Cuidado com os olhos no Verão
Por Dra. Andréa Barbosa 22/02/2011A principal ameaça da estação, sem dúvida, consiste no contato sem proteção dos olhos com os raios solares. Entre as alterações mais comuns estão as ceratites (inflamações na córnea), a formação de pterígio (uma espécie de tecido carnoso que cresce sobre a conjuntiva) e até problemas graves na retina.
O uso dos óculos escuros ajuda na prevenção, mas, sozinhos, eles não afastam todas as ameaças. O uso de bonés, chapéus e viseiras também é necessário.
Exposição solar
Para se expor ao sol com segurança, é preciso comprar bons óculos escuros, com certificado de proteção UVA/UVB. A decisão da compra dos óculos de sol deve levar em conta o nível de proteção contra a radiação ultravioleta que as lentes oferecem: além da proteção dos olhos, temos que cuidar da pele das pálpebras e das bordas palpebrais (um tecido mais sensível e, portanto, muito vulnerável ao câncer de pele).
A luz solar é formada pelos raios infravermelhos, ultravioletas e seu espectro visível. Cada um traz malefícios específicos para os olhos. Os ultravioletas podem causar queimaduras e câncer (pele das pálpebras), conjuntivites actínicas (conjuntivas), ceratites actínicas (córnea), aceleração da catarata (cristalino) e possibilitar a degeneração macular (retina), por exemplo. Já os infravermelhos podem acelerar a catarata, principalmente nos casos de exposição prolongada. O mecanismo mais conhecido é pela ação oxidante que acontece em tecidos expostos à luz (até a luz comum, em menor proporção), causando uma aceleração do envelhecimento (catarata, degenerações retinianas, halos corneanos).
Os óculos não protegem apenas por serem escuros. Mesmo as lentes com grau e as lentes de contato devem ter filtros UVA/UVB (sempre verificar o certificado de garantia que acompanha as lentes/óculos).
A conjuntivite da estação
As conjuntivites costumam ser mais frequentes no verão e podem oferecer diversos riscos para a saúde dos olhos. A conjuntivite viral é a mais comum delas, pois é de fácil transmissão e, pelo intenso convívio social desta estação, sua difusão é rápida quando não estamos atentos aos cuidados básicos de higiene. Como a transmissão se dá apenas pelo contato, lavar bastante as mãos e não coçar os olhos costuma ser suficiente.
Comuns também durante o verão são as conjuntivites químicas, causadas em sua maior parte pelo cloro na água das piscinas e até pelo contato dos olhos com protetores solares em creme ou gel. O ideal seria o uso de óculos de natação, sempre que for nadar, mas poucas pessoas têm esse hábito.
Existe também a conjuntivite e a ceratite actínica, causada pela exposição intensa e prolongada à luz solar, sem a devida proteção, levando ao ressecamento e queimaduras da conjuntiva e córnea. O problema causa dor intensa e fotofobia, levando as pessoas a procurarem o serviço de emergência dos hospitais. É muito comum em praticantes de esportes como surf, wind surf, e similares.
Irritou, cuide da maneira certa
Ao perceber qualquer irritação nos olhos é preciso tomar providências imediatas, para evitar problemas maiores. Comece lavando bem com água corrente. Outra dica importante é preferir água mineral ou filtrada. Caso não haja melhora do desconforto, procurar um médico oftalmologista imediatamente. Colírios só devem ser usados com prescrição médica, já que o uso indevido pode até mesmo piorar o quadro.
Soro Fisiológico ou água?
A solução fisiológica nada mais é do que água com sal. Sendo assim, fica claro que a água em seu estado puro é mais adequada para o uso ocular. Não que o soro seja proibido, na ausência de água limpa ele pode se tornar uma opção viável, mas evite usar o líquido de um frasco já aberto, mesmo que ele tenha sido conservado em geladeiras. As chances de que ele esteja contaminado por micro-organismos são grandes.
Proteção para a garotada
As crianças desconhecem os riscos e estão sempre mais expostas aos problemas, por isso os cuidados precisam ser ainda maiores. Elas estão sempre coçando os olhos e aumentando o contágio de problemas como a conjuntivite. É preciso que os adultos fiquem atentos. Quando a criança reclama de dores ou outros sintomas oculares, deve ser imediatamente levada ao especialista.
Dra. Andréa Barbosa é membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo Sócia da Clínica de Olhos São Francisco de Assis, Rio de Janeiro. Coordenadora do Serviço de Oftalmologia da Rede D'Or, Rio de Janeiro.
As opiniões emitidas nesta seção são de responsabilidade exclusiva dos colunistas, não representando a opinião da sanofi-aventis. As orientações não substituem, em hipótese alguma, a avaliação e recomendação de um médico de sua confiança, o único que poderá avaliar a sua saúde e indicar a melhor conduta para você. Consulte sempre o seu médico quando o assunto for saúde, tratamento e medicação.
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