimo
Hipersensibilidade ao frio
Falha na memória
Sono excessivo
Pele seca e queda de cabelos
Intestino preso
Perda de apetite
Ganho de peso e retenção de líquidos
Aumento de colesterol
Tornozelo inchado e dores musculares
Unhas quebradiças
Períodos menstruais irregulares
Diminuição do desejo sexual

Quem tem mais chances de sofrer de hipotireoidismo?

A doença afeta pessoas de ambos os sexos e de todas as idades. Entretanto, certos grupos são mais vulneráveis:

Mulheres, especialmente acima dos 40 anos, em período pós-parto
Pacientes em radioterapia de cabeça e pescoço
Pessoas que já tiveram problemas de tireóide
Usuários de lítio ou amiodarona
Homens acima dos 65 anos
Pessoas com histórico familiar de diabetes
Portadores de Tireoidite de Hashimoto ou Lúpus ou Síndrome de Down ou Vitiligo

Quais as complicações que o hipotireoidismo pode trazer?

Quando o hipotireoidismo não é diagnosticado a tempo, ou quando não é tratado adequadamente, pode levar a sérias complicações. Outros órgãos são afetados, levando aos seguintes quadros:

Insuficiência cardíaca
Dislipidemia (elevação do colesterol)
Coronariopatia
Hipertensão arterial
Glaucoma
Anemias
Disfunções respiratórias
Retardo mental
Surdez e deficiência no crescimento em recém-nascidos com hipotireoidismo
Desordens gastrintestinais, neurológicas, endócrinas, metabólicas e renais

Como é feito o diagnóstico?

As disfunções tireoidianas podem ser diagnosticadas com um simples exame de sangue para dosar o TSH (hormônio estimulante da tireóide). Quando o médico achar necessário, ele pode pedir também a dosagem da quantidade de hormônio tireoidiano no sangue (T3 ou T4). Alguns recém-nascidos apresentam disfunções ou ausência da glândula: o diagnóstico é feito pelo exame de rotina conhecido como "teste do pezinho". Essas crianças devem começar o tratamento imediatamente após o diagnóstico.

O tratamento é difícil?

Ao contrário: para tratar o hipotireoidismo, basta tomar um medicamento contendo o hormônio que a glândula (tireóide) não produz adequadamente. No Brasil já existem comprimidos com as doses necessárias para o portador com o problema. O sucesso do tratamento vai depender muito de cada paciente. Tomando o comprimido de levotiroxina diariamente e de forma correta, você vai se sentir melhor de forma gradual e lenta.

Christiani Adão Poço é médica, especialista em endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Médica endocrinologista do ambulatório da Fundação Zerbini. Médica pesquisadora clínica com certificação da Harvard Medical Internacional em "Good Practices in Clinical Research".


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